A Proibição de “Noel Rosa, Uma Biografia”


 

 

Ancelmo Gois, publicou nesta semana em sua coluna no jornal “O Globo”:

Um despacho, estes dias, do juiz federal Bruno César Bandeira Apolinário pode abrir caminho para uma possível reedição do livro “Noel Rosa, uma biografia”, de João Máximo e Carlos Didier, lançado em 1990, pela Editora UnB.
Durante uns 20 anos, o livro ficou proibido por causa de um processo movido por herdeiras do grande compositor de Vila Isabel.

Posso me gabar de ser um felizardo proprietário de um exemplar de “Noel Rosa, uma Biografia”, comprado na época do seu lançamento(lá se vão 23 anos), embora com visíveis marcas do tempo, páginas já amareladas e pigmentadas. Mas não desfaço dele por nada, inclusive é considerado uma raridade, a ponto que pode ser encontrado em sebos e em sites tipo “Mercado Livre” por preços que podem chegar a R$ 500,00.

Meu exemplar, minha relíquia: Até empresto, mas não vendo e não dou

A possível liberação é uma excelente notícia(apesar de ver meu patrimônio pessoal ser desvalorizado). O livro, na verdade quase um tijolaço, trata-se do mais completo estudo feito sobre Noel Rosa, um trabalho extremamente detalhista, repleto de fotos, partituras, ilustrações da época, cartas. Um trabalho perfeito não só no texto, mas também de iconografia, de um artista que para muitos foi o maior compositor brasileiro de todos os tempos, com uma vida breve(morreu com 27 anos), mas muita intensa e tão profícua quanto poucas nesse mundo.

A liberação vem num momento que tanto se discute a questão dos direitos dos herdeiros sobre a obra de grandes artistas, inibindo e dificultando uma maior circulação de obras de grandes figuras da arte nacional. Um assunto bastante polêmico nos meios artísticos, acadêmicos e jurídicos. No caso de Noel, tal proibição soa um tanto absurdo, até se levarmos em conta que morreu a mais de 75 anos e suas músicas já entraram em domínio público. O direito sobre sua obra, após sua morte, ficou com sua esposa Lindaura, falecida em 2001. Após a morte de Lindaura, duas sobrinhas de Noel reinvidicaram a herança, alegando que ele nunca foi casado com Lindaura e seriam elas as verdadeiras herdeiras. Ambas conseguiram a proibição da reedição do livro.

Numa entrevista concedida a “Revista de História”, em 2010, João Máximo, um dos autores do livro, comentou a proibição vigente:

São duas sobrinhas, filhas do Hélio Rosa, irmão de Noel. Elas implicaram com várias coisas, como o suicídio [do pai de Noel], e até com o casamento dele com Lindaura, que parece que dificulta provar que são únicas herdeiras… Já nos processaram algumas vezes e perderam todas.

Outro problema é que os autores não se dão mais, não têm mais uma relação de amizade. Mas não houve briga, não somos inimigos, só não temos mais a relação de amizade que permita a gente sentar pra rever o livro. Por computador eu não faço livro com ninguém. Por isso tudo eu acho que o livro não sai mais.


Palpites para este texto:

  1. Paulo Roberto Penedo Amaral -

    Eu tenho essa relíquia. Não vendo por preço nenhum.

  2. Eu também, Paulo. O meu vai entrar até no meu inventário quando eu morrer. rsrs

  3. Quem pode pode quem não pode bate palma, eu tenho o livro e não vendo por nada! Musica e minha alma e Noel e o boemio original.

  4. Eu tenho um exemplar dessa Obra, autografada por João Máximo… Não vendo por valor algum…

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