As lembranças deixadas por David Carr pelo olhar de sua filha


 

Por Adriana Mello.

Durante meu voo de retorno de uma curta viagem de férias, lendo a edição americana da revista Glamour tive a grata surpresa de me deparar com um belíssimo texto de Erin Lee Carr, filha do jornalista David Carr, sobre a repentina e inesperada morte de seu pai, encontrado já em estado de inconsciência em 12 de fevereiro de 2015 em sua sala na redação do “The New York Times”. O texto original pode ser lido AQUI.

Algumas horas antes de falecer, Carr participou, como moderador, de um painel sobre o documentário “Citizenfour”; sobre o escândalo envolvendo a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA). No debate estavam presentes: Laura Poitras (diretora do documentário), Glenn Greenwald e o próprio Edward Snowden (através de vídeo conferência). O evento organizado pelo “The New York Times” foi transmitido ao vivo pela internet e repercutiu bastante nas redes sociais. Carr aparentava estar bem, disposto e muito bem-humorado durante o painel, talvez por essa razão a notícia de sua morte tenha sido recebida com enorme surpresa e incredulidade.

David Carr era conhecido por sua coluna “Media Equation” onde escrevia sobre os “meios de comunicação” e sua interseção com os negócios, a cultura e o governo

Em Julho de 2012 tive a oportunidade de assistir a uma palestra de David Carr em São Paulo no Congresso da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e foi uma experiência muito enriquecedora. De maneira brilhante, o jornalista falou sobre o documentário “Page One” e a rotina da redação do “The New York Times”.

Em 2014, David Carr foi o grande nome da FLIP (Feira Literária Internacional de Paraty). Durante o evento, Carr falou sobre o seu livro “A Noite da Arma” lançado em 2008 e publicado no Brasil em 2012. Na obra, Carr relata a própria a vida, seu vício em drogas pesadas, seu envolvimento com traficantes, suas inúmeras tentativas de reabilitação e finalmente sua libertação. Na Flip, o americano contou que narrar a própria história não foi diferente das outras reportagens já escritas por ele. A única diferença é que o livro era uma reportagem sobre ele.

Mas voltando ao tema principal desse post, o texto de Erin Lee Carr é arrebatador! A documentarista foi a última pessoa da família a ver o pai vivo.

Um dos pontos altos do texto de Erin é quando ela relata o momento em que chegou ao hospital e soube da morte do seu pai. Erin conta que mal teve tempo de assimilar o impacto, pois alguém descobriu e rapidamente publicou a notícia do twitter. Ela e sua madrasta tiveram que correr, já que até então algumas pessoas da família ainda não sabiam da notícia. Em seu texto, Erin Lee Carr conta que sentiu muita, mas muita raiva de ter um momento tão íntimo e tão doloroso exposto antes mesmo que ela conseguisse sequer entender o que estava se passando. Mas ela própria conta, quase que em um tom de pedido de desculpas, que é no Twitter onde encontra conforto quando a saudade aperta.

 Impossível não se emocionar e ficar profundamente tocada com as palavras de uma filha que além de perder seu pai de maneira abrupta, perdeu seu mentor.


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