A Saga por Uma Casquinha de Morango


 

 

Essa pequena crônica abaixo, escrita por mim, foi publicada no dia 11 de janeiro na coluna “Panorama Carioca” do jornalista Gilberto Scofield em “O Globo“, cujo texto original pode ser lido AQUI, aonde conta minha (real) travessia no deserto juntamente com Bibi, em busca de uma mera casquinha de sorvete numa manhã de verão carioca e que agora reproduzo:

A Saga por uma Casquinha de Morango

No sábado, em que na véspera o Rio havia marcado 6 dos 10 maiores registros de temperatura do planeta, Bibi, minha filha de 5 anos pediu para tomar uma casquinha de morango. Eram 10 horas da manhã e saímos para atender seu desejo.
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Morador do Leblon, entrei na La Basque, que estava vazia e perguntei:  –Vocês tem casquinha de morango? De forma ríspida ouvi a resposta: – Tem que comprar a ficha primeiro. Bem, não foi a pergunta que fiz e pela forma ríspida e grosseira saí com minha filha da loja. Vai ver ela pensou que ia pegar o sorvete e sair correndo com Bibi.
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Passei pela Vecchi, nova sorveteria da moda entre  povo chique do Leblon. Eram umas 10:20 e estava fechada.

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O sol se mantinha à pino e nós já suávamos descomunalmente. Caminho em direção à Sorveteria Itália, no final do Leblon. Fechada. O horário da Itália é 10:00, mas já sei que ela costuma abrir lá pelas 10:30.
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Nessa altura, minha filha já se contentava com um mero picolé de morango ou mesmo limão. Fui para a Padaria Rio-Lisboa. Bem em frente à geladeira do sorvetes colocaram uma mesa, aonde uma família tomava café da manhã(fato normal na Rio-Lisboa). Fiquei sem graça de pedir licença para chegar na geladeira e ainda abrir a geladeira em cima deles. Fui ao caixa e pedi se poderiam me arrumar um picolé. A caixa antes de responder pegou o dinheiro da minha mão, registrou a compra e mandou eu abrir a geladeira e pegar. Falei sobre a impossibilidade de fazer tal coisa e ela disse que eu solicitasse a algum funcionário para pegar para mim. Só que não tinha nenhum funcionário disponível. Não sei se o calor insuportável me deixou irritado mas pedi que me devolvesse o dinheiro e fui embora novamente.
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Seguia pelas ruas do Leblon com Bibi, ambos pingando e ela chorando que eu tinha prometido a casquinha.
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Como já eram 11 horas, achei que finalmente a Itália e a Vecchi já estariam abertas. Ledo engano, ambas mantinham as portas cerradas, sendo que a Itália com uma pequena abertura. Sábado de sol e eu não conseguia comprar um simples sorvete.
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Pego o rumo de minha casa, ambos desiludidos. Entro na minha rua e tal como a miragem de um oásis  vejo a 100 metros de distância uma carrocinha da Kibon parada exatamente em frente da minha portaria. Não acreditava, eu e Bibi emocionados nos abraçávamos, tal como 2 fugitivos perdidos no meio do Saara suplicando por água, era o fim do nosso suplício.
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Quase rastejando, ali a já 50 metros a carrocinha se aproximava cada vez mais do meu campo visual quando o vendedor vira-se de costas e começa a se deslocar com a carrocinha na direção contrária. Já em situação de desespero, peguei minha filha no colo e saí como um louco correndo atrás do nosso objeto de desejo, diante de um assustado vendedor vendo 2 miseráveis depois de 1 hora de busca infrutífera.


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