Crítica: Meu Deus!


 

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Por Renato Mello.

3-estrelas-valendoMeu Deus!”, texto escrito em 2011 pela israelense Anat Gov, no original “Oh My God!”, traduzido para os palcos brasileiros por Eloísa Canton e dirigido por Elias Andreato, se encontra atualmente em cartaz com casa lotada todas as noites(com direito à sessões extras) no Teatro dos 4, Shopping da Gávea, após  uma igualmente exitosa temporada no Teatro Faap em São Paulo.

O texto de Anat Gov(precocemente falecida em 2012) narra durante aproximadamente 80 minutos um inusitado embate entre Deus, ele mesmo, aqui personificado na figura de Dan Stulbach e uma psicóloga, Ana(Irene Ravache). Deus, em meio a uma crise de depressão que já dura uns 2000 anos, procura ajuda profissional para desabafar suas angústias e desilusões que lhe acompanham nesses últimos milênios.

A ideia de materializar Deus numa forma terrestre, com sentimentos próprios dos humanos não é algo original e não quer dizer que seja inválido. Um nome que vem facilmente na minha cabeça é George Burns na comédia “Alguém Lá em Cima Gosta de Mim”, com direito até a John Denver em cena. Mas obviamente que não tem nenhuma relação com essa peça, que embora tenha seus momentos cômicos e irônicos, “Meu Deus!” nem de longe pretende ser uma comédia rasgada, procura colocar em cena alguns momentos de profundidade e reflexão.

Ao abrir as cortinas nos deparamos com um lindo cenário, criação de Antônio Pereira Júnior. Uma sala de estar, sem ser luxuosa, mas belissimamente decorada com móveis de boa qualidade, quadros de bom gosto e ao fundo um lindo jardim. Numa cadeira um jovem com ar um tanto estranho toca violoncelo(Pedro Carvalho). É o suficiente para em segundos podermos estabelecer os parâmetros de que mundo estamos observando. Um ambiente típico de uma elite intelectual, com acesso as melhores universidades e bom poder aquisitivo, mas que não está necessariamente no topo da pirâmide social.

Esse é o universo de Ana.  Como todo psicólogo, carrega consigo um manancial pessoal de sofrimentos, dores e frustrações mal resolvidas. Mas com formação intelectual e profissional adequada para o tamanho da responsabilidade com os problemas da vida alheia que seu trabalho lhe obriga. Irene Ravache tem o perfil adequado para viver tal personagem. Atriz experiente, talentosa e dona de forte personalidade. Conhece todos os segredos de um palco de teatro e sabe impor o tom correto, seja no calor da discussão, nas tiradas de humor ou no despejo do sarcasmo. Os bons diálogos da peça tornam-se mais agradáveis e bem ditados quando saem de Irene. Sem dúvida uma das maiores atrizes do teatro nacional contemporâneo.

Dan Stulbach, Deus, tem boa atuação. De início estranhei um pouco a opção na sua impostação de voz, mas aos poucos a boa fluidez do diálogo e no desenrolar do seu confronto com Irene Ravache, fui aos poucos assimilando o tom escolhido.

Embora exista uma qualidade nos diálogos e uma agradável presença do nonsense, o roteiro não consegue fugir de um caminho um tanto óbvio que se espera dessa peça a partir do momento que tomamos ciência da história que nos vai ser apresentada. O roteiro é bom, mas faltou um pouco mais de profundidade, ficando uma sensação um tanto vazia no que estava sendo discutido. Assim como a direção de Elias Andreato, que é correta, mas sentimos pouco a presença do seu pulso, ficando sua direção um tanto discreta.

Meu Deus!” é um bom espetáculo, mas que careceu de certa personalidade e força. Se tinha o objetivo de buscar uma profundidade maior, fracassou. Mas isso não impede que o público, de uma maneira geral, saia do teatro com a sensação de ter assistido uma agradável discussão sobre a existência humana e divina.

Horário: Quintas e Sextas às 21h30, Sábados às 19h e 21h30, Domingos às 18h30
Temporada: 08 de Agosto a 28 de Setembro de 2014
Classificação: 12 anos
Duração: 80 minutos

Ficha Técnica:
Texto: Anat Gov
Adaptação: Jorge Schussheim
Tradução: Eloísa Canton
Versão: Célia Regina Forte
Direção: Elias Andreato
Elenco: Irene Ravache, Dan Stulbach e Pedro Carvalho
Cenário: Antônio Ferreira Júnior
Figurino: Fause Haten
Iluminação: Wagner Freire
Trilha Sonora: Jonatan Harold
Design Gráfico: Vicka Suarez
Produção Rio de Janeiro: Bianca de Felippes
Administração: Magali Morente
Produção Executiva: Kátia Placiano
Coordenação de Projetos: Egberto Simões
Produtoras: Selma Morente e Célia Forte
Realização: Morente Forte Produções Teatrais


Palpites para este texto:

  1. Exitosa – neologismo criado por Salomão Ésper da radio bandeirantes.Uma pílula de cultura inútil se fez necessária.

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