Crítica: As Aventuras o Menino Iogue


 

Por Renato Mello.

menino iogue 1Uma original proposta de teatro infantil está se apresentando no Galpão das Artes do Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico. O musical “As Aventuras do Menino Iogue”, cuja temporada está prevista até o dia 16 de agosto em duas sessões diárias.

Adaptado do livro homônimo de Antonio Tigre, com direção assinada pela dupla Arlindo Lopes e juliana Terra, “As Aventuras do Menino Iogue” narra a história de Shridhara, um jovem príncipe indiano entediado com a vida vazia do palácio e que através de um chamado realiza uma busca interior através de uma jornada a caminho da sagrada montanha dos Himalaias, num percurso repleto de obstáculos até descobrir através da ioga que o grande segredo do universo é se conectar com o mundo através do  próprio coração.

Através da sólida construção dramatúrgica realizada por Arlindo Lopes, Juliana Terra e Carol Chediak, o espetáculo desvenda através de uma atmosfera mágica todo um universo fascinante, iniciando um público com visão ainda superficial(e provavelmente estereotipada) de uma cultura milenar a despertar a curiosidade, até mesmos de leigos como eu, sobre uma diversidade distante de nossa realidade. Tudo com muita fluidez, sem ser didático ou explicativo, mas acima de tudo por um trabalho de muita sensibilidade pelos autores do texto.

Iogue é um termo que caracteriza os praticantes de yoga, embora a designação seja mais comumente utilizada para praticantes avançados. Para representar o personagem título é utilizado um boneco de manipulação da dimensão de uma criança, que servirá como guia da porta de entrada para que o espectador passe então a ter contato com a atmosfera proposta. A manipulação é conduzida pelo próprio autor da obra matriz do espetáculo, Antonio Tigre, pelo boneco criado por Alexandre Guimarães.

Toda a criação cênica realizada pelos diretores Arlindo Lopes e Juliana Terra é de uma precisão absoluta. Há uma concepção muito bem pensada da distribuição dos atores através do formato do palco do Galpão das Artes, que mesmo diante de um cenário de dimensões generosas para um palco nem tão grande assim e pela quantidade de atores/músicos em cena, conseguem com habilidade e ordenação abrir espaços para as ações necessárias ao desenvolvimento do espetáculo, mantendo um ritmo permanente e com uma interessante construção de cada uma das cenas. Uma das maiores dificuldades parece ter sido a escolha de atores diante de personagens que exigiam atributos muito específicos, com códigos tão distante do que é costume, mas foram bastante exitosos no critério e lograram montar um belo elenco que foi conduzido de modo eficiente pelos diretores.

094O elenco é composto por 8 atores/músicos: Antonio Tigre, Luciana Bollina, Orlando Caldeira, Grasiela Müller, Gui Cavalcanti, Wilson Jequitibá, Antonio Arvind e Guilherme Alves, que circundam o caminho percorrido pelo pequeno Iogue. Todos com um visível talento não somente como atores, mas como instrumentistas e cantores, além de demonstrarem um ótimo trabalho de expressão corporal(méritos para a direção de movimentos realizada por Juliana Terra). Há uma perfeita simetria no desempenho em cena, com uma atuação homogênea por todo o elenco. Porém é necessário um destaque adicional para Luciana Bollina, que interpreta a narradora e também a cobra naja banguela. Luciana desperta enorme encantamento pela leveza dos gestos, graciosidade, uma voz limpa e lindíssima, além de uma grande presença cênica. Antonio Tigre também tem grande eficiência pelo modo como conduz o boneco de manipulação, fazendo de ator e personagem uma só figura em cena.

A parte musical do espetáculo é um dos pontos altos, explorando a beleza da sonoridade da música indiana, gerando imediata empatia do espectador com a alegria emanada em cena. As canções foram compostas por Antonio Tigre, uma complexa e bem-sucedida direção musical de Gui Cavalcanti, com uma perfeita preparação vocal de grande qualidade realizada pela sempre talentosa Soraya Ravenle.

Os cenários elaborados por Gabi Windmüller e Alberta Barros tem a capacidade de transportar o público para dentro da história que está sendo contada. Embora com uma dimensão física generosa, tem a capacidade de se transformar de acordo com a necessidade do desenvolvimento dramatúrgico do percurso do jovem Iogue. A iluminação realizada por Paulo César Medeiros também tem importância pelo êxito do resultado final na atmosfera atingida, ressaltando com absoluta correção os aspectos primordiais para cada sequência apresentada.

Trabalho de pesquisa competente realizado por Beth Passi de Moraes, Joana Passi e Rebeca Dallmaier, com importante contribuição para a composição dos personagens, além de encontrarem interessantes recursos que interagem de modo inteligente com o elenco.

As Aventuras do Menino Iogue” encanta pelo acerto dos mais diversos elementos de um espetáculo teatral, que devido à enorme capacidade de realização mais uma vez demonstrada pela produtora Tatianna Trinxet, consegue harmonicamente fazer desse espetáculo uma verdadeira preciosidade. Mas é acima de tudo, uma linda história muito bem contada que transmite mensagens sobre como devemos nos portar positivamente e nos situar no mundo buscando permanentemente o bem alheio para atingir a paz interior.

FICHA TÉCNICA
Baseado no livro “As Aventuras do Menino Iogue”, de Antonio Tigre
Adaptação: Carol Chediak, Arlindo Lopes e Juliana Terra
Direção: Arlindo Lopes e Juliana Terra
Assistência de direção: Carol Chediak
Elenco: Antonio Tigre, Luciana Bollina, Orlando Caldeira, Grasiela Müller, Gui Cavalcanti, Wilson Jequitibá, Antonio Arvind e Guilherme Alves
Músicas originais: Antonio Tigre
Supervisão musical e preparação vocal: Soraya Ravenle
Direção musical: Gui Cavalcanti
Direção de movimento: Juliana Terra
Desenho de luz: Paulo César Medeiros
Cenário: Gabi Windmüller e Alberta Barros
Figurinos: Beth Passi De Moraes, Joana Passi e Rebeca Dallmaier
Criação e confecção do boneco (menino iogue): Alexandre Guimarães
Criação e confecção dos bonecos Ananta e Vahana: Fernando Gomes
Preparação de manipulação do boneco iogue: Alexandre Guimarães e Letícia Medella
Design de máscaras: María Arribasplata
Perucas: Marcia Elias
Visagismo: Gabriel Ramos
Assessoria de imprensa: Minas de Ideias
Desing gráfico: Mariana Volker
Fotos de divulgação: Estúdio Carol Chediak
Redes sociais: Sita Beatriz
Catering: Pedro Henrique Martins
Elaboração de projetos: Natalia Simonete
Produtores assistentes: Yuri Mussury e Leila Meirelles
Produtores associados: Antonio Tigre, Arlindo Lopes, Carol Chediak E Juliana Terra
Direção de produção: Tatianna Trinxet
Co-realização: Pássaro Azul Produções Culturais
Realização: Terra Tigre Produções Artísticas

SERVIÇO
As Aventuras do Menino Iogue
Estreia: 11 de julho de 2015
Local: Espaço Tom Jobim – Galpão das Artes
Endereço: Rua Jardim Botânico – 1008 – Jardim Botânico – Telefone – (21) 2274-7012
Horário de Funcionamento da Bilheteria: A partir das 15h de Sab. e Dom.
Data: Sábado e Domingo
Horário: 16h e 18h
Temporada: Até 16 de agosto de 2015
Gênero: Musical – Infantil – A partir de 2 anos
Duração: 55 min.
Classificação: Livre
Preço: R$ 50,00
Capacidade: 75 lugares
Vendas: www.ingresso.com.br


Palpites para este texto:

  1. Daisy Machado da Costa -

    As aventuras do menino Iogue tem o meu voto! Show!

  2. Rosangela Henriques -

    Maravilhoso espetaculo! Merece o premio! Parabens a todos!

  3. Muito interessante!!!! Adoramos

  4. Agora as Aventuras do Menino Yogue está arrasando no Teatro Clara Nunes – Shopping da Gávea

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