Crítica RJ: Lady Christiny


 
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Foto: Janderson Pires

Por Renato Mello

Em temporada no Teatro Café Pequeno, Leblon, “Lady Christiny” volta ao centro do palco, após apresentação no Sesc Tijuca, para ser mais uma vez ser vivida através da atuação de Alexandre Lino.

Com direção de Maria Maya a partir de texto escrito por Daniel Porto, “Lady Christiny” é um monólogo que vasculha o pensamento, motivações e vida de Celso Marques. Casado e pai de dois filhos que com consentimento da esposa vive um romance com um rapaz, iniciando percurso que o levará a se tornar Lady Christiny, travesti, que quebra os paradigmas da obviedade de sua opção sexual para se revelar uma ardorosa defensora dos valores familiares e conservadores.

O espetáculo se insere dentro de uma proposta de teatro documental, não apenas pelo seu formato direto e de uma visão antropológica, mas até mesmo pela matéria prima que abasteceu a dramaturgia de Daniel Porto a partir do documentário homônimo, dirigido em 2005 pelo próprio Alexandre Lino e que pode ser assistido AQUI.

O monólogo é uma forma de representação teatral que tem seus caprichos, exigindo uma simbiose plena entre dramaturgia, direção e interpretação, sem direito a rede de proteção. Um erro de avaliação ruma-se para o naufrágio. Os segmentos tem que funcionar como um corpo sólido e uno, algo que Daniel Porto, Maria Maya e Alexandre Lino alcançam de forma homogênea e fluída, sem utilizarem elementos dispersivos e com importante contribuição da iluminação de Renato Machado, que aponta um foco central que amplia o sentimento de intimidade entre o público e a representação.

O texto de Daniel Porto mergulha na essência do personagem abrindo distintas perspectivas nas subdivisões de sua narrativa para propor ao público uma construção conjunta do personagem. Brinca com a metalinguagem, busca a compreensão das motivações e jamais julga.

A concepção cênica é composta apenas de uma cadeira e microfone diante do olhar frontal do espectador. Basta! Pouco se usa, muito se atinge. A direção de Maria Maya tende a passar desapercebida para olhares alheios, mas é de extrema precisão para o impacto da encenação. Conduz Alexandre Lino com sutileza e adequação para compor um resultado final exitoso. Alexandre Lino necessita apenas da expressividade do olhar, da técnica vocal e da modulação correta para encontrar  uma interpretação que imprime com sensibilidade a busca de pertencimento por parte do personagem, conseguindo transpor-se acima da  ambiguidade alcançada entre a força e a delicadeza.

Um espetáculo de muita qualidade que compõe um retrato afetivo de tão fascinante personagem.

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Foto: Janderson Pires

FICHA TÉCNICA
Texto: Daniel Porto
Direção: Maria Maya
Elenco: Alexandre Lino
Iluminação: Renato Machado
Direção de Arte: Tatiana Brescia
Programação Visual: Guilherme Lopes Moura
Fotografia: Janderson Pires
Webdesign: Mariana Martins
Videografismo e Assessoria geral: Renato Krueger
Assessoria de Imprensa: Minas de Ideias
Produção Executiva: Equipe Cineteatro Produções
Preparação Vocal: Gina Martins
Idealização e Direção de Produção: Alexandre Lino
Um projeto da Documental Cia.

SERVIÇO
Lady Christiny
Reestreia: 30 de setembro
Local: Teatro Municipal Café Pequeno
Endereço: Rua Ataulfo de Paiva, 269 – Leblon – Telefone – 2294-4480
Horário de funcionamento: De terça a domingo, das 14h às 22h.
Capacidade: 120 Lugares
Preço: R$ 40,00 (Inteira) – R$ 20,00 (Meia)
Temporada: Até 30 de outubro
Horários: De sexta a domingo – 20h
Classificação: 16 anos
Duração: 60 minutos
Gênero: Monólogo Dramático


Palpites para este texto:

  1. Excelente, parabéns

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