Crítica: Santa


 

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Por Renato Mello.

Um espetáculo de alta qualidade com uma abordagem inusual está sendo apresentado no Teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico. “Santa”, que permanecerá em cartaz até o dia 4 e outubro.

Com a concepção cênica e direção elaboradas por Guilherme Leme Garcia(com codireção Gunnar Borges), embora se apresente formalmente como uma peça teatral, “Santa” vai em sua essência um pouco mais além dessa proposta, convidando o público a compartilhar com seus atores a uma experiência que une distintos elementos e sensações para compor um todo de enorme beleza plástica e atingindo um alto nível artístico.

Uma mulher, uma casa vazia e suas lembranças”…diante da imensidão, do vazio de um palco de grandes possibilidades e uma enorme profundidade, Ângela Vieira e Guilherme Leme Garcia se desenvolvem em cena explorando as mais diversas sensações extraídas de elementos como a dança, a expressão corporal e com um jogo de luzes de alto impacto visual, aliada com uma cenografia que se transforma diante dos nossos próprios olhos. Seguindo a construção dramatúrgica criada na mais exata medida por Diogo Liberano, que não tem pudores em apostar nas pausas e silêncios como importantes e potentes instrumentos para expressar os mais profundos sentimentos, através dos afetos passados e pela perspectiva da mudança, num texto que parece abraçar seus atores em cena.

Guilherme Leme Garcia, na função de diretor, expande as intenções propostas no texto de Liberano nessa viagem pela percepção e faz do vazio do grande palco um mecanismo de propulsão dos sentimentos e dores do casal, criando atmosferas propícias, cenas de rara beleza estética e juntamente com Ângela Vieira no palco, ambos atingem a uma excelente interpretação.

Ângela Vieira e Guilherme Leme Garcia em cena são o sentido da sensibilidade, explorando com perfeição todos os movimentos do corpo(direção de movimentos e coreografias de Luar Maria), que embora seja um espetáculo escrito especialmente para explorar as habilidades de Ângela, Guilherme a acompanha plenamente, compondo um duo maravilhoso!

Como já citados, a iluminação e a cenografia tem papel preponderante para o enorme êxito artístico de “Santa”. O desenho de luz criado por Tomas Ribas é sem dúvida um dos mais expressivos do ano, fundamental para as diferentes cenas e ambientes dentro do mesmo contexto, se utilizando das penumbras, transparências e sombras para criar um belíssimo impacto visual e inteiramente à serviço da atmosfera e estética do espetáculo.

A cenografia de Bia Junqueira dialoga permanentemente com os atores. Originalmente simples, embalando o palco com uma gigantesca capa transparente, ganha uma capacidade de transformação na ambientação, seja através da luz ou simplesmente do ar, com uma movimentação que aguça o tempo inteiro a atenção do espectador. Um trabalho de uma capacidade criativa ímpar.

Necessário destacar a beleza e o bom gosto na composição dos figurinos de Rui Cortez.

Santa” é um espetáculo que surpreende e encanta durante toda sua encenação, que a partir dos diversos elementos que compõem uma experiência cênica se completa como uma obra artística da mais alta relevância.

SERVIÇO “SANTA”
De 25 de Julho a 4 de outubro.
Sábado, às 21h. Domingo, às 19h
Teatro Tom Jobim (Endereço: Dentro do Parque Jardim Botânico – R. Jardim Botânico, 1008 – Jardim Botânico, Rio de Janeiro – RJ, 22470-050)
Valor do Ingresso: R$40,00 (inteira) R$20,00 (meia)
Telefone: (21) 2274-7012
Capacidade: 92 pessoas
Censura Livre
Tempo: 60 minutos.
Horários da bilheteria:
Segunda-feira: Não abre.
Terça à quinta-feira: 14 às 18:00 (ou caso tenha espetáculo, aberta até o horário de início do mesmo).
Sexta e sábado: 14:00 até o horário de início do espetáculo.
Domingo: 14:00 até o horário de início do espetáculo.
Venda site ingresso.com: 24 horas.

FICHA TÉCNICA
Elenco
Angela Vieira
Guilherme Leme Garcia e
Antonio Negreiros (em setembro)

Dramaturgia
Diogo Liberano

Instalação/Cenografia
Bia Junqueira

Iluminação
Tomás Ribas

Figurino
Rui Cortez

Concepção e Direção
Guilherme Leme Garcia

Codireção
Gunnar Borges

Direção de Movimento e Coreografia
Luar Maria

Direção Musical
Marcello H.

Trilha Sonora
Marcello H. e Marcelo Vig

Programação Visual
Alexandre de Castro

Assessoria de Imprensa
LAGE Assessoria – Fernanda Lacombe

Fotos
Dário Jr Foto e Artes e Pedro Damasio

Musica Solidão
Interprete Mart’nália
Versão Miguel Paiva
Arranjo Bruce Henry

Criação solo Guilherme/ Antonio
Gunnar Borges e Guilherme Leme Garcia

Assistente de Cenografia
Zoé Martin-Gousset

Assistente de Figurino
Claudia Sin

Assistente de Produção
Pyetro Ribeiro

Realização da Cenografia
Zoé Martin-Gousset e Bruno Jacomino

Operação de Luz
Leandro Alves

Design e Operação de Som
André Cavalcati

Contrarregra:
Pyetro Ribeiro e Thiago Hortala

Camareira
Maria Lucia Belchior

Produção Executiva
Maria Albergaria

Direção de Produção
Sérgio Saboya


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