Crítica Teatro Infantil: As Bodas de Rapunzel


 

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Por Renato Mello

A Cia Artecorpo de Niterói apresentou durante o mês de setembro na Casa de Cultura Laura Alvim sua leitura para a clássica história de Rapunzel, no caso “As Bodas de Rapunzel”, com direção de Rachel Palmeirim.

O conto da menina de cabelos exageradamente compridos encarcerada numa torre é datada de 1812 através da obra dos irmãos Grimm, mas sua origem remonta de tempos mais longínquos cujos primeiros registros datam de 1698 no conto de fadas “Persinette”, escrito por Charlotte-Rose de Caumont de La Force. Se formos buscar o olhar na sua essência profunda, nos distanciaremos dos aspectos do encantamento por conceitos ligados a questões pouco palatáveis ao público a que se destina, como abuso, gravidez na adolescência e tentativa de suicídio. Mas longe de mim querer ser mais “realista que o rei”, distendendo questões desconectadas de embasamento por julgar aspectos de uma época com a moral de nossos tempos politicamente corretos, distantes das sinceras intenções de quem opta por transpor essa história ao palco, que apresenta sim, aspectos lúdicos e desperta a imaginação do seu público.

Segundo a sinopse oficial apresentada pela Cia Artecorpo, “Rapunzel (Rachel Palmeirim) e o Príncipe Encantado (Ricardo Lyra Jr.) estão comemorando suas Bodas Encantadas de 200 anos de Casamento.  Para a surpresa do casal surge Sra Gothel (Eliana Lugatti), a mulher que criou Rapunzel desde que nasceu.  Ela retorna para buscar sua filha, pois em sua história não existiam mais personagens. Ao ser acusada de muitas maldades, Sra Gothel resolve explicar o motivo de todas as suas ações. Os personagens então voltam no tempo e a clássica história é recontada com música ao vivo”.

Em relação aos clássicos contos de fada, tenho uma tese de que se não tem o que acrescentar, é melhor não fazer. Acho um pouco deprimente quando se busca representar a história literal do livro. O medo de ousar costuma trazer resultados bem caretas. Essa é uma virtude tanto do tratamento dramatúrgico de Eliana Lugatti e Rachel Palemirim, quanto da encenação desenhada pela própria Rachel Palmeirim, não se conformando com as linhas gerais do conto e buscam um percurso particular, que se apresenta de forma correta e com capacidade de clarificar a história, embora os acréscimos tenham tido um alcance relativo, mas que não chega a comprometer o resultado final.

Um aspecto que me desagradou foi a questão cenográfica, que independente de alguns acertos para o desenvolvimento cênico, o excesso de referências sobre o palco acabou deixando uma sensação de amontoamento dos elementos, engessando um pouco da fluência cênica e com alguma ausência de funcionalidade para uma melhor divisão dos ambientes. De certa forma, as dimensões razoáveis do palco do Teatro Laura Alvim atenuam um pouco essa questão.

O elenco é formado por Rachel Palmeirim, Ricardo Lyra Jr e Eliana Lugatti, que tem atuações corretas e com bom entendimento das intenções dramatúrgicas, com destaque para o príncipe encantado “alternativo” de Ricardo Lyra Jr, que apesar de ratear um pouco no canto, demonstra carisma, bom domínio de cena e se destaca principalmente como impõe o humor ao seu personagem.

Figurinos de Eliana Lugatti mostram-se adequados no entendimento dos personagens, inclusive aos periféricos à história principal , com destaque para os adereços, ambos contribuindo para um melhor desenvolvimento cênico. O tratamento dado pela iluminação de Ricardo Lyra Jr acentua positivamente os momentos dramáticos e realçando a composição de Rachel Palmeirim.

Como já mencionei em outra crítica infantil, entendo que a música ao vivo faz muita diferença, aumentando consideravelmente a pulsão do espetáculo. No caso de “Bodas de Rapunzel” tal função é de responsabilidade de Renato Badeco pela suas intervenções sonoras e solos instrumentais, que acentua os momentos dramatúrgicos com bastante sensibilidade e real ganho para o resultado final.

As Bodas de Rapunzel” é um espetáculo valoroso de uma companhia que se pauta pela seriedade de seus propósitos.

Ficha Técnica:
Direção: Rachel Palmeirim
Texto: Rachel Palmeirim e Eliana Lugatti (Adaptação da Obra dos Irmãos Grimm)

Elenco: Eliana Lugatti, Rachel Palmeirim e Ricardo Lyra Jr. E Renato Badeco

Direção musical: Renato Badeco
Cenário: O grupo
Figurinos e Adereços: Eliana Lugatti
Iluminação: Ricardo Lyra Jr.
Operação de Luz: Hebert Said
Produção: Rachel Palmeirim e Cida Palmeirim
Assistência de Produção: Séfora Medeiros e Junior Garcia
Realização: ARTECORPO Teatro e Cia.


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