Crítica: Pipo


 

Inaugurado a relativamente pouco tempo na Rua Dias Ferreira, o Pipo é um projeto interessante de Felipe Bronze, na verdade um boteco moderninho e com um estilo informal, perfeito para se frequentar de bermuda numa tarde de domingo.

Simpático e com uma decoração agradabilíssima, projeto de Miguel Pinto Guimarães. Quem for detalhistas ficará encantado com o ambiente, aonde o estoque fica localizado bem acima da cabeça do cliente, visão total da cozinha e utensílios que são uma graça, desde as panelas na cozinha, aos pratos que nos chegam a mesa. Não há afetação nenhuma, mas percebe-se o detalhismo com que foi pensado o projeto por Felipe Bronze.

Na chegada, design das mesas e cadeiras saltam aos olhos. Porém, a maldição que me  persegue por onde quer que eu vá me atacou: mesa bamba. Quem já leu meus posts sobre gastronomia sabe que tenho TOC com mesa bamba e não tem jeito, sempre sento numa delas. E lá vem o garçom colocar um calço na mesa. Outra coisa que me incomoda muito nesses novos bares, restaurantes, bistrôs e afins é a proximidade da mesa. Sinto-me sem privacidade, sentado praticamente colado na mesa ao lado.

Quanto ao atendimento, os garçons foram extremamente gentis, atentos e presentes o tempo todo, sem termos que ficar horas com o braço estendido implorando por uma migalha do seu olhar. Tinham bom conhecimento do cardápio e sabiam o que sugerir.

O cardápio, impresso em papel de pão sobre a mesa, é enxuto, mas bastante original e criativo. Divido em Entradas, Sanduíches, Pratos(“para compartilhar ou não” como dizia o cardápio) e Sobremesas. Na parte das bebidas, também enxuto, dividido em Drinks(5 tipos), Espumantes, Vinhos e Cervejas.

De entrada pedi pastel de queijo da Serra da Canastra e a Adriana o aipim frito. São 2 pasteis, de bom tamanho num formato fino e comprido, acompanhado de um tempero, a parte, a base de tucupi. Devo dizer que estava delicioso, bela consistência da massa, o queijo um espetáculo e o tucupi dava um gostinho que realçava o sabor. Adriana pediu o aipim frito, aonde veio uma porção, acompanhado de queijo coalho defumado em forma cremosa. A porção a parte também deu uma bela incrementada ao sabor do aipim, que normalmente acho meio sem gosto. Entradas nota 10.

Minhas reticências começam a partir dos pratos e dos sanduíches, com minha também velha discussão nesse espaço sobre a equação Custo X  Benefício. Vamos lá: No cardápio existem 4 opções de sanduíches, um inclusive batizado de “Cervantes”, homenagem a um templo sagrado do melhor sanduíche da cidade, o Bar Cervantes de Copacabana. Lógico, recheado de abacaxi. Não pedi sanduíches, mas vi passar alguns e estavam com uma aparência ótima, mas…daquele tamanhinho. O que considero um tanto abusivo quando olhamos os preços no cardápio que variavam entre R$ 32,0o e R$ 39,00

Tanto eu quanto a Adriana revolvemos ir no Camarão com Catupiry. Como o cardápio usava a expressão “pratos para compartilhar ou não…” perguntamos se deveríamos dividir ou pedir um para cada. O garçom aconselhou a pedir um para cada. O prato chega de maneira extremamente original, num prato no formato daquelas velhas caixas de madeira aonde se vendiam queijo catupiry nos supermercados. O garçom coloca na mesa, tira a tampa…e voilá: Lindo de morrer…mas muito pequeno. As rodelas de camarão vem, obviamente, cobertas por uma camada de catupiry, acrescentado de alho poró e tomate agridoce. Delicioso, mas repito…pequeno. ok, Felipe Bronze pode de repente argumentar que a proposta não é servir pratões substanciosos, mas pequenas porções. Mas quando se cobra R$ 41,00 pela “porção” adquiri-se no meu ponto de vista um ar de exploração. Mas continuo a afirmar, estava bastante saboroso.

De sobremesa, eu pedi a paçoca, que vinha com pé de moleque. Também ótimo. Adriana amou sua palha italiana, que vinha com brigadeiro oro e biscoito.

Fazendo um balanço geral do Pipo, bonito ambiente, ótimo atendimento, comida de primeira. Mas ranheta que sou, bato na tecla do Custo X Benefício, Pagar R$ 213,00 pela quantidade de comida servida, em minha opinião foi caro(incluindo aí uma taça de Bellini). Misturando alhos com bugalhos, fui no dia seguinte ao Rascal, comi como um bovino e paguei R$ 140,00. Lanço a discussão no ar: O que vale mais a pena?

O Pipo é uma interessante novidade na vida gastronômica da cidade, mas com ressalvas de ordens não necessariamente culinárias.

Rua Dias Ferreira, 64, Leblon, ☎ 2239-9322 (48 lugares). 18h/0h (dom. 13h/18h; fecha seg.).

Crédito das fotos: Tomás Rangel – divulgação


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