Botequim Cultural em SP: Os Impressionistas no CCBB


 


A paixão que tenho pelos pintores impressionistas foi um dos principais motivos que me levaram a passar essa temporada paulistana, mesmo sabendo que eles virão em breve para o Rio. Mas por incrível que pareça, pareceu-me mais fácil ir a São Paulo para ver a exposição “Impressionismo: Paris e Modernidade, Obras-Primas do Acervo do Museu d’Orsay” do que esperar sua chegada em minha cidade aonde ficarão expostos igualmente no Centro Cultural Banco do Brasil.

 

Tinha visto matérias falando das filas colossais tanto para essa exposição, quanto para a de Caravaggio no Masp(do qual também tratarei nos próximos dias). O taxi me deixou próximo da Catedral da Praça da Sé, até porque o motorista não sabia aonde ficava a rua Álvares Penteado, que é a rua do Centro Cultural Banco do Brasil, bem no centrão de São Paulo. E lá fomos eu e Adriana com toda a pinta de turistas com um mapa na mão pelas ruas do Centro antigo. A fila realmente era de respeito, mas dava para encarar, no olhometro parecia-me uma fila de aproximadamente 1h. Uma das diferenças nos Centros Culturais Banco do Brasil e São Paulo e Rio de Janeiro, é que a do Rio por ser mais ampla, a fila costuma ficar dentro do próprio Centro, em São Paulo ficamos debaixo do forte sol que assolava a capital paulistana. Podia ser pior, já pensaram se fosse um dia chuvoso? Levamos 1h e 20m para adentrar a sede do CCBB.

Lá estavam Renoir, Monet, Manet, Boldini, Sisley, Tolousse-Lautrec, Gaugin em 85 obras transbordando a inovação e o pioneirismo de uma geração de artistas que conviveu com o início da popularização e do deslumbramento de uma sociedade com a arte fotográfica e soube responder essa percepção do olhar utilizando o  contraste e o estudo das sombras coloridas. Se a fotografia registrava a realidade, os impressionistas se reinventaram como pintores aproveitando-se da vantagem que tinham sobre o engenhoso invento da câmera fotográfica: a reprodução das cores, identificando os tons puros que combinados à retina ajudavam a formar outros matizes. Utilizavam poucas cores para paradoxalmente criarem cenários ricamente coloridos quando vistos a uma certa distância. Fizeram como ninguém jamais tinha feito um registro único da luz. Outro aspecto que salta aos olhos, ainda mais depois de no dia seguinte ter ido ver Caravaggio, é o estilo, principalmente na pincelada mais livre e liberta, em que na sucessão das manchas formam o todo, isso fica muito evidente principalmente em Cezánne.

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Entre as obras expostas a que mais me despertou a atenção e tempo diante da tela foi a “Estação de Saint Lazare”, obra produzida por Monet em 1877, aonde pode-se notar o aproveitamento de todos os efeitos visuais numa cena banal de uma típica estação de trem, combinando esses elementos visuais, tais como os raios luminosos que atravessam o telhado de vidro da estação, uma estrutura feita integralmente de ferro e vidro, símbolo de uma nova arquitetura vigente, assim como a fumaça expelida pelo trem a vapor. Monet coloca-se em posição próxima, diferente do que era o habitual do estilo clássico, utilizando-se de um recorte mais detalhado. Não me recordo de tê-la visto na grande exposição de Monet realizada uma década atrás no Museu Nacional de Belas Artes do Rio. Assim como as obras de Renoir igualmente me atraíram, mais especificamente “Meninas ao Piano” e Degas com “Bailarinas Subindo a Escada”.

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Sempre saúdo o Banco do Brasil por manterem espaços tão fundamentais e por serem fomentadores da cultura através dos seus CCBBs, ainda mais por trazer uma exposição desse quilate e com entrada franca. Tal como o do Rio, o CCBB de São Paulo fica num belo prédio de estilo neo-clássico, mas o de São Paulo é mais exprimidinho, mais difícil a locomoção e circulação no interior do prédio.

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Pois é, apesar de minha paixão pelos impressionistas e mais especificamente por Renoir e Cézanne, a exposição, ao contrário de minhas expectativas, não me emocionou. As conclusões que tiro para isso é que fiquei com a sensação que o CCBB não era o espaço físico ideal para a importância e o valor artístico dessa exposição, diante de um público gigantesco. Os espaços eram pequenos, aonde tive que disputar com inúmeras pessoas o melhor posicionamento para visualizar cada quadro. Anda-se pelo CCBB como num labirinto, seguindo setas pelo chão, entrando e saindo por diversas passagens e portas, subindo e descendo escadas, acabou ficando um pouco confuso. Acho que essa exposição no CCBB do Rio de Janeiro ficará mais organizada e com melhor circulação, isso em virtude de um melhor espaço físico e divisão das salas, que na filial carioca é superior a paulista. Mas ressaltando mais uma vez, que louvo de qualquer maneira a mostra realizada em São Paulo.


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