Crítica Teatro Infantil: Pedro e o Lobo


 

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Por Renato Mello

Antes de escrever sobre o espetáculo propriamente dito, creio ser necessário um preâmbulo para reconhecer a dedicação do produtor Alexandre Lino ao teatro infantil. Independente de apoios ou patrocínios, muitas vezes apenas com a coragem e perseverança, tem mantido uma produção constante para levar ao público alguns dos mais relevantes contos infantis. Assim foi com seus espetáculos anteriores e agora com “Pedro e o Lobo”.

O espetáculo cumpriu uma pequena temporada de 3 fins de semanas no Imperator, com direção de Tom Pires e texto de Daniel Porto.

Pedro e o Lobo” é uma fábula que tem suas origens na antiguidade, também conhecido por outro título, “O Pastorzinho e o Lobo”. Sua autoria é atribuída a Esopo, no Século V a.C., que desenvolveu uma obra de pequenas histórias de caráter moral e alegórico, guiadas pelas ações dos animais, partindo da cultura popular para compor narrativas sobre animais que falam, cometem erros, são sábios, tolos, maus, bons, tal como os homens, com a intenção de mostrar como os seres humanos podem agir para o bem ou para o mal. Tal como outras fábulas de Esopo, a história desse pastor de ovelhas e o lobo que lhe ataca o rebanho se disseminou pela tradução oral durante a Idade Média até ganhar uma forma mais próxima do que conhecemos em nossos dias.

Como afirma sua sinopse oficial, conta a história de “um jovem Pastor de ovelhas chamado Pedro (Rohan Baruck), encarregado que fora de tomar conta de um rebanho perto de um vilarejo, por três ou quatro vezes, fica entediado com a calmaria de sua atividade. A partir disso faz com que sua mãe (Alice Maria Paiva) venha correndo apavorada ao local do pasto, sempre motivada por seus desesperados gritos, pensando que o filho estaria em perigo por conta do Lobo. Tudo não passa de sua tentativa de chamar atenção e tentar se livrar de sua função.  O Lobo(Antônio Carlos Feio) , se aproxima do rebanho, e do jovem pastor, agora realmente apavorado, tomado pelo terror e aflição, grita desesperado pela mãe, que já não acredita mais nele.”

O resultado final é positivo, mas carrega algumas irregularidades.

foto15O texto de Daniel Porto busca seguir um percurso mais adiante do que prevê a fábula original, aumentando o fôlego da história com bons recursos narrativos.

Um dos aspectos que elevam o espetáculo a um bom nível é a direção de atores desenvolvida por Tom Pires junto a seu elenco, Rohan Baruck, Alice Maria Paiva e Antônio Carlos Feio, com bons momentos de interação cênica, possibilitando ao texto de Daniel Porto atingir um canal de comunicação com o público. Ainda em relação as atuações, um destaque adicional para Alice Maria Paiva, interpretando papel duplo da mãe e da ovelha, que a partir de seu processo de criação, utilizando-se de um sotaque e expressões gaúchas, demonstra carisma e graça.

Rohan Baruck, o protagonista, ator que já tive a oportunidade de assistir anteriormente no teatro infantil, consegue um bom entendimento no seu processo de composição e domínio das intenções do seu personagem.

Entendo que o fundo negro e a proposta de tomar o palco com 20 ovelhas artesanais, “transformando o cenário de calmaria em ação”, não funcionou bem no sentido de criar uma dinâmica cênica e um canal que interagisse com público infantil. A opção cenográfica não permitiu a absorção completa ao universo do espetáculo e quebrou um pouco a fluidez da narrativa até mesmo pela necessidade dos atores permanentemente precisarem integrar as inanimadas ovelhas ao desenvolvimento cênico.

Outro aspecto a ressalvar é o figurino do Lobo. Não que eu esperasse um personagem felpudo coberto da cabeça aos pés, mas a simplicidade do acabamento visando um “comportamento rock n’ roll” pouco acrescentou ao processo narrativo, ficou até mesmo deslocado e retirou alguns traços de significações do personagem, em parte balanceado pela capacidade de Antônio Carlos Feio. Em relação aos figurinos de Rohan Baruck e Alice Maria Paiva, inteiramente de acordo com o delineamento e funções dos personagens.

Apesar das ressalvas, “Pedro e o Lobo” é um trabalho sério de artistas verdadeiramente comprometidos com o teatro infantil.

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Ficha Técnica:
Texto – Daniel Porto
Direção – Tom Pires

Elenco 
Antonio Carlos Feio – Lobo
Rohan Baruck – Pedro
Alice Maria Paiva – Mãe, Ovelha

Direção de Arte – Daniel Porto
Iluminação  Guego Lima e Kelson Santos
Direção de Movimento – Paula Feitosa
Direção de Produção – Alexandre Lino
Designer Gráfico: Guilherme Lopes Moura
Produção – Cineteatro Produções

Assessoria de Imprensa: Gabriela Mota


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