Crítica RJ: A Vida Passou Por Aqui


 
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Foto: Dalton Valerio

Por Renato Mello

Já se encaminhando para a parte final de sua temporada no Teatro Municipal Café Pequeno, “A Vida Passou Por Aqui” apresenta méritos que precisam ser avaliados mais detalhadamente para compreendermos o canal direto de comunicação que consegue abrir em direção a sua plateia.

Dirigido por Alice Borges a partir de texto escrito pela própria protagonista Claudia Mauro, “A Vida Passou por Aqui” celebra a sincera amizade de dois personagens com origens e perspectivas de vida opostas, entre uma professora e artista plástica(Claudia Mauro) e um contínuo(Édio Nunes), que encontram na afetividade mútua um ponto de apoio comum vivenciado ao longo das décadas.

A dramaturgia de Claudia Mauro foi composta de sua própria experiência de vida e segundo aponta a sinopse oficial, “lança um olhar otimista sobre o envelhecimento e as angústias da vida e da passagem do tempo”. Quando me referi no início deste texto sobre sua capacidade de comunicação, algo que pode soar até pejorativo para “almas artísticas sensíveis”, mas no caso do espetáculo em questão é uma virtude pela sinceridade que se é possível extrair de suas intenções, cuja capacidade de se apoiar na emotividade a partir dos acontecimentos descritos atinge um objetivo que é inerente à proposta desde sua preconcepção, sem precisar apelar por zonas de pieguices para ganhar a cumplicidade do público. Se é possível ouvirmos uma aspiração profunda ecoando da direção da plateia é porque essa se sente atingida por identificações com situações que de algum modo lhes emana alguma referência. É possível notarmos algumas oscilações na linha narrativa, mas ao final o resultado é positivo.

Alice Borges demonstra sensibilidade de moderar a intensidade dramática e evita desvarios por caminhos desequilibrados que uma má leitura do texto poderia conduzir. Compõe bons quadros cênicos, dinâmica coerente com a narrativa e extrai uma combinação eficiente dos seus atores, sendo necessário tecer elogios como modula a emotividade extravasada por Claudia Mauro ao mesmo tempo que solta as amarras para que Édio Nunes cative por inteiro a plateia. Apenas a ressalvar a solução utilizada nas transições, que resultam um pouco desarmônicas e quebram algo da fluência.

Foto: Dalton Valerio

Foto: Dalton Valerio

Claudia Mauro e Édio Nunes se complementam em cena, assim como seus personagens o fazem em suas vidas, lidando de modo diferente com suas cargas físicas e emocionais, Claudia Mauro convence na utilização do corpo e da voz nas idas e vindas do personagem pelo espaço de tempo e consegue mesmo que romper a barreira ator/espectador na cumplicidade que angaria pela verdade contida em sua representação. Édio Nunes tem ótima atuação pela expressividade como o ator explora as nuances do seu personagem,  uso do instrumento corporal e como se movimenta pelo espaço cênico, compondo uma personalidade contagiante, que na verdade serve-lhe como um escudo contra a solidão e amarguras.

Nelo Marrese encontra boas soluções para a quantidade de informações contidas nos cenários e sem causar atabalhoamento no diminuto palco do Café Pequeno, compondo um quadro cenográfico que explora pequenos detalhes de tempos e épocas, desde a televisão de válvula, a vitrola, passando pela evolução do vinil, fita cassete e CD, servindo o mesmo cenário como representação da repartição, da casa da protagonista ou do jardim de um asilo. Os figurinos de Ana Roque adequam com correção os personagens em suas faixas etárias e meios sociais. A iluminação de Paulo Cesar Medeiros se exprime com correção dentro das necessidades dramatúrgicas.

Aspecto destacável a trilha sonora de Claudio Lins e a pesquisa musical de Patrícia Mauro, com opções que acrescentam à composição das cenas e para a evolução da linha narrativa.

A Vida Passou Por Aqui” agrada pela exposição de sentimentos que compõem o retrato de vidas, com suas alegrias fugazes, amizades e afetos.

Foto: Dalton Valerio

Foto: Dalton Valerio

LOCAL: Teatro Municipal Café Pequeno – Av. Ataulfo de Paiva, 269 – Leblon
/ RJ
HORÁRIOS: 20h sextas, sábados e domingos / INGRESSOS: R$40,00 e R$20,00 (meia entrada) / DURAÇÃO: 90 minutos / GÊNERO: comédia dramática / CAPACIDADE: 80 lugares / CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: 12 anos / TEMPORADA: até 18 de dezembro

FICHA TÉCNICA
Texto: Claudia Mauro
Direção: Alice Borges
Diretor Assistente: Marcos Ácher
Elenco: Claudia Mauro e Édio Nunes
Cenografia: Nello Marrese
Figurinos: Ana Roque
Iluminação: Paulo Cesar Medeiros
Trilha Sonora: Claudio Lins
Pesquisa Musical: Patricia Mauro
Coach: Larissa Bracher
Supervisão de Movimento: Paula Águas
Coreografias: Édio Nunes
Atriz Stand in: Renata Paschoal
Assistente de Produção: Luciana Sales
Assistente de Cenografia: Maria Stephania
Assistente de Figurino: Luiz Ikki
Costureira/Modelista: Ateliê Fátima Leo
Designer Gráfico: Marcos Ácher
Fotos: Dalton Valério
Coordenador administrativo Financeiro: Sandra Pedroso
Contabilidade: LCG Assessoria
Produção Executiva: Janaina Santos
Produtoras Associadas: Alice Borges e Claudia Mauro
Produção: Forte Filmes
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany


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