Crítica: Clarice Lispector & Eu – O Mundo não é Chato


 
Foto: Fulton Nogueira

Foto: Fulton Nogueira

Por Renato Mello.

Dezoito anos após conquistar todos os reconhecimentos com seu trabalho de estreia, Rita Elmôr revisita o universo da escritora Clarice Lispector no espetáculo “Clarice Lispector & Eu – O Mundo não é Chato”, em cartaz no Poeirinha para uma temporada prevista até o dia 25 de agosto.

Durante o longo hiato de “Que Mistérios tem Clarice” para “Clarice Lispector & Eu- O Mundo não é Chato”, Rita Elmôr propôs-se a novas perspectivas enquanto deixava o espaço do tempo ritaelmoresvair experiência de tal intensidade, período em que a composição fotográfica que realizou para aquele espetáculo ganhou o mundo como se fosse a real escritora, a partir de uma maior popularidade internacional que a obra de Clarice ganhou nos últimos anos. É justamente nessa simbiose entre Clarice e Rita que se estabelece o ponto inicial da dramaturgia costurada pela própria Rita Elmôr a partir de fragmentos da obra de Clarice com a experiência de Rita, em que a atriz se empresta a Clarice e esta inspira a atriz. Os mundos irrigam-se e alimentam-se mutuamente, abordando questões talvez prosaicas, inesperadas e cotidianas, buscando uma perspectiva menos esperada e mais próxima do ser por trás da escritora. A dramaturgia proposta por Rita Elmôr demonstra uma natureza fluída, desenvolvida com leveza para encantar e seduzir.

Segundo o próprio apontamento oficial do espetáculo, busca-se um diálogo “com a faceta mais solar de Clarice” a partir de “textos em que a escritora se relaciona com o mundo ao seu redor e com o outro, deixando transparecer, com fino humor, sua timidez e seu “‘desencaixe’”.

Rubens Camelo conduz sua atriz por um monólogo construindo com habilidade um percurso cênico limpo, possibilitando germinar delicadamente o poder da palavra e a potência da narrativa de Rita Elmôr, enquanto a atriz capta as sutilezas ocultas por trás do enigma que ronda a figura da escritora, realizando uma interpretação de rara beleza e que encontra uma verdade no personagem que transparece sob o mito. Um excelente trabalho de composição, com importante contribuição do trabalho de visagismo de Cleber de Oliveira. Rita expõe-se às qualidades de sua interpretação desde os pequenos detalhes de sua composição, como o modo como exteriorizar o texto, na modulação vocal e no trabalho de expressão corporal, construindo a totalidade de uma atuação sincera e verdadeira.

O cenário criado por Paulo Denizot se compõe de 2 cadeiras estabelecidas em pontos opostos do cenário, tendo ao fundo 5 telas que dialogam com a dramaturgia de Rita Elmôr. O figurino assinado por Mel Akerman revela-se apropriado e está de acordo com a proposta.

Clarice Lispector & Eu – O Mundo não é Chato” traz ao palco uma proposta em que os textos de Clarice se sucedem através de uma dramaturgia que cria a coerência entre eles para compor um mosaico que se comunica com extrema leveza com o público, resultando num espetáculo encantador.

FICHA TÉCNICA

Foto: Christiano Nascimento

Foto: Christiano Nascimento

Texto: Clarice Lispector
Dramaturgia e Interpretação: Rita Elmôr
Direção: Rubens Camelo
Assistentes de Direção: João Pontes e Radha Barcelos
Cenário e Luz: Paulo Denizot
Figurino: Mel Akerman
Trilha Sonora: Rita Elmôr
Design Gráfico: Estúdio Quedesenholegal
Mídias Sociais: Ramon de Angeli
Assessoria Jurídica: Murilo Rabat
Direção de Produção: Christiano Nascimento e Rita Elmôr
Produção: Art Hunter Produções
Realização: Ovo Produções Artísticas
Assessoria De Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany

 

 


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