Crítica: Irajá Gastro


 

 

Aberto há cerca de um ano, o Irajá Gastro ganhou em pouco tempo certa notoriedade e deferência no circuito gastronômico, se tornando uma referência entre o que melhor se tem na cidade. Há algum tempo ele aguçava minha curiosidade, que consegui finalmente matá-la.

Localizado numa simpática e antiguíssima casa em Botafogo, tombada pelo patrimônio histórico, na rua Conde de Irajá,  área do chamado Polo Gastronômico de Botafogo, que como já disse em um post anterior, acho muito mais simpático, eclético e melhor do que o tão incensado e badalado Polo Gastronômico do Leblon.

Ao fazer a reserva por telefone, nos informaram que o horário limite da reserva era às 20 horas e que às 20:15 já começariam a chamar a fila de espera. Chegamos pontualmente às 20 horas. A entrada é por um corredor lateral, aonde vamos através de janelões passando pelos ambientes da casa, como uma aconchegante ante-sala com cadeiras e sofás bem confortáveis, com algumas mesinhas aonde já era possível ver pessoas fazendo alguma degustação. Seguindo pelo mesmo corredor vamos passando pela cozinha até chegarmos ao salão principal.

Não é grande, o total do Irajá Gastro são 55 lugares, mas o ambiente é de extremo charme e bom gosto. O Projeto arquitetônico é assinado por Maurício Nóbrega, colocando a cozinha como o coração do ambiente, aonde temos obrigatoriamente que passar, observando-a pelo janelão, como se o chef estivesse nos dando as boas vindas. O salão principal se localiza nos fundos, no que seria anteriormente o pátio da casa, com um enorme pé direito, com um lindo jardim de inverno e composto por belos móveis, de ótima qualidade e sem a chance de termos, aquilo que mais me irrita em restaurante, mesas que balançam(parece uma praga, porque em todo restaurante que vou, sempre escolho a mesa bamba. Bem, na verdade tenho TOC com mesa bamba), mas acho que não corro esse risco no Irajá. Você chega e se sente bem naquele ambiente.

Em pouquíssimo tempo pude constatar que minha reserva foi providencial, aparecer ali sem tê-la feito pode ser uma roubada, pois às 20:20 já havia um público considerável aguardando vagar uma mesa, o que não deve ser muito rápido em se tratando de um restaurante de pequenas dimensões.

A cozinha é comandada pelo chefe Pedro de Artagão, que começou com o chef José Hugo Celidônio, passando pelas cozinhas de Flavia Quaresma e Rolland Villard. A especialidade é a cozinha contemporânea e não é uma boa ideia solicitar modificações nos pratos, pois como o próprio site do restaurante diz:

“Optamos por não fazer! Nossos pratos são o resultado de meses de testes e estudos para atingir o resultado proposto, por isso pedimos a compreensão dos nossos clientes. Dêem-nos a oportunidade de mostrar o nosso melhor!!!!”

Observando o cardápio faz sentido a observação acima, é um cardápio bastante enxuto, mas de extrema originalidade nas suas criações. Dividido em 3 partes: os “Primeiros”, “Segundos” e “Terceiros”, traduzindo: entrada, prato principal e sobremesa. Claro que há os petiscos, uma boa carta de vinhos e para as mulheres, uma boa leva daqueles drinks coloridos que a mulherada adora. Adriana pediu o drink Sex on Ipanema Beach.

Na “Primeiras” a Adriana optou pelo pão de queijo de tapioca, coulis de damasco. Eu fui no pão do dia e seleção de manteigas: nori, poivre e tomates. O tal pão de queijo, deu para notar que era bastante solicitada, devido a enorme quantidade de vezes que vi passar, inclusive nessa semana causou até celeuma na coluna “Programa Furado” do Globo em que uma leitora reclamava ter pedido para acrescentar uma pão de queijo na porção de três, no que o restaurante teria argumentado que seriam “três ou seis, quatro nunca”. Bem, quanto ao pão de queijo, segundo a Adriana estava maravilhoso, tanto que até no dia seguinte ainda falava nele. O meu pão do dia, veio um enorme pão caseiro, pelando, fresquinho, delicioso. O garçom deu um soco nele e abriu-se em dois pedações. A seleção de manteigas eram notadamente artesanais, com um gosto um pouco apimentado, que pode não agradar a todos. Para o meu paladar estavam boas.

Como prato principal a Adriana optou pelo caramella alla bufula, pomodoro e basílico e eu fui de Entrecote Black Angus “Oswaldo Aranha”. O meu Entrecote veio lindo! Porém devo informar que o ponto da carne não é de agrado de almas sensíveis que não gostam de carne mal passada, como a Adriana, que segundo ela estava cru! Mas devo dizer que para meu gosto pessoal estava perfeito, saborosíssimo. Demorei para entender a denominação de Oswaldo Aranha, mas a graça estava na recriação do chef Pedro de Artagão do tradicional prato típico dos frequentadores de restaurantes do Centro da Cidade. Com a ajuda e a boa vontade do garçom, consegui entender o que a principio parecia ser apenas uma farofa por cima do Entrecote era na verdade farofa e batata misturados e triturados. Já o arroz se apresentava em forma de creme de arroz, que circundava a carne. O conjunto estava maravilhoso, no melhor estilo Lavoisier, “nada se perde, nada se ganha, tudo se transforma”. Adriana também elogiou bastante sua massa caramella ala bufula, tudo perfeito, segundo suas palavras.

Reparei ainda que um prato bastante pedido era o Irajá Burguer: 100% black angus, queijo minas, cebola confit, compota de bacon e batata frita. Realmente parecia apetitoso e o tamanho da carne era generoso, Só não consegui entender como conseguem derreter o queijo minas, mas deu vontade de me aventurar por aquelas áreas numa próxima oportunidade.

foto do meu bolo quente de brigadeiro

De sobremesa ambos pedimos um bolo quente de brigadeiro. Ele chegou numa tigela com 2 colheres. Havia uma camada de brigadeiro por baixo, sobreposto pelo pedaço de bolo quente, sobre o qual o garçom despeja um copo de creme de baunilha. Divino!

O leitor mais atento deve ter percebido a quantidade de adjetivos e superlativos utilizados nesse texto: simpática, antiquíssima, saborosíssimo, maravilhoso, apetitoso, divino, charmoso, lindo. O Irajá Gastro é o lugar correto para adjetivos e superlativos, aonde pude fazer uma excelente incursão no terreno do que há de melhor na gastronomia carioca.

Vale informar que tem serviço de valet. Quanto ao preço, me preparei para algo entre R$ 280,00 a 320,00. Mas ficou em R$240,00(2 pessoas e como bebida alcoólica apenas 1 drink) para fecharmos uma ótima noite.

Endereço: Rua Conde de Irajá 109 – Botafogo
Reserva: (021)2246-1395


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