2012: Um Ano de Belos Musicais no Teatro


 

Sei que já falei isso mais de uma vez aqui, mas fazendo um balanço de 2012 sobre os musicais que assisti no teatro fico muito feliz com o mercado que se criou de alguns anos para cá, algo que há 10/15 anos parecia algo inatingível. Quando estreava algum musical era um acontecimento, hoje eles já estão relativamente incorporados na cultura do público de teatro. Contava-se nos dedos os musicais, todos feitos na raça, com esforço e cheios de deficiências, a começar pela falta de um elenco apto a dançar, cantar e representar. Hoje existe um mercado efervescente, patrocínio forte e toda uma geração de atores e técnicos que se criaram no meio dos musicais, . Lógico que as queixas existem e quem vive no meio se ressinta de algo mais.

Em 2012 eu assisti 8 musicais, deixei de ver outros tantos, sendo que alguns deles eu vi mais de 1 vez. Foram musicais de todos os tamanhos, das superproduções a pequenos e despretensiosos(porém graciosos) espetáculos. Deixei de ver espetáculos que queria ter visto, como “Mágico de Oz”, “Um Violinista no Telhado” e “Família Addams”.

Entre os destaques do ano queria citar os nomes de Tiago Abravanel e Alessandra Verney; além da reinauguração do belíssimo Teatro Tereza Rachel, com o nome de Theatro Net Rio.

Dias antes da estreia de “Tim Maia, Vale Tudo – o Musical”, a imprensa se referia a Tiago(com uma ponta mordaz de ironia) como o neto de Silvio Santos. Mas quem assistiu sua performance interpretando o saudoso “síndico” não pôde deixar de ficar impressionado com sua presença de palco e a sua quase incorporação de Tim Maia

Alessandra foi a figura onipresente. Era difícil assistir um espetáculo na cidade sem sua presença(felizmente para nós). Eu tive o privilégio de assisti-la em “Beatles num Céu com Diamantes”, “Formidable”, “Movie Stars”(vi 2 vezes), “Hello Dolly”. E olha que perdi “Um Violinista no Telhado”.

Em relação ao Theatro Net Rio, tentei fazer aqui para o Botequim uma entrevista com Frederico Reder, o idealizador da revitalização desse espaço tão importante para a cultura do Rio de Janeiro. Contactei sua assessoria de imprensa, que me prometeu a entrevista, cheguei a mandar a entrevista por e-mail e nunca mais me deram retorno sobre o assunto. Em compensação, essa mesma assessoria, veio me pedir para abrir espaço no Botequim Cultural para 2 outros de seus clientes. Prometeram-me novamente a entrevista e nada. Não ficaria chateado com uma negativa, entenderia perfeitamente e não insistiria, me chateou o descaso. Mas quero registrar meu contentamento com o retorno desse lugar mítico, graças aos esforço e a luta de Frederico Reder.

Entre os destaques negativos cito o preço muito alto das entradas e o Teatro das Artes.

Para assistir “Hello Dolly“! foram gastos R$380,00 o casal. Para “Priscilla, a Rainha do Deserto” paguei mais caro que as passagens de avião para São Paulo, saiu em torno de R$ 500,00. Ou seja, ainda é um programa altamente elitizado e inascessível para muita gente que adoraria assisti-los. Sei que “Hello Dolly” tem um horário alternativo com preço mais barato, mais o horário também é inascessível para quem trabalha.

Assisti 4 peças este ano no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, sempre me prometendo ser minha última vez ali. O teatro é muito desconfortável para o público. Na verdade era um cinema, que passava ótimos filmes, transformaram em teatro. A inclinação das cadeiras em relação ao palco é  nula, ou seja, não precisa se sentar alguém necessariamente muito alto na sua frente para que sua visão fique razoavelmente prejudicada. Outro ponto, a distância entre as fileiras é mínima. É um sufoco quando temos que levantar para dar passagem a alguém e quando nos sentamos a perna fica esprimida(e olha que tenho 1m,78cm, imagina quem tem 1m90cm).

O ano de 2013 promete, muita coisa boa parece estar vindo por aí, a começar pela estupenda dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, que estão levando nada mais, nada menos que “Orfeu do Negro” para a Broadway e outra peça que gera grande expectativa em mim, “Como Vencer na Vida Sem Fazer Força”, com Luís Fernando Guimarães e Gregorio Duvivier.


Beatles, num Céu com Diamantes

 

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Acho que fui o último ser da Terra a ver esse lindo espetáculo de Möeller e Botelho. Levou mais de 200 mil espectadores ao teatro, já teve vários elencos e parece ser aquele tipo de peça inesgotável. Não será surpresa se continuarmos a vê-la em cartaz pelos próximos anos ainda.


Formidable

Um espetáculo comovente, protagonizado e produzido com muita paixão por Maurício Baduh, que desfilou um festival dos grandes clássicos da canção francesa, com um repertório muito bem escolhido e executado, não deixando no final o espectador com aquela sensação de “hum faltou aquela…”. Maurício merece continuar levar esse espetáculo para todo o Brasil, aonde prova que para se fazer um lindo espetáculo não precisa de superprodução, basta capricho, talento e muita força de vontade.(falamos dele AQUI).

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Movie Stars

Alessandra Verney e Gottsha levaram ao palco do Theatro Net Rio esse espetáculo belíssimo com as grandes canções da hstória do cinema. Um espetáculo que levou ao delírio quem teve a oportunidade de assisti-lo nas 5 únicas apresentações que fizeram. Espero que voltem a fazê-lo em 2013(falamos dele AQUI).

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Nada Será Como Antes

O que gosto na dupla Möeller e Botelho é que eles não têm o menor preconceito e limites, pouco importa o tamanho ou a dimensão do trabalho. Pouco importa o estilo musical. Eles entregam seu enorme talento artístico aos mais diversos tipos e gêneros musicais. Aqui homenageiam(com toda a justiça) os 70 anos de Milton Nascimento. São 48 clássicos(quantos compositores conseguem criar 48 clássicos?) em 1h 40m com um elenco altamente cativante e competente.(AQUI).

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Priscilla, a Rainha do Deserto

Saímos do Rio e desembarcamos em São Paulo, aonde pudemos assistir a essa adaptação do filme homônimo. Uma superprodução caprichada, com grandes clássicos pop dos anos 70/80. Em cena um enorme elenco, cenário e orquestra. Cenários e figurinos luxuosos, tudo feito num padrão Broadway(AQUI).

 

Nós Sempre Teremos Paris

Comédia romântica embalada por clássicos da canção francesa. Para mim, a decepção do ano. Existe uma diferença entre um espetáculo despretensioso e um espetáculo vazio, “Nós Sempre Teremos Paris” está mais para a 2ª opção.(AQUI).

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Alô Dolly!

Outra superprodução feita com todo o capricho e com um belo elenco, com Marília Pêra, Miguel Fallabella e Alessandra Verney. Daqueles espetáculos que encantam e nota-se o semblante de felicidade de todos ao deixar o teatro, cantarolando seus clássicos.(AQUI).

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Tim Maia, Vale Tudo – O Musical

Apesar de sua narrativa convencional(e até careta), é impossível ficar parado diante da força das músicas de Tim Maia e da presença em cena cativante de Tiago Abravanel.(AQUI)

 

 

 


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