Crítica: Priscilla, a Rainha do Deserto no Teatro


 

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Na primeira vez que assisti um musical na Broadway, lá se vão quase 20 anos, fiquei pensando no porquê que jamais veria espetáculos com aquele grau de excelência no Brasil. Não havia no Brasil dinheiro, atores e nem teatros com a capacidade para se fazer algo parecido no Brasil. O tempo passou e as coisas mudaram radicalmente no Brasil nesses 20 anos.

Hoje a situação econômica do Brasil é outra, existe toda uma geração de atores-cantores que não existia no Brasil formando praticamente um pequeno star-system nacional, assim como hoje temos mais teatros(ainda não suficiente) com capacidade para esse tipo de apresentação. Os musicais da Broadway(ou estilo Broadway) ganharam viabilidade econômica e técnica, criou-se uma indústria, graças a empresas como a Geo e a Aventura Entretenimentos e a diretores como Charles Möeller e Claudio Botelho. Hoje em dia esse gênero está permanentemente em cartaz em teatros do Rio e de São Paulo.

Priscilla, a Rainha do Deserto”, em cartaz no Teatro Bradesco, em São Paulo é um típico exemplo do know-how adquirido nos últimos anos. Dirigido por Tânia Nardini, é daqueles espetáculos tecnicamente perfeitos. Quando comprei minhas entradas daqui do Rio, via internet, chiei muito o valor que paguei pelas 2 entradas. Saiu mais caro que paguei por 2 passagens de ida e volta Rio/São Paulo. Mas ao ver a peça deu para entender o valor alto da entrada. Embora seja um teatro enorme, com 1500 lugares, é a típica peça que não se paga apenas com o valor dos ingressos, devido a sua sofisticação, elenco numeroso e cenários grandiosos. Essa grandiosidade acaba por outro lado sendo um elemento limitador, pois inviabiliza sua ida a outras cidades(tecnicamente e financeiramente), limitando-a apenas aos palcos paulistas. Em que outro teatro vão conseguir colocar um ônibus no palco? Acho até que caberia no Oi Casa Grande.

O teatro Bradesco é lindo, enorme, uma acústica perfeita, bem cuidado, uma boca de cena grandiosa(a ponto de ter um ônibus no meio do palco), um pé direito gigantesco e funcionários gentis. Extremamente luxuoso, vendiam até taça de prosecco no lobby. Mas deixando de lado essas frivolidades(falo do prosecco), fiquei impressionadíssimo com o teatro. Assim como impressionadíssimo fiquei com o valor do taxi que paguei para chegar até ele. Hospedado no Morumbi, praticamente atravessei a cidade inteira para chegar nele. Foram R$ 70,00 de ida e outros R$ 70,00 na volta.
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Adriana e eu no Teatro Bradesco

 

O musical é uma adaptação do filme homônimo de 1994. A peça estreou em Sidney em 2006 e chegou na Broadway no ano passado. Com 27 atores em cena, o fio condutor da sua história é bem simples(e nem precisava ser complexa),conta a história de 3 drag queens que saem de Sidney para fazer um espetáculo numa cidade localizada no meio do deserto australiano. Durante a conturbada viagem, as 3 drags(Mitzi, Felicia e Bernardette), vivem aventuras, desgostos e provações, mas tudo isso com muitas plumas, paetês, aonde qualquer situação serve de pretexto para a introdução de músicas dos anos 70/80, como “I Will Survive”, “It’s Rainning Man”, “Material Girl”, “Go West”, “I Say a Little Prayer” e até “Dancing Days”.

No enorme elenco nenhum nome estrelar, porém de altíssima qualidade. O trio principal é formado por Luciano Andrey, Ruben Gabira, André Torquato, mas todo o elenco coadjuvante é excelente e está permanentemente em cena. A direção musical igualmente impecável, com uma bela orquestra postada com afinco no fosso do teatro. Cenários e figurinos luxuosos e riquíssimos. Ou seja, um musical com padrão Broadway.

Quem for de São Paulo, ou de passagem pela cidade, recomendo “Priscilla, a Rainha do Deserto”, que certamente lhe proporcionará um espetáculo como um dia lá atrás, imaginei que jamais o Brasil seria capaz de montar.


Palpites para este texto:

  1. O que mais me chamou a atenção foi o comportamento dos paulistas. Eles nem respiram no teatro! Aqui no Rio cada vez que tocasse o hit desses, o teatro viraria uma festa. Eu AMEI a peça! Nunca vi nada igual produzido aqui no Brasil, mas acho que faltou animação da plateia. Eu não parei de dançar na minha poltrona.

    • Dri, aqui em Sampa nós somos quietinhos mesmo, mas na verdade estas peças são mais pra turistas mesmo, normalmente o pessoal chega de van e ônibus.

      Renato realmente vc estava do outro lado da cidade.

      O que vc esqueceu de citar é que só dá pra ir a este teatro em tempo seco, qualquer chuva a rua alaga completamente. Espero que não tenham ido em dia de jogo do palmeiras e que bom que não foram de carro, l[a tem muito assalto.

      Eu morei exatamente naquela rua!

      • Não fomos em dia de jogo do Palmeiras, até poruqe o Parque antártica está em reforma, Renata. Mas realmente deve ser uma loucura em dia do Palmeiras. Quanto a assaltos, nós fomos de taxi e paramos na porta e o mesmo ocorreu na saída, então creio que corremos poucos riscos. Mas te confesso que fiquei meio cismado com o taxista que peguei na saída do teatro, mas chegamos bem em casa.

    • Se nem respiram com Priscilla, que é super animado, imagino vendo Shakspeare.

  2. Renata – Fiquei impressionadíssima! Aqui no Rio teria virado uma boite fácil! Tive que me controlar para não sair dançando em vários momentos. Ainda bem que não choveu, né? O teatro era bem longe! Agora quero assistir a “A Família Addams”.

    Renato – Tenho certeza que em Shakespeare eles nem piscam!

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