Crítica: Hilda e Freud


 

hilda e freud19_Bel Kutner e Antonio Quinet_foto Flavio Colker

Por Renato Mello.

Foto: Flavio Colker.

Até o dia 4 de maio o Teatro Maison de France apresenta o espetáculo “Hilda e Freud”, escrito por Antonio Quinet, que também assina a direção em conjunto com Regina Miranda.

O espetáculo propõe um mergulho no mundo da poeta Hilda Doolittle(Bel Kutner) a partir de suas sessões de análise com Sigmund Freud(Antonio Quinet) em plena efervescência da Viena da década de 30 sob a ascensão do Nazismo. Como aponta sua sinopse oficial, “O público mergulha no mundo onírico da escritora e acompanha as intervenções geniais do inventor da psicanálise. Uma ‘relação de amor em versos livres’“.

Psicanalista de formação e profissão, Antonio Quinet tem notoriamente pleno domínio do universo que retrata, porém a opção de seu percurso narrativo é irregular. Durante seus 25 minutos iniciais praticamente limita-se a apresentar os personagens, direcionando o olhar do público ao invés de deixa-lo liberto para que os descubra por conta própria. Um artifício que empobrece a dramaturgia e que teve como resultado prático afastar já no começo da apresentação o espectador da história narrada. Com um  espetáculo de 1 hora de duração, precioso percentual de tempo é desperdiçado em detrimento de um maior desenvolvimento cênico. A partir do momento em que centra sua ação na relação médico/paciente desenvolve-se melhor como teatro, mas sem atingir uma maior aproximação devido a uma representação fria, agravada pela ausência de uma interação entre os atores.

Bel Kutner atinge densidade e aprofundamento satisfatórios, extravasando as emoções de seu personagem numa altura adequada, utilizando bem recursos expressivos e gestuais, porém limitada pela ausência de um maior suporte de seu companheiro de cena.  Antonio Quinet  parece deslocado e sem lograr uma maior representatividade ou presença física, com uma movimentação mecânica e sem uma interiorização satisfatória na sua composição de Sigmund Freud.

A direção do Antonio Quinet e Regina Miranda demonstra-se sem capacidade para adequar uma linha de atuação comum para seus atores, que parecem por vezes estarem atuando em diferentes espetáculos. Igualmente falham na fluidez e no ritmo do espetáculo, deixando-o em alguns momentos um pouco arrastado.

A concepção cênica de Antonio Quinet e Regina Miranda busca uma linguagem na exploração de projeções como representação do inconsciente, trazendo alguma contribuição para o universo retratado pela boa cenografia de Analu Prestes. A iluminação de Tiago e Fernanda Mantovani acerta na marcação dos momentos dramáticos e realça com competência as opções cenográficas. Beto de Abreu acerta com um bonito figurino muito bem ajustado à época e ao perfil dos personagens.

FICHA TÉCNICA
Texto: Antonio Quinet
Elenco: Bel Kutner e Antonio Quinet
Direção: Antonio Quinet e Regina Miranda
Direção de arte e cenografia: Analu Prestes
Videocenografia: Mídias Organizadas
Iluminação: Fernanda Mantovani e Tiago Mantovani
Trilha Sonora: Regina Miranda sobre a obra de Rodolfo Caesar, Alberto Iglesias e Philip Glass Ensemble
Figurino: Beto de Abreu
Visagismo: Uirande Holanda
Preparação vocal: Rose Gonçalves
Fotografia: Flavio Colker
Programação visual: Mary Paz
Assessoria de imprensa: Lu Nabuco Assessoria em Comunicação
Comunicação em mídias sociais: Radha Barcelos
Direção de produção: Alice Cavalcante
Assistência de produção: Luísa Reis
Co-produção: Sábios Projetos e Atos e Divãs
Realização: Cia Inconsciente em Cena

Serviço
Espetáculo: Hilda e Freud
Estreia: 04 de março
Temporada até 27 de março
Horário: Sex e sáb às 20h dom às 18h
Local: Teatro Maison de France – Av. Pres. Antônio Carlos, 58 – Centro, Rio de Janeiro
Bilheteria: ter a dom a partir de 13h30
Ingressos: sexta R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia) / sáb e dom R$70,00 (inteira) e R$ 35,00 (meia)
Duração: 60 minutos
Gênero: Drama
Classificação: 12 anos
Capacidade do Teatro: 353 lugares

 


Palpites para este texto:

  1. Nesse final de semana, vi essa peça aqui em Vitória – ES. A peça não tem que, nem por que. É o fim da picada de sem rumo, parece mesmo uma terapia com um péssimo analista!!

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