Crítica: Epa! Estudos Para Quase Nada


 

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Por  Renato Mello.

A Cia Teatro Os Bondrés está encenando mais um espetáculo do seu repertório no Sesc Copacabana, “Epa! Estudos Para Quase Nada”, em temporada que tem se encerrará no próximo dia 23 de agosto.

Trata-se do 3º espetáculo criado pela companhia fundada por Fabianna de Mello e Souza, após “Instantâneos” em 2008 e “Oikos”, aclamado como um dos melhores espetáculos infantis de 2014, quando recebeu várias indicações para os mais importantes prêmios do gênero, como o Zilka Sallaberry e o CBTIJ.

Epa! Estudos Para Quase Nada” segue a trajetória da investigação que Fabianna tem realizado na utilização das máscaras balinesas e o jogo do ator através delas, invadindo agora o universo de Beckett e Ionesco, com a inserção no atual contexto urbano.

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Assim como em “Oikos”, “Epa!”conta com o suporte dramatúrgico de Keli Freitas, na minha opinião, uma das mais interessantes e talentosas autoras do atual teatro brasileiro. Justamente um dos aspectos mais encantadores do espetáculo é o modo sensível como a carpintaria dramatúrgica de Keli Freitas se encaixa harmonicamente com o trabalho que Fabianna tem empreendido ao longo de sua criação cênica particular. Esse casamento entre a proposta de Fabianna e o texto de Keli atinge seu ápice na parte final, quando há a inserção do estudo que Keli Freitas tem se debruçado nos últimos anos relacionados com a memória deixada através de cartas, postais e telegramas, no caso específico de “Epa!”,  utilizando-se de telegramas, que misturado a uma ambientação repleta de bolhas de sabão acaba por ditar o ritmo da representação, obrigando os atores a seguir uma dinâmica imprevisível.

Essa imprevisibilidade faz parte da proposta bem-sucedida da direção de Fabianna de Mello e Souza, apostando no improviso intercalado com marcações bem definidas,  movimentação e ocupação do espaço de representação cuidadosamente pensados e com a utilização de elementos lúdicos para formação de seu universo, atingindo um diálogo com a condição humana, com suas dores e seus silêncios.

O elenco formado pela própria Fabianna de Mello e Souza, juntamente com Miguel Gama e Tomaz Nogueira é de uma entrega absoluta, despindo-se das vaidades típicas que fazem parte da armadura do ator, sem apoiar-se nas expressões faciais, em que todas as emoções são enfatizadas pela expressão corporal, pelo uso econômico da expressão vocal e através das máscaras criadas por Fabianna, que parecem se encaixar com perfeição ao emocional de cada um dos personagens.

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A iluminação de Ana Luiza de Simoni consegue ressaltar com beleza a estética elaborada por Fabianna de Mello e Souza, alcançando precisão na sua contribuição para o desenvolvimento cênico do espetáculo. Os figurinos e a cenografia de Gabi Windmüller e Alberta Barros são importantes suportes para a proposta estética e dramatúrgica do universo apresentado.

Epa!” é mais uma etapa muito bem sucedida de um trabalho de extrema relevância que Fabianna de Mello e Souza está realizando e que esperamos que tenha uma continuidade consistente, apontando alternativos caminhos para o teatro nacional.

Epa! Estudos Para Quase Nada.
De 07 a 23 de agosto
Sala Multiuso do Espaço Sesc

Direção e concepção: Fabianna de Mello e Souza
Dramaturgia: Keli Freitas
Interpretação: Fabianna de Mello e Souza, T0maz Nogueira e Miguel Gama

Fotos: Ricardo Gama

 


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