Aqui é Meu Lugar


 

Cotação: Bom.

Filmes como “Il Divo”, “O Amigo da Família” e “Consequências do Amor”, transformaram Paolo Sorrentino como o mais importante nome do novo cinema italiano, ao lado de Matteo Garrone. Dessa vez ele traz esse interessante, original e porque não dizer, inusitado filme “Aqui é Meu Lugar”. Embora alguém menos afeito aos detalhes cinematográficos não perceba, o filme não é uma produção americana, trata-se de uma produção italiana, porém toda rodada em inglês, com locações na Irlanda e Estados Unidos e com atores tipicamente americanos, como Sean Penn e Frances McDormand. Sem contar que Paolo Sorrentino fala inglês mal e porcamente e nunca havia ido aos Estado Unidos.

Mas já que falamos em inusitado, nesse quesito nada supera o personagem de Sean Penn, Cheyenne, um roqueiro afastado do mundo artístico há mais de 20 anos e que vive recluso em Dublin numa linda mansão com sua mulher(vivida por McDormand). Leva uma vida vazia e tediosa, cheio de fobias, com um visual pra lá de bizarro, fala mole e totalmente sequelado. Sean Penn acabou por compor um clown triste que em certas horas nos remete a Ozzy Osbornne, em outras a Robert Smith(do The Cure).

Ao receber a notícia que seu pai, com quem não fala há 30 anos, está em vias de falecer, Cheyenne deixa seu casulo e retorna aos Estados Unidos. Mas para não encarar sua fobia de avião, faz a viagem de navio, o que acaba com que não chegue aos Estados Unidos a tempo de encontrar seu pai com vida. Após vasculhar as reminiscências da memória paterna resolve fazer um acerto de contas com o passado do seu pai, que foi humilhado num campo de concentração por um nazista durante a 2ª Guerra e que vive nos Estados Unidos há décadas. A partir desse momento o filme se transforma num road-movie, aonde Cheyenne parte numa viagem pelo interior dos Estados Unidos em busca do homem responsável pelo sofrimento do seu pai e que acaba se transformando também numa viagem de auto-conhecimento, de busca de sua essência e da busca por uma forma de reconciliação com o seu pai.

É nesse momento de busca que paradoxalmente que o filme fica mais superficial, não conseguindo o cineasta o aprofundamento que o momento requer e aonde o filme acaba ficando menos interessante. Mesmo se Sorrentino não consegue levar o filme ao êxito cinematográfico, ainda assim merece ser visto, principalmente por Sean Penn. Ele é a alma do filme! Ele é o filme!

A se destacar também a participação de David Byrne, cuja música sua “This Must be the Place”, acaba por dar nome ao filme.

 


Palpites para este texto:

  1. Pára tudo! meu irmao fazendo referência ao THE CURE?! hahahahaha nao achei que fosse viver para ouvir (ler) isso !

    Tava com vontade de ver esse filme desde que vi o Trailer, agora fiquei com mais vontade ainda!

  2. hahahahaha Ana Beatriz, o fato de não gostar não quer dizer que eu não conheça. Até porque para minha geração era impossível não conhecer The Cure, apesar de nunca ter sido apreciador.

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