Crítica: A Velha e Boa Majórica de Sempre


 

 

Passei anos sem entrar na Majórica, mas bastou ela ter sido arrasada por um incêndio em janeiro último, que a simples possibilidade de perdê-la para sempre me deu uma vontade enorme de saborear suas carnes. Nas últimas semanas estive por lá 3 vezes para sentir novamente o gosto da minha infância, adolescência e juventude. Estive 2 vezes na Majórica de Petrópolis e 1 na do Flamengo.

O ambiente continua o mesmo, nada de luxo ou modernismo, tudo é rústico, repleto de quadros de gosto duvidoso e no ar rola aquele cheirinho indescritível de que se está numa autêntica e verdadeira churrascaria, nada desse papo moderninho de “steak house”. É c-h-u-r-r-a-s-c-a-r-i-a mesmo, com todas as letras! A Majórica é um ponto tradicional e importante para os aficionados por um belo churrasco, para mim ela está para o Rio, como a “La Estância” está para Buenos Aires, quando estou numa, penso logo na outra. No Rio os garçons são da velha guarda, já em Petrópolis a mescla é maior, mas na minha opinião os de Petrópolis são mais simpáticos e atenciosos que os do Rio.

É nesse ambiente que reminiscências de diferentes épocas de minha vida me vêm à mente. Na de Petrópolis a lembrança mais viva era dos almoços de domingo com meu pai e com minhas irmãs bem pequenas. No Rio me lembro de quando trabalhava em cinema e depois de um longo e cansativo dia de filmagem íamos matar nossa fome de leão caindo de boca naquelas carnes maravilhosas.

A Majórica começou sua história no final dos anos 50 em Nova Friburgo pelo espanhol Francisco Bou Villalonga que em 1961 estendeu sua franquia para Petrópolis e para o Rio. Possuem administrações distintas, embora haja sócios em comum. Na prática, a diferença entre a Majórica carioca e a petropolitana é mínima, o cardápio e a qualidade das carnes são bastante parecidas. Há pontuais diferenças: Em Petrópolis a guarnição está incluída junto com a carne(farofa de ovo, arroz e batata souffle), enquanto no Rio tem que pedir cada item por fora, o que acaba deixando um o preço um pouco mais caro, sendo que em Petrópolis 1 guarnição é mais que suficiente para 2 pessoas.

A linguiça de entrada de ambas continua um espetáculo, diria que chega a ser melhor que a linguiça do Braseiro da Gávea. Enquanto almoçava em Petrópolis o senhor sentado na mesa atrás de mim conseguiu arrancar do garçom a procedência(Perdigão Golden). A picanha permanece divina e farta. Diz a Adriana que seu ½ frango na brasa é o melhor que ela já comeu(iguala ao pollo do La Cabrera de Buenos Aires). Sem mencionar que a farofinha de ovo vem molhadinha, uma delícia!

Quando ia na Majórica do Flamengo, há milênios, costumava parar o carro no estacionamento em frente. Passados tantos anos o tal estacionamento virou um prédio. Tinha lido que havia valet. Fui chegando e não avistava valet nenhum, o que me deixou preocupado sobre onde parar o carro naqueles arredores. Mas tem valet sim, ele fica escondidinho bem no hall de entrada do restaurante. É complicado parar o carro para entrega-lo ao valet em plena rua Senador Vergueiro, que já é uma rua estreita, movimentada e cheia de ônibus. Mas como era domingo foi mais simples. Já em Petrópolis não tem serviço de valet e creio que nem teriam como fazer porque parar no centro de Petrópolis é tarefa impossível. Eu aconselho a parar o carro num dos vários estacionamentos que existem na rua de trás, na rua 16 de março.

Outro conselho, para quem não gosta de fila em restaurante(EU ODEIO COM TODAS AS MINHAS FORÇAS FICAR EM FILA DE RESTAURANTE) nos sábados e domingos ambas enchem cedo e o lugar da fila não é nem um pouco confortável. Cheguei no Flamengo às 12:30 de um domingo e às 12:45 já havia fila. Saiu até briga na fila.

Tudo vale a pena para se saborear uma das melhores e mais tradicionais carnes do Rio de Janeiro.

Majórica Petrópolis: Rua do Imperador 754, Centro. Telefone: (24) 2242-2498
Majórica Rio: Rua Senador Vergueiro 11, Flamengo. Telefone(21) 2205-6820


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