Crítica: Diálogos com Mario Sergio Conti


 

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2-estrelas2A estreia de um programa com Mario Sergio Conti tem que obrigatoriamente ser visto com atenção, afinal trata-se de um dos mais brilhantes jornalistas da imprensa brasileira. Dotado de vastíssima cultura e rara profundidade intelectual, Mario Sergio Conti é um oásis dentro do vazio da imprensa nacional. Seu vasto currículo traz passagens, entre outros lugares de destaque, como editor chefe de órgãos como: “Veja”, justamente quando ocorreu a explosiva entrevista de Pedro Collor, “Jornal do Brasil”, um mau passo em sua vida ao se meter com aquele povo do Tanure, e “Revista Piauí”, aonde foi o responsável pela sua implantação e por ela hoje ser uma das mais importantes e originais publicações da imprensa nacional. Na literatura, escreveu um livro hoje considerado um clássico da categoria jornalística “Notícias do Planalto”. Como se não bastasse, ainda está trabalhando nesse momento na tradução dos livros de nada mais, nada menos que Proust.

Se com um computador na sua frente, poucos fazem frente a Conti, o mesmo ainda não se pode dizer em suas experiências televisivas. Teve uma recente passagem como condutor do prestigiado “Roda Viva”, aonde apesar do seu esforço percebeu-se uma certa falta de timing para a televisão. Por motivos políticos(como sempre ocorre na TV Cultura) foi substituído por Augusto Nunes, que verdade seja dita, sabe encarar uma câmera com maior desenvoltura.

Tal como aconteceu na TV Cultura, aonde estreou no “Roda Viva” com uma entrevista precedida de muita expectativa, com o Cabo Anselmo, fez na Globo News sua estreia com uma carta na manga, entrevistando Cesare Battisti, de quem ainda não tinha ouvido declarações oficiais. Ponto para Conti.

Minha opinião pessoal sobre o caso Battisti pode ser vista AQUI. Mas não era isso que estava em jogo, gostando-se ou não de Battisti, mas sim o que poderia ser extraído do entrevistado, embora eu, pessoalmente por ter acompanhado o caso Battisti com muita atenção, soubesse de antemão que dificilmente Battisti diria algo explosivo, pois estaria correndo o risco de perder seu status de exilado.

Neste programa, ficou-se a sensação ainda maior da falta do timing televisivo de Conti. No “Roda Viva”, por se tratar de um programa dinâmico, em que os vários debatedores por vezes fazem o entrevistado parecer estar num pelotão de fuzilamento, cabe ao condutor mais o papel de organizar, aqui no “Diálogos com Mario Sergio Conti” o entrevistador está mais exposto, é somente ele, o entrevistado e as câmeras.  As pausas de Conti não funcionam, normalmente um grunhido tipo “umhum”, ou após uma resposta solta um “tá certo”, vícios que até podem ser corrigidos. O cenário opaco também não ajuda muito. Corre-se o risco caso seja um entrevistado pouco relevante o u expressivo do programa se tornar até maçante. Conti gosta de ouvir a reflexão do entrevistado e isso é bom, mas é preciso saber dosar isso com um maior domínio, porque dependendo de quem vem as reflexões o programa pode desandar o espectador para um certo estado de sonolência .

Na entrevista com Battisti me fez falta ele não ter se aprofundado mais sobre as acusações que pesam contra ele, saber o que aconteceu de fato, puxar um pouco mais pelo seu entrevistado, seu pensamento sobre seu envolvimento com grupos extremistas, independente se acredita-se ou não nas suas “verdades”. Isso não contrariava em nada seu status de exilado, o que ele está impedido é de emitir opiniões políticas sobre a Itália e o Brasil, mas isso a maioria do público não sabia no transcorrer da entrevista. Tal informação só veio no apagar das luzes do programa, quando deveria ter dado conhecimento de tais limitações já na abertura.

Quanto a Battisti fica aqui minha decepção, embora nunca tenha nutrido simpatia por ele, mas imaginava alguém mais eloquente, vibrante. Vi um entrevistado “morto”, medindo cada palavra a ser dita. Perguntado sobre qual era sua atual profissão, afirmou ser escritor. De fato, Battisti tem inúmeros livros publicados na França, inclusive pela Gallimard. Afirmou estar escrevendo um livro histórico passado no Brasil, sobre o famoso “Bacharel”. Para quem não sabe trata-se de um degredado por D Manuel em 1501 e que veio parar no Brasil, responsável pela fundação do primeiro povoado brasileiro. Ao falar sobre suas pesquisas, Battisti falou sobre a expedição que levou Bacharel ao Brasil, “comandada por Américo Vespúcio e um outro comandante que não lembro o nome nesse momento…”. Bem, creio que Battisti precisa se aprofundar um pouco mais nas suas pesquisas, mas o Botequim Cultural vai contribuir com sua pesquisa informando que o comandante cujo nome não se lembra era André Gonçalves.

Vimos um Battisti quase que politicamente correto, elogiando tudo no Brasil, até mesmo o Presídio da Papuda, que torce pelo Flamengo e pelo Corinthians.

Conti se aprofundou em amenidades, como que brasileiros Battisti mais admira(Garrincha, Sócrates e Joaquim Barbosa foram citados) e sobre escritores nacionais. Demonstrou admiração por Graciliano Ramos, Jorge Amado e Machado de Assis(os nomes de sempre), citou também um certo Rosa Guimarães, que Conti e os expectadores acreditaram estar se referindo a Guimarães Rosa.

Acreditem, eu adoro Mario Sérgio Conti, mas ele e a televisão não foram feitos um para o outro.


Palpites para este texto:

  1. Bom saber q o q vi na entrevista com Barroso tb foi visto por vc nesta com o Basttisti.

  2. ELITON ROBERTO STRINGARI -

    FRACO. MUITA PROPAGANDA E POUCO CONTEUDO.. BEM ESTILO PT

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