Crítica: A Toca do Coelho


 
Toca-do-Coelho1-630x492

.

 3-estrelas-valendoQue dor pode ser maior que a perda de um filho? Como seguir em frente com esse enorme vazio dentro do peito? São questionamentos permanentes que o público se faz diante da situação proposta pelo espetáculo “A Toca do Coelho”, em cartaz no Teatro Leblon, Sala Fernanda Montenegro.

Nesse texto de David Lindsay-Abaire(no original “Rabbit Hole”), com competente tradução feita por Simone Zucato, Becca(Maria Fernanda Cândido) dobra as roupas infantis do filho que já não está mais ali,  ao lado de sua irmã caçula(a própria Simone Zucato) . Aos poucos nos inteiramos a dimensão do drama que a atingiu, através desse diálogo inicial com sua impertinente irmã caçula, que acaba por lhe dar a notícia de sua gravidez. Ali já é possível perceber o fio condutor que levará adiante essa história, aonde o grande conflito será a maneira distinta como Becca e seu marido Paulo(Reynaldo Gianecchini) lidam com a perda.

Ela opta por mergulhar num processo de interiorização da dor, se anestesiar para a vida que segue lá fora e de maneira um tanto inconsciente procura se livrar das lembranças do filho morto. Ele lida de maneira oposta, preferindo estar cercado por todas as lembranças, mas tentando tocar a vida pra frente.

 O núcleo dramático se completa com a mãe de Becca(Selma Egrei) e com o jovem responsável involuntariamente pela morte do menino, que consumido por um sentimento sem fim de culpa, tem a necessidade de se aproximar dos pais do menino, papel interpretado por Felipe Hintze.

Lançado na Broadway em 2006, “A Toca do Coelho” deu a Cynthia Nixon o Tony como melhor atriz e em 2010 foi adaptado para o cinema, com direção de John Cameron Mithell, tendo Nicole Kidman no papel principal.

A grande dificuldade que um tema dessa magnitude se impõe é como não transformá-lo num enorme dramalhão. Dan Stulbach, estreando na direção, foi bastante sensível para saber medir o tamanho certo da carga emocional que se apresenta no palco. O clima é seco, aonde o que importa é o subtexto e não necessariamente o que está sendo dito.

Maria Fernanda Cândido encontra certa dificuldade para expressar a complexidade e os dilemas existenciais de seu personagem. Gianecchini está um nível acima, mesmo que não chegue a brilhar, apresenta um desempenho correto em cena. O melhor desempenho é de Selma Egrei, numa participação cheia de humor e que quebra por vezes a angústia que consome a plateia. Por fim, Simone Zucato e Felipe Hintze compõe seus personagens de maneira linear.

O grande problema quando se tem nas mãos um texto de tanta qualidade, como esse de Linday-Abaire, é que se as interpretações não acompanham sua força, o desnível fica muito evidente. São textos que não se bastam com boas atuações, é necessário se chegar à excelência. “A Toca do Coelho” pode ser resumido nisso, um belo texto que careceu de um maior peso cênico.

Ficha Técnica:

Autor: David Lindsay Abaire
Tradução Brasileira e Adaptação: Simone Zucato e Alessandra Pinho
Direção Geral: Dan Stulbach
Elenco: Maria Fernanda Cândido, Reynaldo Gianecchini, Selma Egrei, Simone Zucato, e Felipe Hintze
Cenários: André Cortez
Iluminação: Marisa Bentivegna
Figurinos: Adriana Hitomi
Trilha sonora Original e Composta: Daniel Maia
Preparador Corporal: Leandro Oliva
Design Gráfico: Alessandro Romio
Assistentes de Direção: André Acioli e Otavio Dantas
Assistente de Produção: Elis Braga e Mag Flausino
Direção de Produção: Valdir Archanjo e Bira Saide
Produtores Associados: Simone Zucato, Valdir Archanjo e Bira Saide Realização: Asa Produções Culturais, SPZ Produções Culturais, e Nero Produções Culturais


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Calendário de postagens

julho 2017
D S T Q Q S S
« jun    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031