Crítica: O Grande Sucesso


 

 

Foto: Priscila Prade

Foto: Priscila Prade

Por Renato Mello

No momento que escrevo este texto paira a incerteza se “O Grande Sucesso” completará sua temporada no Teatro Clara Nunes. Não me estenderei sobre o tema além deste preâmbulo. Não o farei em respeito aos atores e produtores envolvidos que não merecem que o olhar crítico se desvie das questões artísticas. Mas quero deixar expresso minha irrestrita solidariedade com a produção(igualmente com  “Renato Russo, o Musical”) pelos problemas enfrentados e repudiar veementemente o modo como alguns teatros, que cobram os aluguéis mais caros do Brasil, são administrados com intuito meramente mercantilistas e sem se valer de sua real função de abrigar a nobreza de se fazer arte. Já expus minha opinião numa rede social e quem quiser mais detalhes sobre o que me refiro pode acessar o blog “Teatro em Cena(AQUI), em que Leonardo Torres já se debruçou com fidelidade sobre o acontecido.

Dito isso, vamos falar do que realmente importa.

Segundo aponta sua própria sinopse oficial, “O público, acompanha os bastidores de um espetáculo que está acontecendo há três horas. Na coxia, o elenco discute sobre o sucesso e o fracasso da obra apresentada, do ator protagonista Patrick Emanuel e levantam uma série de questões filosóficas, hipotéticas e metafísicas que vão muito além do universo teatral. Entre uma coisa e outra, cantam e dançam”.

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Foto: Priscila Prade

O Grande Sucesso” tem texto e direção assinados por Diego Fortes, mas apesar da autoria percebe-se um aceno coletivo sobre seu impulso de criação. A proposta revela-se bastante solidificada e complementa-se de maneira satisfatória ao desvendar um aspecto lúdico nas relações travadas nos cantos ocultos ao olhar público, aonde feições mais originais se sucedem, as ilusões e frustrações ganham contornos vivos em relação ao que ocorre na peça teatral que se passa à margem, cuja encenação não vemos, apenas imaginamos, invertendo toda uma lógica. Seu desenvolvimento dramatúrgico mantém-se íntegro e se nega a reducionismos estreitos, mas está longe de fechar-se em castas herméticas.

O resultado final é positivo, apesar de um transcurso oscilante ao ponto de chegada. A narrativa ultrapassa um pouco além da curva dramática, deixando situações redundantes e pagando seu preço pelo alongamento além do necessário. A direção de Diego Fortes constrói uma atmosfera onírica que se coaduna com acerto na proposta, desenha boas cenas e faz um trabalho consistente de movimentação que imprime dinâmica à encenação, sabendo dosar as pausas, a altura do humor e dissipando pela ambientação uma fluência reflexiva.

O elenco composto por Alexandre Nero, Carol Panesi, Edith de Camargo, Fernanda Fuchs,  Fabio Cardoso, Eliezer Vander Brock, Marco Bravo, Rafael Camargo, com participação de Fernando Trauer e Thomas Marcondes apresenta-se com boa desenvoltura tanto no jogo coletivo como nas individualidades, com intepretações bem equilibradas e um trabalho corporal muito bem realizado(méritos para a preparação de Carmen Jorge).

Foto: Priscila Prade

Foto: Priscila Prade

A direção musical de Gilson Fukushima a abarca capacidade melódica, tanto no aspecto instrumental quanto vocal do elenco para ampliar a comunicação narrativa, embora por vezes esbarre em composições que acrescentam-se com relativismo à dramaturgia.

A intervenção cenográfica de Marco Lima tem papel preponderante na composição cênica, desnudando o palco do teatro e seu entorno. O visagismo de Wilson Eliodorio e Junior Mesquita, assim como os figurinos de Paula Accioli compõem com inventividade a ambientação proposta por Diego Fortes, com importante função no processo de composição física dos personagens. O desenho de luz de Nadja Naira ajusta a altura das propostas inseridas nos quadros de cena do diretor.

 “O Grande Sucesso” é uma proposta que foge ao senso de obviedade, não faz concessões de apelos simplistas e desafia os riscos para se consolidar como um espetáculo de méritos artísticos sinceros.

Espero que consiga daqui em diante encontrar teatros seguros para aportar com sua arte.

Foto: Priscila Prade

Foto: Priscila Prade

Ficha Técnica

Elenco
Alexandre Nero
Carol Panesi
Edith de Camargo
Fernanda Fuchs
Fabio Cardoso
Eliezer Vander Brock
Marco Bravo
Rafael Camargo

Participação
Fernando Trauer
Thomas Marcondes

Interlocução artística – Alexandre Nero

Texto e Direção: Diego Fortes
Direção Musical: Gilson Fukushima
Direção de Movimento e Coreografia: Carmen Jorge
Consultoria dramatúrgica : Luci Collin
Design de Luz: Nadja Naira
Cenografia: Marco Lima
Figurino: Karen Brusttolin
Confecção de figurinos e adereços: Paula Accioli
Visagismo: Wilson Eliodorio e Junior Mesquita
Fotografia: Priscila Prade

Direção de Produção: Priscila Prade
Produção Executiva: Bila Bueno

Diretor de palco: Fernando Trauer
Assistente de Produção: Thomas Marcondes
Roadie: Marcos Franco
Operador de Som: Arthur Ferreira
Microfonista: Douglas Fernandes
Operador de Luz: Ari Nagô
Construção de cenário: Fernando Brettas  |   ONO-ZONE Estúdio
Assistente de figurino: Fernanda Tolen e Ivy Gabriel
Assistente Visagismo: Max Lima
Camareira: Rosa Passe

Assessoria de Imprensa: Barata Comunicação
Assessoria Jurídica: Francez e Alonso Advogados
Gestão de projeto e lei de incentivo: Daniela Brusco | O Bixo Produção Cultural
Financeiro: Maristela Marino

Projeto Gráfico e Estratégia Digital: Gigi Prade e Murilo Lima
AudioVisual: Anderson Raione H5 Films

Realização: Super Amigos Produções Culturais e Ministério da Cultura
Patrocínio : VIVO ENCENA apresenta, Patrocínio VIVO , PORTO SEGURO e  ALFOO


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