Congresso da ABRAJI: Diário de Bordo – Parte 2


 

Por Adriana Mello.

Quem não me conhece vai pensar: “que menina mais avoada!”. Mas quem me conhece sabe o quanto sou mesmo desligada.  Cheguei na PUC pronta para assistir a palestra de Andrew Jennings, jornalista escocês, conhecido por sua típica ironia britânica e seu sarcasmo, mas acima de tudo um dos críticos mais ferrenhos da Fifa, CBF, Ricardo Teixeira, João Havelange, Joseph Blatter e cia. Obviamente Jennings iria falar sobre a organização da Copa de 2014 no Brasil e achei que seria uma palestra no mínimo interessante.

Ao chegar na PUC, olhei minha programação para checar (pela milésima vez) onde seria a palestra. Dirigi-me até o ginásio e me sentei aguardando a palestra. Logo comecei a ouvir vozes: “Cabrini, tira uma foto comigo?”, “Cabrini, me dá um autógrafo?” Virei para trás e vi Roberto Cabrini (do SBT) se preparando naquele mesmo lugar para uma palestra e dando toda atenção aos seus fãs. Comecei a pensar: “que raios está acontecendo aqui? Cadê o Andrew Jennings?”. Foi quando resolvi perguntar qual palestra aconteceria ali. Fui informada que devido a enorme procura pela palestra de Roberto Cabrini, a organização do evento decidiu transferi-la para no ginásio. Perguntei: “E o Jennings?”. Meu interlocutor fez uma expressão que não tinha a mínima idéia do que eu estava falando. Mandei uma mensagem para o meu marido(nas horas vagas meu editor chefe e dono desse site) contando o que estava acontecendo e ele achou melhor ficar por lá mesmo. Disse que achava que a palestra de Cabrini seria mais interessante. Resolvi ficar. O engraçado é que aparentemente só eu não sabia da mudança de sala, pois ninguém aparentava a menor cara de surpresa.

A palestra de Cabrini teve como foco central a reportagem “Casa dos Esquecidos”, que foi exibida em seu programa, “Conexão Repórter”, com bastante repercussão recentemente.  Na reportagem, Cabrini e sua equipe, denunciam maus tratos a pacientes em um hospital psiquiátrico. As denuncias foram graves e contundentes, tanto que na semana passada essa mesma reportagem recebeu uma indicação ao Prêmio Esso de jornalismo.

Claro que a palestra não se prendeu somente a reportagem. Durante aproximadamente 1 hora, Cabrini falou sobre sua longa e premiada carreira passando pelas principais emissoras do país. Falou também sobre suas reportagens mais marcantes.

Entre outras, destaco algumas de suas afirmações:

Você muda o mundo quando muda a esquina de sua casa”

“Não fazemos jornalismo para máquinas. Fazemos jornalismo para seres humanos”

“O Jornalismo perdeu o romantismo e ganhou a solidão”

“A necessidade do jornalismo não mudou: É preciso ser um grande contador de histórias”

“Estamos diante de uma revolução tecnológica. Cada cidadão se tornou um repórter em potencial”

Roberto Cabrini tem uma enorme presença de palco e sua palestra foi excelente. No fim nem me lembrava quem era Andrew Jennings. Foi sensacional!

No próximo post do meu Diário de Bordo, falarei sobre a palestra de Eduardo Faustini.

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