Crítica: Brigite’s


 

Aberto há cerca de 1 ano, o “Brigite’s” é a casa mais nova de Ana Carolina Gayoso e Marina Hirsch, que transformaram a esquina da famosa rua Dias Ferreira com a Rua Rainha Guilhermina quase que num triângulo das Bermudas gastronômico da dupla, que já conta com o “Sushi Leblon” bem em frente dali e o “Zuka” colado ao “Brigite’s”.

O “Brigite’s” parece não ser mais um desses restaurantes da moda e de vida efêmera, dando a impressão que veio para ficar, como pude verificar nesta semana. Em plena 3ª feira, liguei para fazer uma reserva, informaram-me que às 8 da noite era o último horário de reserva, com tolerância máxima de 15 minutos. Como eu tinha planos de só aparecer pelas 9 da noite, tive que mudar meu cronograma. Chegando pontualmente no horário estipulado, pude entender o porquê das restrições e a casa já estava bem cheia. Às 20:40  já tinha fila de espera.

O ambiente é bonito, clean, decorado com paredes de tijolinhos branco criando uma atmosfera agradável. Um extenso e simpático bar logo na entrada, algumas mesas em frente ao bar e um mezanino. Não é muito grande. Ameaçaram-me colocar nessas mesas da entrada, o que não me agradaria, porque me incomoda muito essas mesas pequenas coladas na do lado, em que você fica praticamente dentro da mesa alheia e vice-versa, perde-se totalmente a privacidade. Exemplo notório disso é o “CT Boucherie”, localizado no baixo Dias Ferreira.

Levaram-me para o mezanino onde tinha 2 opções de mesa, uma que novamente estaria colada na do vizinho e uma mais central, menos colada. Fiquei nessa última. Havia um grande número de garçons à disposição para servir para nem tantas mesas assim, o que é positivo e o serviço acaba fluindo rápido, sem termos a necessidade de fazer piruetas ou levantar os braços para sermos vistos.

O cardápio, bilíngue, foi criado por Ludmila Soiero. Faz sentido ser bilíngue porque realmente havia um percentual considerável de estrangeiros na casa. Não era extenso, mas era variado, com opções de massas, peixes, frutos do mar, carnes e aves. A Adriana pediu um Caipisaquê de morango e quanto a mim, fui de Coca Zero mesmo, quem lê esse blog sabe que não curto bebida alcoólica, então não esperem comentários sobre a carta de vinhos.

O couvert era tradicional, sem nada de especial, 2 pãezinhos, algumas torradas, pasta, azeitona, azeite. De entrada pedimos uma porção de Lulas e abobrinhas crocantes. Como prato principal a Adriana pediu Camarão VG crocantes, enquanto eu me decidia entre o magret de pato ao vinho do porto(com envidias grelhadas e purê de inhame) ou o bife ancho(com azeite, ervas de panko, aspargos e shitake). Optei pelo bife ancho.

As lulas e abobrinhas crocantes estavam muito gostosas, foram um bom aperitivo para abrir os serviços. O camarão da Adriana estava com uma aparência excelente e suculenta. Segundo sua opinião estava mesmo ótimo. Havia uma crosta em volta que davam um ar ainda mais apetitoso, lembrando o modo de preparo do camarão que a casa do outro lado da parede, o “Zuka”, faz. Como acompanhamento veio sauté de favas e pupunha. Já o meu bife ancho estava perfeito, ponto certinho, ligeiramente mal passado e bastante macio. Os pratos tem um bom tamanho, não são muito fartos, mas suficientes. Sabem como é, fartura não combina com restaurante chique…fazer o que?

De sobremesa fui no tiramisu e a Adriana no creme brulê de brigadeiro. Normal, nada do outro mundo.

A conta veio dentro do que eu previa, paguei R$ 280,00. Na hora achei normal, mas hoje lendo um artigo que o Zeca Camargo escreveu para a “Folha de São Paulo”, refleti um pouco e concordei com ele que realmente, estamos pagando muito caro nessa relação custo X benefício, com a maior naturalidade achando tudo ótimo, enquanto um nova-iorquino paga U$ 75,00 por pessoa para jantar fora na expectativa de algo mais elaborado do que um magret, enquanto aqui pagamos mais do que isso  para comermos genéricos de comida sofisticada. Ainda bem que a Adriana desistiu de pedir lagosta.

Mas apesar dessas ressalvas, o “Brigite’s” é uma ótima opção de um bom jantar num ambiente agradável e gostoso. Na saída, fila para todos os lados, no “Brigite’s”,no “Zuka” e no “Sushi Leblon”. Naquela região da Dias Ferreira só dá Ana Carolina Gayoso e Marina Hirsch.

Brigite’s – Rua Dias Ferreira 247-A – Leblon

Tel: 2274-5590


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