Crítica Teatro Infantil: Terremota


 

terremota 1

Por Renato Mello

Foi breve, como costumeiramente são as temporadas do teatro infantil da Caixa Cultural do Rio, mas com o mérito de viabilizar uma circulação de espetáculos desse segmento e que são originários de outros estados para o público carioca. “Terremota” se apresentou no teatro de arena na Caixa Cultural entre os dias 27 de janeiro e 4 de fevereiro.

Terremota” é um projeto da Cia Bendita com o Núcleo Corpo Rastreado, de São Paulo, com texto e direção de Marcelo Romagnoli. Inspirada em personagens libertárias como Mafalda e Pippi Meialonga, conta a história de Maria(Jackie Obrigon), uma menina de 7 anos que mora com seu tio Bigode(Guto Togniazollo) e tem seu gato Platão como companhia. Após ter frustrado seus planos de um dia na praia devido a uma inesperada tempestade, decide proclamar sua própria República, batizada de Terremota, seu lugar particular aonde pode soltar sua imaginação e tomar as decisões que bem entender.

O roteiro de Marcelo Romagnoli parece inicialmente um pouco titubeante passando uma sensação que caminhará por uma área próxima a algum tatibitate, impressão que acaba se revelando falsa, conseguindo se firmar e acaba demonstrando capacidade de embalar o público para concluir exitosamente uma interessante proposta. A direção do próprio Romagnoli utiliza-se de diferentes técnicas para encorpar sua construção cênica, como sombra e manipulação, além de uma boa distribuição das movimentações e utilizando com inteligência a subdivisão das ações dentro de um espaço físico muito particular como é o caso do teatro de arena da Caixa. Os elementos cênicos contribuem para elevar a ambientação, seja pela forma como trabalha a gradação dos figurinos, tanto nos tecidos, quanto na coloração, assim como na utilização dos elementos cenográficos.

Um dos principais pilares de sustentação reside nas atuações de Jackie Obregon e Guto Togniazollo. Jackie Obregon compõe uma menina de 7 anos sem se apoiar somente na caracterização, mas num excelente trabalho corporal, transpondo ao palco toda a vitalidade de sua personagem. Guto Togniazollo se mostra um ator de personalidade imponente, seja pela imposição física e pelo modo como acentua potentemente as inflexões. São 2 processos de composição diferentes, mas que se combinam adequadamente para preencher vigorosamente as brechas narrativas.

Terremota” é um bom espetáculo teatral destinado ao público infantil, com capacidade de embarcar o público na complexidade imaginativa de uma menina de 7 anos, mas que acima de tudo revela ao público carioca 2 excelentes atores que dedicam boa parte sua arte a um segmento que guarda muitos caprichos.


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