Crítica: O Musical Mamonas


 

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Por Renato Mello.

Após temporada de sucesso em São Paulo, “O Musical Mamonas” aporta no Rio de Janeiro para temporada prevista até o dia 28 de agosto no Theatro Net Rio, antes de partir numa excursão para várias capitais brasileiras.

Analisando friamente a partir de sua organicidade, “O Musical Mamonas” está longe de ser um dos melhores exemplares do gênero, porém complementa-se como arte a partir do momento que é plenamente coerente com sua proposição: um musical alegre, dinâmico e contagiante.

Com direção de José Possi Neto a partir de dramaturgia assinada por Walter Daguerre, o espetáculo faz um mergulho nostálgico na meteórica trajetória do irreverente conjunto musical que foi alçado ao mais alto patamar midiático em todo o Brasil através da irreverência tanto de suas músicas, quanto da personalidade de seus integrantes.

O texto de Walter Daguerre inicia sua narrativa inserindo os 5 integrantes dos Mamonas Assassinas num espaço etéreo remetendo ao purgatório, aonde recebem a missão de criarem um espetáculo que retrate seu percurso artístico. A partir desse pressuposto básico, a narrativa faz um retorno no tempo brincando com as técnicas narrativas e  compartimentando-se  em 2 atos bem demarcados, porém irregulares entre si em sua fluência. O 1º ato tem uma maior qualidade dramatúrgica ao compor um delineamento da formação da banda, suas influências, a conceptualização e amadurecimento de um formato, enquanto o 2º ato apresenta uma maior intensidade cênica retratando o apogeu, com mais contundência no repertório que consagrou a banda, mas apresenta um desnível dramatúrgico em comparação ao primeiro, embora contagie mais o público por uma maior concentração dos sucessos musicais.

José Possi Neto criou uma idealização que aposta na comunicabilidade direta e é bem-sucedido em sua intenção, compondo quadros vigorosos e boas soluções cênicas, em especial a boa sacada retratando o vale-tudo pela audiência entre Faustão e Gugu em que os Mamonas foram uma espécie de joguete. A estética proposta igualmente contribui para um resultado final potente visualmente a partir da inserção da idealização cenográfica de Nello Marrese, que joga um papel determinante para a manutenção da pulsação, com cenários que vão contrapondo-se ao longo da apresentação e reformando a ambientação de modo que impede uma oscilação na dinâmica, valorizado pela iluminação criada Wagner Freire.

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O elenco formado por Ruy Brissac(Dinho), Adriano Tunes(Julio), Yudi Tamashiro(Bento), Elcio Bonazzi(Samuel) e Arthur Ienzura(Sérgio) é um dos aspectos mais destacáveis, em que além da adequação física aos respectivos papéis, todos fazem um bom trabalho de representação. Ruy Brissac é sem dúvida o grande destaque com uma excelente composição física e corporal, além da articulação física, que compõem uma atuação de alto apuro técnico. Outro destaque é Patrick Amstalden, que representa diferentes papeis, com mais contundência no papel do produtor Rick Bonadio, demonstrando expressividade, presença cênica e com um bom resultado quando se apóia no humor. O elenco se completa com Rafael Aragão, Vanessa Mello, Nina Sato, Gabriela Germano, Maria Clara Manesco, Marco Azevedo, Reginaldo Sama, Bernardo Berro e Andre Luiz Odin.

A direção musical de Miguel Briamonte explora com competência a musicalidade dos Mamonas Assassinas e do cenário musical dos anos 90, com arranjos sólidos e sem refutar-se a um trabalho de recriação.

Os figurinos de Fabio Namatame utilizam com competência as formas e cores para traçar uma gradação adequada para a atmosfera planejada por José Possi Neto.

O Musical Mamonas” não se pretende levar a sério nos moldes do classicismo musical. Sua proposta é simplesmente deixar uma lembrança alegre e carinhosa de uma das mais carismáticas bandas da década de 90. Analisando por essa ótica, seu resultado final é bastante positivo.

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ESTREIA E TEMPORADA: Ingressos a partir de 7 de julho:
Platéia: R$120,00 / R$60,00 – Balcão I:R$100,00 /R$50,00-
Balcão II:R$50,00 / R$25,00 Frisa: R$120,00 /R$60,00

Ficha Técnica:
Texto – Walter Daguerre
Direção Geral – José Possi Neto
Direção Musical – Miguel Briamonte
Elenco
Ruy Brissac – Dinho/ Adriano Tunes – Julio/ Yudi Tamashiro – Bento
Elcio Bonazzi – Samuel/ Arthur Ienzura – Sergio/ Rafael Aragão – Cover Dinho/ Patrick Amstalden – Rick Bonadio
Ensemble:
Vanessa Mello / Nina Sato / Gabriela Germano / Maria Clara Manesco
Marco Azevedo / Reginaldo Sama / Bernardo Berro / Andre Luiz Odin
Coreografia – Vanessa Guillen
Cenário – Nello Marrese
Figurinos – Fabio Namatame
Designer de Maquiagem e Cabelo – Anderson Bueno
Designer de Luz – Wagner Freire
Designer de som – Gabriel D’Angelo
PRODUTORES ASSOCIADOS – Rose Dalney, Márcio Sam e Túlio Rivadávia
Apresentado por Ministério da Cultura e Banco do Brasil Seguridade.
Patrocinado por Banco do Brasil Seguridade e realizado por MINIATURA 9

ASSESSORIA DE IMPRENSA
Barata Comunicação
baratacomunicacao@gmail.com


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