Crítica: Roberto Carlos em Detalhes


 

Não foi nada fácil adquirir um exemplar de “Roberto Carlos em Detalhes”, a biografia de Roberto Carlos escrita por Paulo Cesar de Araújo. Como se não bastasse o embargo judicial que vigora sobre essa obra por parte do biografado, ainda fui vítima de um famoso site de compras pela internet.

Paguei uma pequena fortuna pelo livro através do site Mercado Livre. O livro simplesmente não me foi entregue. Fiquei elucubrando sobre se Roberto Carlos teria alguma ingerência, conseguindo interceptar minha mercadoria no meio do caminho. Sei lá, o homem é Rei, né? Bem, se não recebi o livro, a conta, essa sim chegou certinha.  Tentei resolver a questão administrativamente com o Mercado Livre, mas depois de 2 meses de análise por parte dessa empresa, informaram-me que após consultarem os correios, o livro foi recebido por José Adriano. Ah! Tá! Pena que no meu prédio e na minha residência não tenha ninguém com tal nome. Resumo da ópera: fui vítima de ESTELIONATO POR PARTE DO MERCADO LIVRE. Paguei por uma mercadoria que não recebi. Agora a questão será decidida por vias judiciais.

Mas finalmente consegui meu exemplar através da “Estante Virtual”. Paguei mais barato e o prazo de entrega foi cumprido.

Depois de ler “Roberto Carlos, em Detalhes”, fica difícil entender em sã consciência o porquê Roberto Carlos fez tanta questão de sua proibição, a ponto de processar criminalmente o autor. Como recentemente afirmou Paulo Cesar de Araújo em recente palestra que assisti na Casa do Saber(que pode ser lida AQUI), não é de fato um livro de má fé, mas é sim um livro a favor de Roberto Carlos, escrito por alguém que até aquele momento era um grande admirador. Não consegui encontrar algo que possa ser configurado como invasão de privacidade e muito menos aonde o autor “invade o leito conjugal do artista”, como afirmaram os advogados de Roberto no processo judicial. Mas na primeira frase deste parágrafo falei em “sã consciência”, que como é público e notório, não é expressão que hoje em dia possa ser atribuída a Roberto Carlos.

Observando a concepção gráfica do livro, editado pela Planeta, fica-se com a impressão que tinha a ambição de atingir um público além do que compõe o mercado consumidor de livros no Brasil, objetivando claramente em conquistar um público mais arredio ao mundo das livrarias. Talvez tivesse conseguido tal objetivo se não tivesse sido proibido com menos de 2 meses em circulação, aonde chegou a vender 50 mil exemplares, que é um número muito expressivo dentro do mercado editorial brasileiro. O Livro possui dimensões e medidas maiores que a média(quase que um tijolo),  bastante ilustrações, utiliza uma fonte de bom tamanho(que para mim, que estou devendo uma visita ao oftalmologista foi bem confortável de ler, graças ao tamanho das letras) e tem a divisão de seus capítulos utilizando-se de nomes ou versos de canções de Roberto Carlos, como “Daqui pra frente tudo vai ser diferente”, “Amante à moda antiga”, “Todos estão surdos”, etc.

Essa tentativa de alcançar um outro público, fica mais clara no estilo narrativo de Paulo Cesar, utilizando uma linguagem bem acessível, buscando permanentemente referências próximas ou populares para contextualizar suas teses ou histórias.

Eu, particularmente, divido o livro em 2 partes. A primeira bastante empolgante e vigorosa. A segunda parte um tanto arrastada. Mas creio que essa mesmíssima divisão também pode ser feita na vida de Roberto Carlos. O ritmo do livro acabou preso ao compasso da vida do biografado.

A infância em Cachoeiro de Itapemirim, aonde a grande curiosidade geral é sobre o acidente que lhe deixa parte de sua perna amputada. Mas o livro começa a alçar bons voos mesmo a partir da sua saída de Cachoeiro para tentar a sorte como cantor no Rio de Janeiro. A peregrinação pelos bastidores das rádios, as primeiras gravações, a busca de um estilo, mas muito além disso, acaba por retratar um momento de profundas modificações tanto na música como na sociedade brasileira, tudo indo a reboque de Roberto. O momento aonde a rádio começa a perder sua força para a nova indústria da televisão, aonde o estilo de cantar se modifica sensivelmente a partir do “advento João Gilberto”, o declínio da Bossa Nova, o início da Jovem Guarda, os festivais da Record e o começo daquela que seria a mais importante geração da história da música brasileira, com o surgimento de nomes como Chico Buarque, Edu Lobo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Elis Regina, Paulinho da Viola, Renato Teixeira, Dori Caymmi, além de toda a própria geração da Jovem Guarda. Retratando a vida de Roberto Carlos nesse período, acaba por fazer um rico e interessantíssimo painel tanto da música, como da sociedade e do comportamento daquele turbulento período dos anos 60, aonde Roberto Carlos foi figura de proa, amado ou rejeitado, mas nunca gerando indiferença.

Quando começa a retratar sua carreira a partir de meados dos anos 70, o ritmo e o interesse do livro caem. Assim como Roberto Carlos vai se tornando uma figura e um músico tacanhos e medíocres. Cheio manias e superstições, carola, inatingível na sua condição de Rei, óbvio, politicamente correto e rejeitando parte do seu próprio passado. Assim como há quase 40 anos todos seus shows abrem com “Emoções” e se encerram com “Jesus Cristo”, sua vida e sua música se tornam repetitivas e chatas. Longe daquele artista original e revolucionário dos anos 60. O livro entra então numa sucessão de temas que acabam por não despertar maiores interesses, como “Roberto Carlos e os Compositores”, “Roberto Carlos e o Sexo”, “Roberto Carlos e a Religião”. Mas para sorte de Paulo Cesar de Araújo, ainda existe um lugar na história para aquele Roberto Carlos que mandava tudo para o inferno.

Como Paulo Cesar disse em sua palestra na Casa do Saber, só está aguardando a mudança da atual legislação que impede biografias sem autorização do biografado ou de seus herdeiros, para relançar o trabalho, com as atualizações desde seu lançamento em 2007 até os dias atuais. Mas dessa vez bem longe da editora Planeta, que o autor alega tê-lo abandonado no meio do turbulento processo judicial. Até porque, segundo o próprio Paulo Cesar, o acordo judicial de Roberto Carlos foi com a Planeta e não com ele, que promete lançar para breve sua amarga experiência com “Roberto Carlos em Detalhes” no livro que será chamado “O Rei e o Réu“.

Só nos resta aguardar que nossos magistrados no STF se iluminem para jogar por terra uma lei bizarra para que a biografia de Roberto Carlos volte a circular. “Roberto Carlos em Detalhes”, apesar de algumas ressalvas narrativas é um livro sério e honesto. Goste-se ou não de Roberto Carlos, ele faz parte da história da música brasileira.

Paulo Cesar de Araújo autografa para Adriana nosso exemplar


Palpites para este texto:

  1. Li de graça na internet.Jamais compraria.

  2. O livro é sobre um perneta desafinado que a mídia chama de rei. Fim!

  3. Gostei do livro, fala sobre o grande compositor popular de canções que expressam sentimentos românticos, da alma humana. Um cantor que tem o dom de transmitir toda sensibilidade e emoção na voz. Um artista excepcional que faz canções simples, melodiosas e sem frescuras tecnicas. Roberto Carlos, com suas “versões”, certamente deve ter plagiado algumas músicas, o que não tira seu talento natural. É uma pessoa que certamente tem mtos defeitos, mas sua obra na maior parte prega o amor, a fé e a amizade, valores q hj em dia andam meio esquecidos.

  4. Gostei do livro, fala sobre o grande compositor popular de canções que expressam sentimentos românticos, da alma humana. Um cantor que tem o dom de transmitir toda sensibilidade e emoção na voz. Um artista excepcional que faz canções simples, melodiosas e sem frescuras tecnicas. Roberto Carlos, com suas “versões”, certamente deve ter plagiado algumas músicas, o que não tira seu talento natural. É uma pessoa que certamente tem mtos defeitos, mas sua obra na maior parte prega o amor, a fé e a amizade, valores q hj em dia andam meio esquecidos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *