Crítica: A Busca


 

 

A Busca”, filme de estreia de Luciano Moura, chega ao circuito exibidor ambicionando atingir o patamar mediano, um meio-termo entre os blockbusters nacionais e os filme autorais de baixo apelo de público, justamente uma faixa que o cinema nacional se apresenta com carência e que é fundamental para uma cinematografia que pretende um dia virar indústria.

Foi lançado com um bom circuito exibidor e em seu primeiro fim de semana ficou em 3º lugar entre os filmes mais vistos da semana, dentro do que se programou e do marketing propagado pelo seu principal produtor, Fernando Meirelles, que ocupou todas as redes sociais enaltecendo e enchendo a bola do filme.

Mas, lamentavelmente, tenho o dever de informar que “A Busca” não é nem perto do que Fernando Meirelles alardeia. É um filme razoável e vazio, nada mais do que isso.

O filme logo no seu início mostra uma família partida, Théo(Wagner Moura) e Branca(Mariana Lima) estão recém separados. Seu filho Pedro(Brás Antunes), de 15 anos,  convive e é diretamente afetado por todo esse processo de ruptura, demonstrando um misto de revolta e negação pela figura paterna. Num fim de semana, diz à família que vai viajar junto com um amigo. Não retorna como programado e seus pais, apavorados, descobrem que na verdade fugiu. Mais absurdo ainda, num cavalo. A partir desse momento o filme se transforma de drama familiar para um road-movie, com Théo se embrenhando pelas estradas do interior do país, catando e recolhendo desesperadamente pistas do paradeiro do seu filho.

Originalmente se chamaria “A Cadeira do Pai”, creio que seria um título melhor, mais poético, menos impessoal e inodoro que “A Busca”. O roteiro, assinado pela experimentada Elena Soárez, é frouxo, fraco e a sucessão de situações que apresentam soam por demais inverossímeis, não passando credibilidade e nem realismo. A montagem também não ajuda a dar uma melhor dinâmica ao fraco roteiro.

Se o filme não pode ser considerado um fracasso artístico, a dupla de protagonista tem grande influência nisso. Wagner Moura, sempre competente, daqueles atores que prendem a atenção do espectador e Mariana Lima, que com sua habitual visceralidade em tudo que faz consegue dar uma vida a seu personagem, que poucas atrizes de sua geração conseguiriam. Quanto ao adolescente Brás Antunes, por mais cruel que possa parecer escrever isso, mas a verdade que pelo que vimos no filme, tem absoluta falta de carisma e empatia. A seleção de atores mirins e adolescentes ainda é um problema no cinema nacional.

A Busca” é um filme mediano, buscando alcançar um público também  mediano. Não incomoda, mas não faria a menor falta se nunca tivesse sido feito.


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