Crítica: A Bela Adormecida, o Musical


 

A Bela Adormecida - Foto divulgação

Por Renato Mello.

O teatro de Carla Reis se faz presente no teatro Vanucci, Shopping da Gávea, para uma temporada da sua nova adaptação, “A Bela Adormecida, o Musical”.

Inspirada num dos mais famosos contos de fadas, “A Bela Adormecida, o Musical”, traz a história de uma princesa amaldiçoada por uma bruxa, caindo em sono profundo até que um príncipe encantado a desperte com um beijo de amor. Trata-se de uma história que se propagou pela Europa medieval, principalmente na França e Espanha, através da tradição oral, tendo seu primeiro registro publicado em 1634 e que ganhou pelas mãos tanto de Charles Perraut, quanto dos Irmãos Grimm, suas versões mais difundidas. Versões essas bem mais palatáveis do que as mais ancestrais, repletas de aspectos que beiram a bizarrice, bem diferente do mundo de sonho e magia que Perraut e Grimm eternizaram.

Uma das marcas mais agradáveis dos trabalhos de Carla Reis é a maneira como subverte a história original para criar uma dramaturgia própria e repleta de um humor que já se tornaram sua marca pessoal, transformando essa montagem de “A Bela Adormecida” numa dramaturgia autenticamente sua, ao contrário do que inúmeras vezes ocorre com adaptações de contos de fadas, principalmente aqueles que já passaram pelo crivo dos estúdios Disney.

Carla optou por contar sua história sob o ponto de vista das fadas madrinhas, Zazá, Zezé e Zizi, interpretadas por Giovanna Rangel, Alessandra Reis e Giulianna Farias, que vão conduzindo os desdobramentos da maldição que paira sobre a Princesa Aurora(Fabíola Romano). A escolha acabou sendo muito bem-sucedida, não somente pelo desenvolvimento dramatúrgico dos personagens, mas igualmente pela empatia do trio. A diretora construiu cenas bem elaboradas, com uma dinâmica movimentação em cena, ritmo ágil e bastante alegria.

A Bela Adormecida - Foto divulgação 02

Giovanna Rangel, embora seja uma atriz muito jovem, já traz uma bagagem de bons desempenhos no teatro infantil(recentemente fez uma adorável Branca de Neve, com direção de Leandro Mariz e Sabrina Korgut) e mais uma vez demonstra grande espontaneidade e expressividade. Giulianna Farias, atriz que não conhecia e mostrou-se uma atriz com grande capacidade, inclusive com boa desenvoltura cômica. Alessandra Reis tem uma função mais equilibrada, se responsabilizando por uma eficiente distribuição do jogo cênico, numa atuação bastante madura. Juntas, Giovanna, Alessandra e Guilianna encantam e se complementam harmonicamente.

Arthur Ienzura(O Rei), um ator eclético, com uma excelente expressão corporal e que tive a oportunidade de ver em grande atuação no espetáculo “Meu nome é Ernesto”, mais uma vez confirmou sua boa presença em cena e personalidade forte. Fabíola Romano(Aurora) e Bruno Marques(o Príncipe) mantém-se com correção com o que lhes é exigido pelos papeis representados, confirmando a qualidade de um elenco bem escolhido.

 Um registro importante a ser feito é o retorno após um período de ausência dos palcos de Erika Thomas, como Malévola. Difícil encontrar no teatro infantil uma vilã como Erika Thomas, que mescla o temor inerente das vilãs com uma rara capacidade para a comicidade. Érika Thomas por todo seu histórico merece um lugar de destaque no panteão dos grandes vilões do Shopping da Gávea.

Uma característica nos trabalhos de Carla Reis e que se repete em “A Bela Adormecida” é sua parceria com Bruno Camurati, responsável, mais uma vez pela criação da trilha sonora. Bruno Camurati é um dos mais brilhantes compositores do teatro infantil carioca e que parece ter uma simbiose toda especial nos seus trabalhos com Carla, dando enorme contribuição para o desenvolvimento do espetáculo e para a criação da atmosfera proposta. Mais uma vez apresenta belas canções e ganharam competentes arranjos vocais criados por Tony Lucchesi.

André Guerra tem desde o início um desafio imposto pela longa programação infantil do teatro Vanucci, as 4/5 peças infantis encenadas por fim de semana acabam por deixar pouco mais de 10 minutos para se montar um cenário. Portanto, é necessário que além de bonito e adequado, seja funcional e de rápida montagem, algo que com criatividade e talento foi conseguido por André.

Os figurinos assinados por Luis Fernando Bruno e Fernanda Lima dentro do contexto exigido para a história.

Bela Adormecida, o Musical” é mais um daqueles lindos espetáculos dirigidos por Carla Reis que acabam por ficar costumeiramente em cartaz por um generoso tempo, porque boas histórias quando bem contadas, são fontes inesgotáveis de sonhos e felicidade para as crianças e igualmente para seus pais.

SERVIÇO:
TEATRO VANNUCCI – SHOPPING DA GÁVEA
SÁBADOS, DOMINGOS E FERIADOS ÀS 18h30
TEXTO E DIREÇÃO: CARLA REIS
MÚSICAS: BRUNO CAMURATI

ELENCO: ALESSANDRA REIS, ARTHUR IENZURA, BRUNO MARQUES, ERIKA THOMAS, FABÍOLA ROMANO, GIOVANNA RANGEL, GIULIANNA FARIAS.

CENÁRIO: ANDRÉ GUERRA
COREOGRAFIAS: CARLA REIS
ARRANJOS VOCAIS: TONY LUCCHESI
FIGURINOS E ADEREÇOS: LUIS FERNANDO BRUNO E FERNANDA LIMA
PRODUÇÃO: ROBERTA MARINHO DUARTE


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