Crítica: Juvenal, Pita e o Velocípede


 

JUVENAL, PITA E O VELOCÍPEDE (Divulgação) © Renato Mangolin 010

Por Renato Mello.

Uma encantadora e original proposta de espetáculo infantil está sendo apresentada no Centro Cultural Justiça Federal, “Juvenal, Pita e o Velocípede”, cuja temporada acontece até o dia 13 de setembro.

Juvenal, Pita e o Velocípede” é a prova viva do poder que uma boa história, mesmo que singela, tem o poder de cativar por inteiro durante quase 1 hora tanto crianças, quanto adultos, através da eloquência de uma boa comunicação, levando a todos numa viagem lúdica para dentro do universo de um menino de 5 anos, Juvenal(Eduardo Almeida), que adora brincar com o velocípede construído por seu tio. Nessa sua viagem por distantes mundos pilotando seu velocípede, acaba conhecendo Pita embaixo de um cajueiro. Passam a se tornar amigos inseparáveis, o que acaba justamente por nos levar aquele teatro, nós e Juvenal a esperar a presença de Pita. Mas ela sempre se atrasa…

A direção é de Cadu Cinelli, integrante do grupo Tapetes Contadores de História, responsáveis por um dos mais belos trabalhos voltados ao público infantil e que tem uma rara capacidade de levar seu público a lindos voos imaginários pelos lugares longínquos do planeta, como ocorreu com o espetáculo que apresentaram em março na Caixa Cultural “Shtim Shlim – O Sonho de um Aprendiz”, que em minha opinião foi um das melhores apresentações infantis que pude ver esse ano(e olha que vi muita coisa!). Toda essa técnica dos Tapetes Contadores de História foi utilizada enorme habilidade por Cadu para realizar a construção de “Juvenal, Pita e o Velocípede”, transformando-o numa belíssima apresentação, que considero atualmente o que de mais interessante está sendo apresentado ao público infantil no Rio de Janeiro.

Cadu Cinelli necessita de pouquíssimos elementos para essa construção. Um excelente ator e um velocípede. O resto é puro exercício de criatividade a ser explorado do lindo texto escrito por Cleiton Echeveste.

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De início somos conduzidos para o exterior do belo prédio da Justiça Federal e levados até os fundos do terreno. Entramos na sala de teatro pela parte de trás, pela sua coxia e ali mesmo ficamos, ainda no palco. Instalamos-nos em cadeiras ou almofadas pelo chão, em posição contrária ao que seria convencional, virados de frente para o que deveria ser o nosso lugar da platéia, em total inversão, dando-nos uma perspectiva que raramente podemos encontrar numa sala de teatro. Enquanto vamos tomando conta do espaço, na beira do palco, de costas para nós e de frente para o vazio da platéia, está Eduardo Almeida. Começa então nossa viagem pela história que Juvenal tem para nos contar.

Eduardo Almeida tem uma atuação impressionante em diversos sentidos. Seja pela sua empatia e presença, seja pelo estupendo trabalho tanto de expressão corporal(ótimo trabalho de Jan Macedo na preparação de movimentos e preparação corporal) quanto vocal, pela entrega e transformação física que realiza para incorporar o menino Juvenal, raspando a cabeça, deixando crescer a barba, furando a orelha e acrescentando uma infindável quantidade de tatuagens provisórias pelas mais diversas partes do seu corpo. Eduardo possui uma ótima fluência narrativa e carisma, bastando-lhe poucos minutos para carregar todos os presentes para dentro de seu mundo. Uma das mais contundentes e expressivas atuações do ano.

O trabalho de Ricardo Lyra Jr como iluminador também merece ser destacado, dando importante realce na criação das cenas, bonitos efeitos visuais e em determinados momentos interage com público e ator. Assim como é necessário ressaltar a direção musical de Rudi Garrido na construção da atmosfera mágica.

Juvenal, Pita e o Velocípede”, um espetáculo infantil com a capacidade de levar momentos de grande prazer através de uma linda história, que reúne adultos e crianças numa ansiosa espera por essa amiga que o Juvenal nos faz íntimos, a Pita. Mas ela sempre se atrasa…

1.1

Serviço:
JUVENAL, PITA E O VELOCÍPEDE (Divulgação) © Renato Mangolin 022Centro Cultural Justiça Federal
Endereço: Avenida Rio Branco, 241, Cinelândia – Centro
Informações: 3261-2550
Site do CCJF: www.ccjf.trf2.jus.br
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Temporada: de 04 de julho a 13 de setembro de 2015
Atenção: Não haverá espetáculo nos dias 25 de julho e 29 de agosto
Dias e horários: Sábados e domingos, às 16h
Duração: 55 minutos
Classificação: livre. Recomendando para crianças acima de 6 anos
Lotação: 88 lugares

Ficha Técnica
Elenco: Eduardo Almeida
Direção: Cadu Cinelli
Dramaturgia: Cleiton Echeveste
Figurino e Cenário: Daniele Geammal
Iluminação: Ricardo Lyra Jr.
Direção Musical: Rudi Garrido
Direção de Movimento e Preparação Corporal: Jan Macedo
Visagismo: Francisco Leite
Construção do Velocípede: Garlen Bikes e Marcelo Huguenin
Pintura de arte do velocípede: Renato Marques
Design Gráfico: Fernando Nicolau
Fotografia: Renato Mangolin
Assistência de Produção: Lucimar Ferreira
Produção: André Roman e Eduardo Almeida
Realização: Pandorga Companhia de Teatro, Pita Produções e AR Produções

​Assessoria de imprensa do espetáculo
Bianca Senna
bianca@astrolabiocom.com.br

Paula Catunda
paula.catunda@gmail.com​


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