Botequim na Copa: Arqueros Argentinos


 
da Esq p/ dir: Tesorieri, Carrizo, Ortiz e Fillol

da Esq p/ dir: Tesorieri, Carrizo, Ortiz e Fillol.

Durante muitas décadas, houve uma grande escola de goleiros no futebol, na minha opinião, a melhor de todas: a escola argentina. Utilizo o verbo no passado porque essa escola fechou suas portas no dia 13 de junho de 1990 aos 12 minutos do 2º tempo do jogo entre Argentina X União Soviética, no momento em que Nery Pumpido fraturou sua perna e foi substituído por Sérgio Goycochea, o Goyco, a partir daí, o que vimos foi uma sucessão de goleiros argentinos que jamais conseguiram se firmar e manter essa tradição.

Carrizo

Carrizo

Podemos dizer que essa escola teve seu início na década de 20, época em que brilhou Américo Tesorieri, mas seu apogeu ocorreu na década de 50, quando reinou no arco argentino Amadeo Raúl Carrizo, que muitos consideram como o maior goleiro da história do futebol sul-americano. Carrizo chamava a atenção por sua técnica elegante, sua habilidade por antecipar o pensamento do atacante, sair do gol como um artista e foi um dos primeiros a saber sair jogando(já que antes os goleiros se limitavam a colocar a bola em jogo dando chutões para o alto) e com isso iniciar os contra-ataques.

O escritor argentino José Pablo Feimann, tem uma teoria sobre a razão dessa decadência, por sinal, relacionada com Carrizo:

Os arqueros argentinos se dividem em duas categorias de gerações. 1) Os que viram jogar Amadeo Carrizo, os que ficavam atrás do alambrado e observavam o mestre com devoção e claro, aprendiam. 2) Os que não viram agarrar Carrizo e acabaram com a tradição”. Feimann completa seu raciocínio: “Entre os arqueros que aprenderam com Carrizo estão os da geração em torno da década de 60, geração de grandes arqueros. Nestor Errea, Poletti, “el Loco” Gatti, “el Gato” Andrada, Buttice, Augustín Irusta, José Miguel Marin e Augustín Cejas. Logo em seguida Fillol prolongou a tradição e a partir daí cortou-se. Os arqueros de hoje não sabem bloquear um atacante quando vem com a bola dominada: saem pedindo clemência, não antecipam, não põem o corpo atrás das mãos. Não dominam a área. Não saem para cortar os cruzamentos. Não sabem que a bola na pequena área é do arquero, sem desculpas”.

Creio que Feimann tem uma boa dose de razão em sua tese. Os goleiros argentinos sempre chamaram atenção por saberem sair do gol como poucos, serem absolutamente econômicos nas defesas, sem a necessidade de saltos acrobáticos. Hugo Gatti costuma dizer que um goleiro não precisa voar: se conhece os segredos do seu posto, sempre estará colocado aonde chega a bola. Nesse aspecto, Fillol foi um virtuoso. Não me recordo de vê-lo fazer uma grande ponte, de voar numa bola, mas chegava em todas com extrema serenidade.

Pumpido foi o último bom goleiro argentino que vi, apesar daquele frango clamoroso contra Camarões em 90. Quando Goycochea o substituiu, não acreditava no que via, pela primeira vez presenciava a um goleiro argentino que não sabia sair do gol, aliás, cabe ressaltar: Goycochea quando saía do gol, parecia mais um caçador de borboletas. Minha opinião sobre Goycochea coincide com a de Feimann, que o considera um dos piores goleiros da história do futebol argentino. Desde essa fatídica data de 13 de junho de 1990, nunca mais um goleiro conseguiu se firmar diante dos 3 paus de uma seleção argentina, confesso que depositei expectativas em Roa e Abbondanzieri, mas não passaram de vãs esperanças.

Agora chegou a hora de Sérgio Romero mostrar se é digno dessa tradição, na esperança de podermos ver novamente um grande arquero argentino em ação. Mas sinceramente, creio que ainda não vai ser dessa vez.


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