Crítica: Riso Nervoso


 

Aiye Design e Fotografia

Por Renato Mello

Numa curta temporada na Caixa Cultural do Rio de Janeiro, o grupo paulistano As Olívias apresentou “Riso Nervoso”, em comemoração aos seus 10 anos de atividade, com texto e direção assinados por Michelle Ferreira,  num espetáculo que lança um olhar aos absurdos da vida social através  do humor por ambientes comumente dominados pela presença masculina.

Conforme aponta sua própria sinopse oficial, são “cinco histórias onde figuras comuns são levadas a situações patéticas e absurdas por conta de suas neuroses: Sheila Friedhofer vive uma mulher em crise com o fato de absolutamente tudo dar certo em sua vida; Renata Augusto se vê às voltas com um bizarro curso de treinamento para se adequar ao senso comum; Marianna Armellini encena um dilema em relação à maternidade quando ganha um presente literalmente de grego em seu aniversário; Victor Bittow encarna um homem atormentado pela comparação constante com um amigo de infância bem sucedido;  e Lívia Camargo  é uma mulher avessa à tecnologia que, isolada no mundo real, quer saber o que todos fazem de tão interessante nas redes sociais e, assim, acaba viciada”.

O espetáculo se constrói por uma sucessão de cenas curtas, entre idas e vindas, interrompendo e retornando umas às outras, inteiramente independentes entre si.  É um estilo de proposta que em geral mantenho algumas ressalvas por costumeiros desequilíbrios entre as histórias, embora “Riso Nervoso”, consiga persistir  numa unidade narrativa e harmonização na temperança do seu humor.

No formato de semi-arena do teatro  da Caixa Cultural, a apresentação ocorre num ambiente despido de elementos cenográficos, com os figurinos e adereços  em cabides e araras dispostas atrás do banco em que os atores acompanham a encenação quando momentaneamente se encontram em posição passiva. O processo de composição dos atores é acompanhado pelo público, enquanto Marianna Armellini, Renata Augusto, Sheila Friedhofer, Victor Bittow e Lívia Camargo se revezam e interagem nas várias situações dramatúrgicas propostas demonstrando presença e bom timing, apesar do alcance do humor não atingir a gradação ideal. Os personagens se sucedem em cena num ritmo acelerado imposto pela direção de Michelle Ferreira, ocupando com correção o espaço cênico e com movimentação fluída na exposição das intenções dramatúrgicas. Porém em nenhum momento o espetáculo engrena de fato, resvalando no meio do percurso e não se complementando artisticamente.

Persiste um sentimento que “Riso Nervoso” se alonga um pouco além de sua curva narrativa em razão de algum vazio na essência do seu humor, mas ainda assim o resultado guarda aspectos positivos.

Aiye Design e Fotografia

Ficha técnica:
Dramaturgia e direção: Michelle Ferreira

Elenco: Marianna Armellini, Renata Augusto, Sheila Friedhofer, Victor Bittow, Lívia Camargo e Izabela Pimentel (stand-in).

Iluminação: Ariene Godoy
Cenário e figurino: Anne Cerutti
Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal


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