Crítica: Se Eu Fosse Você, O Musical


 

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 3-estrelas-valendoSe eu Fosse Você, o Musical” é uma das provas da maturidade do teatro musical brasileiro. Com a proliferação de musicais nos nossos palcos, fazendo do Brasil o 3º maior produtor do gênero, criou-se também um público ávido e teatros com maior capacidade para recebe-los. Cabe a “indústria” fazer a máquina girar permanentemente num mercado que é preciso inovar e que musicais da Broadway só não basta. Deu-se então uma sequência de adaptações biográficas e tributos à obra de determinados artistas. “Se Eu Fosse Você” inaugura mais um filão nos palcos brasileiros, a adaptação para o teatro de sucessos do cinema nacional, nesse caso aqui, de um filme que foi um êxito total de público.

A história, na verdade é bem boba e já foram realizadas diversas adaptações com essa temática. A mais antiga que me vem à cabeça é um filme infanto-juvenil da Disney de 1976, protagonizado por uma Jodie Foster adolescente, “Se Eu Fosse Minha Mãe”. Casal em crise de relacionamento(Nelson Freitas e Claudia Netto), acidentalmente trocam de corpos e tem que aprender a conviver com as idiossincrasias do sexo oposto.

Mas a proposta do espetáculo é essa mesmo, seu único compromisso é fazer o público se divertir durante seus 150 minutos sem maiores elucubrações. Se a proposta é essa, o resultado final é muito bem sucedido, “Se Eu Fosse Você” diverte bem. Quem estiver em busca de maiores densidades dramáticas, aconselha-se a passar longe.

A escolha do repertório de Rita Lee para costurar a história foi um achado. Rita Lee é uma compositora que tem uma obra vasta, leve, músicas curtas e que ao mesmo tempo, ainda não está tão batida como o repertório de outros medalhões da MPB. O repertório de Rita Lee está praticamente “virgem” para ser trabalhado pelo teatro nacional. O clima e o astral de suas músicas se encaixaram com perfeição para o clima proposto pelo texto escrito por Flavio Marinho.

Essa adaptação da obra de Daniel Filho teve em Alonso Barros, um dos melhores coreógrafos do teatro nacional, um diretor que soube trabalhar o “descompromisso” do tema, sabendo montar a base para o sucesso de “Se Eu Fosse Você”. Não tenho convicção, mas creio ser o primeiro trabalho de Alonso como diretor. Caso isso se confirme, é um início bastante promissor.

Um dos grandes desafios foi conseguir fazer o público esquecer a hilária interpretação de Tony Ramos no filme, um ator que no meu ponto-de-vista é subestimado e que ainda não teve o reconhecimento que merece. O espetáculo teve em Nelson Freitas um ator perfeito para o desafio. Nelson é inegavelmente um ator engraçado e que no palco do Teatro Oi Casa Grande dominou completamente a cena. Se Nelson Freitas não tem a mais apurada das técnicas vocais, isso ficou para segundo plano, diante do seu brilho e carisma pessoal.

Claudia Netto, por sua vez, tem a técnica e experiência para teatro musical raríssima de se equiparar por aí. Fez parte da geração que desbravou o teatro musical brasileiro, quando ele praticamente inexistia e portanto é uma atriz que merece sempre o nosso respeito. Confesso que nunca fui lá um grande admirador de Glória Pires, nisso estendo sua atuação no filme. Mesmo sabendo que comparações são normalmente injustas, fico com Claudia Netto.

Ator que desconhecia e que chamou bastante minha atenção foi Bruno Sigrist, como Olavinho, o “jardineiro” que namora a filha do casal principal. Bom ator e acima de tudo, excelente cantor. Outros destaques a serem mencionados são Osvaldo Mil, vivendo com muito humor o amigo cafajeste e Fafy Siqueira, vivendo a sogra. Lua Blanco também tem atuação correta, atriz que apesar dos seus 26 anos tem bastante experiência de palco e canta muito bem. É preciso também destacar Marya Bravo, sempre excepcional, seja como cantora, seja como atriz.

Outro aspecto digno de todos os elogios é a cenografia Chris Aizner, criando diversos ambientes, alguns grandiosos, aonde as idas e vindas dos cenários eram permanentes.

“Se Eu Fosse Você” é daqueles espetáculos para se divertir bastante ao som de clássicos de Rita Lee, como “Baila Comigo”, “Menino Bonito”, “Saúde”, “Amor e Sexo”, “Fruto Proibido”, “Ovelha Negra”, “Mania de Você”, Mutante”, “Balada do Louco”, aonde podemos nos esquecer dos problemas do mundo lá fora durante algum tempo. Nada mais do que isso. E nem se propõe ser mesmo mais.

Se Eu Fosse Você, o Musical
Teatro Oi Casa Grande

Ficha técnica
Supervisão artística – Daniel Filho
Direção e coreografia – Alonso Barros
Direção Musical – Guto Graça Mello
Texto adaptado – Flavio Marinho, baseado em personagens e situações criados por Carlos Gregório e Roberto Frota, a partir de uma ideia original de Roberto Frota.

Cenário:
Conceituação Artística : Chris e Nilton Aizner
Cenógrafo Associado: Paulo Correa
Figurino – Marcelo Pies
Design de som – Carlos Esteves
Iluminação – Paulo Cesar Medeiros
Visagismo – Beto Carramanhos
Casting – Marcela Altberg

Elenco – Claudia Netto, Nelson Freitas, Lua Blanco, Bruno Sigrist, Alberto Goya, Carla Daniel, Carlos Arruza, Eduardo Leão, Giselle Lima, Igor Pontes, João Corrêa, Kacau Gomes, Lana Rodes, Lucas Drummond, Mariana Amaral, Marya Bravo, Neusa Romano, Nicola Lama, Osvaldo Mil, Thati Lopes e Vanessa Costa. Participação especial: Fafy Siqueira

Dias e horários:
Sexta às 21:00 – R$ 60,00
Sábado às 17:00 e 21:00 – R$ 60,00
Domingo às 19:00 – R$ 60,00

Duração: 2h30
Temporada: De 21/03/2014 Até 20/07/2014
Contato:(21) 2511- 0800
Classificação:12 Anos


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