Crítica: Rubaiyat Rio


 

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4-estrelas12Por Renato Mello.

Duas semanas antes havia tentado conhecer a nova filial da Rubaiyat recentemente inaugurada no Rio, mais precisamente no Jockey Club. Ao deixar o carro no valet fui perguntado se tinha reserva. Diante da negativa, alertaram-me que a espera era de 1 hora e meia. Peguei a chave de volta e achei mais lúcido retornar numa outra oportunidade.

Na última 2ª feira, dia 18 de agosto, achei que já era hora de retornar. Agora devidamente precavido com reserva feita.

O Rubaiyat é a 8ª filial da famosa cadeia paulistana, que já possui unidades em cidades como Brasília, Madrid e México, além de ser também proprietária do famoso “Cabaña Las Lilas”, de Buenos Aires, um campeão de buscas e de acessos aqui do Botequim Cultural, apesar de minha ressalva por seu Custo X Benefício e independente de sua enorme qualidade.

varanda

o belo varandão

Ao penetrar no recinto fiquei imaginando o porquê da 1h e 30 minutos de espera do outro dia(apesar de ser um dia de semana). Além de várias mesas à disposição, é difícil imaginar tamanha espera num ambiente de 1550 metros quadrados, sendo 800 só de salão. O ambiente conta com belíssimo projeto arquitetônico e de decoração, assinados por Marcos Perazzo e Miguel Pinto Guimarães. São paredes de tijolos, vidros, decoração com móveis de madeira e ferro, com boa dimensão e espaçamento entre elas. A vista do salão é belíssima, de um lado é possível visualizar as palmeiras imperiais do Jardim Botânico. Mas é do outro lado que mais chama a atenção. Um varandão de tamanho generoso com piso de pedras portuguesas, colado à pista de corridas do Jockey, com uma visão deslumbrante do Rio de Janeiro. Numa tarde ensolarada de 2ª feira poucas coisas são mais inspiradoras. A vontade é ficar ali muito mais que o mero tempo de uma refeição. No final das contas foram gastos R$ 12 milhões no projeto e é possível notar cada centavo(bem) investido.

O convite ao varandão nos foi irresistível. Ali nos instalamos numa mesa de frente para a cidade. Foi-nos apresentado uma cesta belíssima e diversificada de pães, entre integral, italiano, alho, queijo, de nozes.

Vista da minha mesa, localizada no varandão

Vista da minha mesa, localizada no varandão

Por ali circulavam executivos em horário de almoço, numa mesa próxima um grupo grande de conhecidas socialites, numa alegre tarde enquanto gastavam em meio a muitas gargalhadas o dinheiro arduamente amealhado pelos maridos. Mais além, Roberto Irineu Marinho almoçava com seu grupo, regado a vinho da melhor qualidade.

O cardápio, embora não seja dos mais amplos, é diversificado em opções: “saladas”, “entradas, arrozes e massas frescas”, “carnes produzidas pela Fazenda Rubaiyat” e daí em diante.

Enquanto escolhíamos, recebemos o couvert, com vários pães de excelente qualidade, acrescidos de porções de manteiga, salame, mozzarella, azeitona e tomate cereja.

Adriana optou pelo salmão grelhado na brasa com aspargos. Eu fui do bife de chorizo, com batata soufflée e farofa de ovo. Pedi o meu ao ponto. Adriana considerou “um dos melhores salmões da vida”, torradinho por fora e macio por dentro, no ponto perfeito. Veio com 3 opções de molho, como tártaro e alcaparras. Quanto ao meu bife de chorizo, estava bom, mas não era comparável ao que comi no Cabaña Las Lilas. Eram 3 opções de molho, um chimi-churri, um a base de cebolas e um de sal grosso. Experimentei todos, que davam bom sabor a carne, sem ter chegado à conclusão sobre o melhor.

De sobremesa, havia a tentação das famosas panquecas de doce de leite, mas optei pelo quindim, com molho de cachaça e chantilly. Bom.

Em relação ao atendimento, nem sempre os restaurantes paulistanos que se fixam no Rio conseguem manter a mesma excelência, caso notório do Pobre Juan, em que estive algumas vezes tanto na filial paulista quanto na carioca e sempre sinto diferença acentuada nesse item. No caso da Rubaiyat, esse pecado não se repetiu. Atendimento impecável. Bastante satisfatório o número de garçons, maitres educadíssimos e atentos. Não é necessário ficar desesperadamente com o braço levantado o braço à espera de um atendimento. Bastava levantar os olhos, que já se aproximava alguém.

No final, a conta: 2 pessoas, com couvert, sem bebida alcoólica e 1 sobremesa saiu por R$ 265,00. Preço justíssimo dentro da categoria da casa.

Uma ida à Rubaiyat é mais do que simplesmente apreciar uma boa refeição, é um convite à uma tarde agradabilíssima em que tudo conspira a favor: lindo lugar, bela comida, ótimo atendimento.

Cotação final de 4 estrelas, mas com viés de 5.

Rua Jardim Botânico, 971 (Jockey Club Brasileiro), Jardim Botânico, 3204-9999 (240 lugares). 12h/16h e 19h/0h (sáb. sem intervalo; dom. sem intervalo até 18h).
Estacionamento com manobrista: R$ 15,00.
Couvert: R$ 17,00 (individual).


Palpites para este texto:

  1. Estive lá na semana passada. Apesar da fama do restaurante, só o conheci há cerca de 3 meses, quando almoçei na unidade de Brasília. Gostei muito. O problema é que eu adoro todos aqueles pães que eles servem no couvert e acabo me entupindo deles. Na próxima vez pretendo provar o buffet de feijoada mas aí não poderei abusar no couvert. Concordo com seus comentários. Ambiente muito bonito, comida boa e preço condizente com o nível da casa. Senti falta só de um “petit gateau” ou um “brownie” na lista de sobremesas mas comi uma torta de chocolate que estava muito boa.

  2. Oi, Renato!
    Pretendo conhecer esse restaurante com meu noivo, mas sairemos de um evento no qual ele estará de terno e gravata. Sei que isso não importa muito, mas o ambiente da Rubaiyat é compatível para usar terno e gravata ou ficaríamos muito destoados?

    • Olá Ana. Não é incompatível usar terno e gravata na Rubaiyat. O público é bem eclético, e tanto no almoço quanto no jantar é possível ver gente trajando terno e gravata. Sem o menor problema.

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