Crítica: Boquinha…E Assim Surgiu o Mundo…


 

BOQUINHA... E Assim Surgiu o Mundo...release[2]

Por Renato Mello.

O espaço Sesc em Copacabana está apresentando “Boquinha…E Assim Surgiu o Mundo…”, com direção de Lázaro Ramos e Suzana Nascimento, numa temporada curta prevista até o dia 29 de maio.

A proposta de “Boquinha…E Assim Surgiu o Mundo…” segundo sua própria sinopse oficial é contar “a história de um pequeno ser feito de dobraduras de papel que guiará as crianças em uma mágica viagem para contar a história do surgimento do mundo segundo contos e lendas de diferentes culturas”.

A dramaturgia escrita Lázaro Ramos revela-se inicialmente promissora e estimulante, porém ao ampliar seu processo de investigação não demonstra força narrativa para abarcar plenamente todas as intenções, carecendo de uma maior clareza nas suas referências míticas e históricas. Dissipa assim a oportunidade de um maior aprofundamento dramático e abdica da criação de uma atmosfera emocional. Se observarmos estritamente do ponto de vista de uma contação de história, subsiste como espetáculo em decorrência de boas opções cênicas e do carisma do seu ator, mas ainda assim tem seu potencial desperdiçado pela irregularidade dramatúrgica.

Lázaro Ramos encontrou em Suzana Nascimento a parceria ideal para conduzir a proposta, um universo ao qual Suzana é sem a menor dúvida uma das principais referências no Brasil no estudo da interação da oralidade entre contador e ouvinte inserida dentro de uma linguagem cênica. Portanto, sobravam desde o início expectativas sobre as possibilidades a serem exploradas por 2 importantes criadores do fazer artístico e que sempre demonstraram grande competência em suas atuações no imaginário infantil. Lázaro Ramos e Suzana Nascimento apesar da deficiência narrativa tem a capacidade de elevar a apresentação com a utilização de distintas possibilidades com a inserção de um jogo cênico através da manipulação das formas, silhuetas, explorando a capacidade de elementos simples como tecidos e papeis, utilizando a técnica do origami, do circo, a música e o contraste da luz e sombra para dar forma para a história e estimulando com muita graça o lado imaginativo do público infantil.

Orlando Caldeira tem papel destacado na sustentação do espetáculo, dosando as intenções e inflexões, ainda que carecendo um pouco de uma maior distinção dos personagens. Estabelece um canal direto de comunicação com o público, demonstrado presença e empatia, dominando o seu espaço cênico e explorando adequadamente a linguagem corporal. Necessário destacar a atuação de Marcela Rodrigues na direção de movimentos, contribuindo decisivamente para a boa atuação de Orlando Caldeira.

A cenografia assinada por Albertina Barri e Gabriela Windemüller(também responsáveis pelo figurino) dialoga permanentemente com a dramaturgia e seu acerto tem influência direta no resultado da concepção da atmosfera proposta pelos diretores.

 A iluminação de Valmyr Ferreira tem a capacidade de interagir com as necessidades dramatúrgicas e igualmente com a construção cenográfica.

Boquinha…E Assim Surgiu o Mundo…” é um bom espetáculo, mas a irregularidade na estruturação acaba por desperdiçar suas potencialidades.

FICHA TECNICA
Texto: Lázaro Ramos
Direção: Suzana Nascimento e Lázaro Ramos
Elenco: Orlando Caldeira
Assessoria de Imprensa: Minas de Ideias

SERVIÇO
Estreia: Dia 7 de maio de 2016
Local: Espaço Sesc  – Mezanino
Endereço: Rua Domingos Ferreira – nº 160 – Telefone: (21) 2548-1088
Temporada: De 07 até 29 de maio 2016
Horários: Sábados, 16h e domingos, 11h
Duração: 40 min.
Preço: R$ 20,00 (Inteira), R 10,00 (Meia entrada), R$ 5,00 (Associados Sesc)
Capacidade: 90 lugares
Classificação: Indicado para crianças a partir de 3 anos
Gênero: Infantil
Funcionamento da Bilheteria: (Inclusive vendas antecipadas): Ter. a dom., 15h às 21h

 

 


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