Crítica: A Temporada 2014 de “Profissão Repórter”


 

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Por Adriana Mello.

4-estrelas12Profissão Repórter”, bicampeão do prêmio Botequim Cultural de melhor programa de reportagem, estreou sua tão aguardada nova temporada. Com apenas dois programas, Caco Barcellos e sua jovem equipe mostraram que vem coisa muito boa por aí. Dois programas perfeitos, dinâmicos e irrepreensíveis, demonstrando que a fórmula ainda não se desgastou.

O primeiro programa tratou sobre o tema “Justiça Com As Próprias Mãos”, o segundo abordou o recente fenômeno dos “Rolezinhos”(mas sobre esse falaremos em breve). De maneira brilhante e com enorme sensibilidade o quanto essa prática é perigosa para sociedade. Tema para lá de pertinente em uma época em que alguns “jornalistas” se valem de sua suposta popularidade para insuflar a violência.

O programa mostrou o caso do menor no Rio de Janeiro amarrado por populares revoltados a um poste com uma tranca de bicicleta. Tentou conversar com a família do menor que, por medo de represálias, se recusou a dar entrevistas. Caco entrevistou com a artista plástica Yvonne Bezerra de Mello, que tornou-se conhecida há 20 anos em decorrência do fatídico episódio da chacina da Candelária, foi a primeira pessoa a socorrer o menor. Yvonne contou que passou a sofrer uma série de ameaças desde o episódio.

Poucos dias após ao caso do menino do poste, os “justiceiros” voltaram a atacar, mas dessa vez a polícia conseguiu impedir. Caco conversou com moradores do bairro do Flamengo (frequentadores de academia), os rapazes assumiram que quando veem um caso de roubo/furto “partem para cima mesmo”.

O programa foi até Goiânia onde um jovem foi covardemente agredido por um grupo de moradores após tentar roubar uma moto. Ao analisarem as fortes imagens da agressão, Caco e a repórter, Danielle França, debatem sobre se devem ou não exibir a fortes imagens:

Danielle: “A gente tá preocupado em como mostrar, em como veicular essas imagens

Caco: “Se esse registro for exposto assim pelo impressionante que é essa cena, eu acho que a gente corre para o caminho do sensacionalismo. O que é o sensacionalismo? É causar sentimento inútil para alguém. Agora, expor a barbárie, explicar para o público que isso não pode acontecer em país que se diz sério, democrático e civilizado. Eu acho que a gente contribuiu, aí eu sou a favor.”

Nesse diálogo Caco, como líder e mentor de uma jovem equipe, muito além de demonstrar bom senso e transmitir valores morais, ensina que para mostrar a contundência de uma matéria não é preciso utilizar-se de vulgaridade.

No Pará, o repórter Victor Ferreira mostrou um julgamento de oito pessoas da mesma família que assassinaram um jovem de 16 anos após este matar um parente dos réus. O júri reconheceu o assassinato do rapaz, mas optou por absolver os oito réus. Absolvida, a família que matou por vingança, foi pagar promessa na porta de uma igreja.

Profissão Repórter” volta para mais uma temporada com o mesmo vigor com que vem se apresentando desde sua criação.

 


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