Crítica: Cock- Briga de Galo


 

Cock.

Por Renato Mello.

O Espaço Cultural Sérgio Porto apresenta até o dia 20 de setembro o espetáculo “Cock- Briga de Galo”. Trata-se de uma tradução realizada por Eduardo Muniz e Ricardo Ventura para o texto vencedor do Olivier Award em 2010 do célebre autor britânico Mike Bartlett e que tem nessa adaptação nacional a direção de Inez Viana.

Cock” conta a história de “um homem inerte (Felipe Lima), completamente dividido entre ficar com o seu parceiro de longa data (Luiz Henrique Nogueira) ou se abrir para uma nova possibilidade, assumindo o amor por uma mulher (Debora Lamm). Vivendo uma relação estável com seu companheiro, ele não apenas encara o dilema de encerrar uma longa história de amor, mas entra em conflito ao se apaixonar por alguém do sexo oposto, enfrentando a oposição do seu parceiro e também de seu pai (Helio Ribeiro)”

O texto de Bartlett utiliza com habilidade a questão da identidade sexual para realizar uma abordagem mais aprofundada sobre os medos das consequências futuras que as decisões que somos obrigados tomar terão mais adiante em nossas vidas, seja no casamento, no amor, na busca por uma felicidade futura ou o medo de envelhecer sem filhos. Questões existenciais que estamos todos sujeitos, independente da orientação sexual. Dilemas vividos intensamente através de um personagem dividido entre o companheiro de anos e sua nova namorada, mesclando em sua construção dramatúrgica o humor e a emoção.

A ambientação de Inez Viana situa sua encenação como uma autêntica rinha de galo, através de formato de palco de dimensão reduzida, retangular, cercado por arquibancadas em todos os lados se fechando como uma arena ao redor do ringue. Cenário despojado de maiores elementos cenográficos, porém com grande êxito cênico no resultado final para um ambiente físico em que se desenrolará uma batalha feroz, estruturada em pequenas ações que se finalizam a cada round disputado após o soar do gongo. A marcação é rígida e os personagens jamais saem da marca delimitada, mesmo se a cada momento um deles se encontre em posição vulnerável, mas sempre com a possibilidade aberta para uma inversão do jogo. A movimentação é muito bem realizada pelos atores, gerando uma dinâmica bastante interessante e com uma excelente atuação por parte de todos os integrantes do elenco, numa direção de atores de alta qualidade realizada pela diretora.

 O elenco formado por Felipe Lima, Luiz Henrique Nogueira, Debora Lamm e Helio Ribeiro atinge um alto grau de intensidade, gerando uma tensão permanente que se propaga pelo ambiente. O casal central formado por Felipe Lima e Luiz Henrique Nogueira realizam uma troca cênica expressiva, com Felipe demonstrando todo o sentimento de angústia que vive seu personagem, completamente perdido em meio a um jogo de pressões que lhe atingem por todos os lados, enquanto Luiz Henrique Nogueira procura encurralar Felipe em um jogo, que inicialmente não imaginava ter que disputar, mas a partir do momento que é desafiado, procura se preparar com todas as possibilidades para sair vitorioso do embate.  Luiz Henrique demonstra grande desenvoltura e personalidade em cena, bastava em determinados momentos a força do seu olhar para expressar todo o sentimento interior do seu personagem. Debora Lamm, a quem reputo como uma das melhores atrizes de nossa cena teatral, trabalha com enorme talento todas as camadas emocionais de um personagem que sofre uma avalanche de sensações em meio a um ambiente hostil e cruel, conseguindo ao longo de toda a encenação encontrar sempre o tom correto para expressar emoções tão distintas. Mais uma brilhante atuação de Debora Lamm, que como poucas atrizes sabe dosar emoção e técnica na medida correta. Helio Ribeiro, mesmo com um personagem coadjuvante marca com grande força sua presença pela cena, numa atuação de grande vitalidade, deixando-nos completamente absortos pelo seu cinismo, acidez e sarcasmo.

O cenário de Flavio Graff, despojado de maiores elementos cenográficos é o adequado para a proposta de Inez Viana. Os figurinos de Julia Marini é fiel ao perfil dos personagens.

A iluminação de Renato Machado tem papel preponderante para a atmosfera do espetáculo, utilizando principalmente uma luz centralizada e rebaixada, contribuindo decisivamente para o clima de opressão instalado pelo ambiente.

Cock- Briga de Galo” é uma adaptação de alta qualidade para um texto que permite diferentes leituras sobre as angústias da condição humana, levantando questões sensíveis sobre o labirinto cruel das relações amorosas.

FICHA TÉCNICA
Texto: Mike Bartlett
Tradução: Eduardo Muniz e Ricardo Ventura
Direção: Inez Viana
Elenco: Felipe Lima, Debora Lamm, Luiz Henrique Nogueira e Helio Ribeiro
Figurino: Julia Marini
Cenário: Flávio Graff
Luz: Renato Machado
Trilha Sonora: João Callado
Direção de Movimento: Dani Amorim
Identidade Visual: Gabriel Medeiros
Assistente de Direção: Luiz Antonio Fortes
Produção Executiva: Cristiana Miranda
Direção de Produção: Miçairi Guimarães
Idealização: Felipe Lima
Realização: Sevenx Produções Artísticas

SERVIÇO
‘Cock – Briga de Galo’
Texto: Mike Bartlett
Tradução: Eduardo Muniz e Ricardo Ventura
Direção: Inez Viana
Elenco: Felipe Lima, Debora Lamm, Luiz Henrique Nogueira e Helio Ribeiro
Temporada: De 07 a 23 de Agosto e de 4 a 20 de Setembro. Sexta a sábado às 21h e domingo às 20h.
Ingressos: R$ 30,00 inteira / R$ 15,00 meia
Local: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Rua Humaitá 163. (tel. 21 2535-3846)
Horário de funcionamento da bilheteria: Quarta a domingo(das 15h às 21h)
Vendas pela internet: www.compreingressos.com
Capacidade de público: 110 pessoas
Classificação Etária: 14 anos
Duração: 80 minutos

ATENDIMENTO À IMPRENSA
assessor de imprensa Ney Motta
contemporânea comunicação


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