Crítica: Eu Não Faço a Menor Ideia do que eu Tô Fazendo Com a Minha Vida


 

Nessa crise criativa pela qual passa o cinema nacional, aonde temos grandes produções com zero de conteúdo, Matheus Souza vem sendo uma das raras exceções que caminha no sentido oposto, aonde desde seu primeiro filme “Apenas o Fim”, tem feito cinema com pouco orçamento, poucos personagens, poucos cenários, centrado seu êxito artístico nos seus atores e principalmente no seu roteiro. Assim voltou a acontecer com “Eu não Faço a Menor Ideia do que eu tô Fazendo Com a Minha Vida” que está neste momento em cartaz nos cinemas.

Clara(Clarice Falcão) acabou de entrar para a faculdade de medicina, seguindo uma tradição familiar composta por médicos, oftalmologistas, dentistas e afins. Mata aula desde o primeiro dia, repleta de angustias e dúvidas existenciais. Inicia uma vida paralela nas suas manhãs(aonde deveria estar em sala de aula) ao lado de um rapaz que conhece durante seu ócio, Guilherme(Rodrigo Pandolfo), que passa a tentar ajudar Clara a achar um rumo em sua vida.

Eu Não Faço A Menor Ideia do que eu Tô Fazendo com Minha Vida” consegue em meio a um roteiro, que em determinados momentos até me fez lembrar uma certa atmosfera do cinema argentino,  mesclando ótimas sacadas com toques de amargura, mostrando o vazio existencial que lá fundo existe um pouco dentro de todos nós, em meio à nossas dúvidas e incertezas sobre o que estamos de fato fazendo com nossas vidas, das decisões equivocadas que em algum momento tomamos quando nos encontramos nas encruzilhadas. Apesar da amargura, não é um filme down, ele cativa, graças ao carisma de Clarice Falcão e diverte com as tiradas do roteiro, como por exemplo quando Clara se vira par ao avô(Daniel Filho) e solta: “Vô, você foi a única pessoa que fez escolhas piores que o Nicolas Cage”, ou mesmo uma debochada referência ao tédio existencial de “Árvore da Vida”, de Terence Malick.

Matheus Souza mostra com “Eu Não Faço A Menor Ideia do que eu Tô Fazendo com Minha Vida” que não é preciso captar milhões pelas Leis de Incentivo à Cultura para se fazer humor de qualidade. Às vezes uma câmera na mão e uma ideia na cabeça já são o suficiente para se fazer um filme engraçado, inteligente e que não deprecia a capacidade do espectador.


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