Crítica: 2 Mais 2


 

 

2 Mais 2” não tem nenhuma relação com o vigoroso cinema argentino contemporâneo. Longe de ser um filme autoral, é basicamente um filme de produtor, neste caso personificado na figura de Adrián Suar. Para quem não está lá muito afeito as coisas da Argentina, Adrián Suar é, ao lado de Marcelo Tinelli, o mais importante produtor da televisão argentina e eventualmente ataca também de ator. Como produtor de cinema, em meio a um monte de bobagens, até que ajudou a viabilizar projetos interessantes como “O Filho da Noiva”, “Luna de Avellaneda” e “El Bonaerense”, mas esse não é o caso de “2 Mais 2”.

É o típico filme em que o produtor manda elaborar um roteiro exatamente como quer, contrata um diretor experiente(Diego Kaplan), se escala no papel principal e convida estrelas da televisão(Julieta Díaz e Carla Peterson) para repartir a cena, tudo com o único intuito de abarrotar os cinemas. Adrián Suar conseguiu atingir seu objetivo, tanto que o filme levou mais de 1 milhão de espectadores aos cinemas argentinos(um número excelente para o tamanho do mercado argentino).

Porém analisando com um olhar mais sensível e artístico, o filme é um fracasso completo. Mas creio que esse aspecto não fazia parte das preocupações de Suar, tanto que o filme até tira um rápido sarro com os críticos.

A história do filme é banal. Diego e Emilia, casal bem sucedido, já na casa dos 45 anos(Suar e Díaz), casados há quase 20 anos se encontra naquele momento de tédio e indiferença conjugal, situação oposta vivida pelo casal de amigos(Juan Minujín e Carla Peterson), que mantém uma relação explicitamente apimentada.  Emilia descobre que os amigos são adeptos do swing e tenta convencer o marido a experimentar a troca de casais como forma de revitalizar a relação de ambos. Mas não será uma tarefa fácil convencer Diego, com seus pudores de macho latino-americano a se entregar a tais experiências eróticas.

Até consegue arrancar alguns risos do espectador e tem situações divertidas, mas a falta de conteúdo e fragilidade do seu argumento só deixam transparecer que o filme não passa de uma encomenda sob medida para a vaidade de Adrián Suar exercitar sua popularidade e seu poder no mundo artístico argentino.


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