Crítica: Adeus, Minha Rainha


 

 

 

Nesse filme dirigido por Benoît Jacquot, “Adeus, Minha Rainha”, os últimos dias de Maria Antonieta nos são contados através do ponto de vista de uma criada do Palácio de Versailles. Adaptado do livro de Chantal Thomas, a história se desenvolve durante 4 dias, período que ocorre a Queda da Bastilha e se inicia a revolução Francesa, aonde uma Corte completamente descolada da realidade da vizinha Paris acaba por entrar em colapso.

 Maria Antonieta, um dos personagens mais fascinantes e retratados da história, normalmente visto apenas como uma mulher fútil e frívola, apresenta em “Adeus, Minha Rainha” algumas outras características e complexidades. Aqui a rainha(vivida pela atriz alemã Diane Kruger) aparece como uma mulher à beira de um ataque de nervos, instável emocionalmente, vulnerável, acuada, além de lésbica. Tal intimidade nos é passada pelos olhos de Sidonie Laborde(Léa Seydoux), uma criada que tinha como função ler para Maria Antonieta, do qual é totalmente devotada e de quem recebe confidências. Tanta devoção acaba por torná-la um joguete para os humores da Rainha, que não hesita em utilizá-la até como isca para seus objetivos e caprichos.

É esse olhar de Sidonie que guia o espectador não só aos aposentos reais, mas igualmente pelos recantos, cozinhas, corredores e bastidores de Versailles, aonde longe do que existe no nosso imaginário, passeamos por corredores escuros, lúgubres, recheado de nobres vagando atordoados, quase que como zumbis, à procura de notícias do que estaria de fato acontecendo no coração de Paris.

O ponto alto do filme são as atuações de Léa Seydoux e Diane Kruger. Seydoux cria um personagem contido, introspectivo e que consegue expressar toda a sua angústia interior, dividindo com o espectador sua percepção. É uma atriz que ouviremos falar muito nos próximos tempos, com carreira em plena ascensão e inclusive protagoniza o filme “La Vie D’Adèle”, vencedor da última Palma de Ouro em Cannes. Já Diane Kruger não estava inicialmente escalada para viver Maria Antonieta. O papel seria feito por Eva Green. Os motivos da troca não foram esclarecidos, mas comenta-se que teria relação com o gênio e com certo mau humor de Green. O certo é que enquanto Eva Green trabalha sua carreira mal sucedida em Hollywood, o filme ganhou muito com Diane Kruger. Além do sotaque natural mais perto na personagem, Kruger deu autencidade e fez uma Maria Antonieta que sentimos de carne e osso, conseguindo humanizá-la e fugir do lugar comum que esperaríamos do personagem.

Não é a primeira vez que Jacquot retrata a Revolução Francesa como pano de fundo, já tendo se debruçado sobre o período em “Sade”. Em “Adeus, Minha RainhaJacquot falhou no ritmo do seu filme, deixando-o por vezes um tanto arrastado e sem fôlego. O roteiro também não contribui muito para o desenvolvimento de uma história mais interessante.

Adeus, Minha Rainha” não consegue atingir todos os objetivos a que se propõe, mas teve o mérito de fazer um filme sobre a complexidade dos sentimentos, trazidos pelas suas atrizes, distante dos códigos históricos esperados num filme de época.


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