Crítica: Terapia de Risco


 

 
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Um filme de Steven Soderbergh é algo para sempre ser aguardado com expectativa. É um cineasta que sempre trás um olhar interessante e um ponto de vista fora do lugar comum, mesmo em temas batidos e comuns, não nos deixando nunca indiferentes. Seu último filme, “Terapia de Risco” é um exemplo disso, merece ser visto e discutido, mesmo que não seja o melhor de Soderbergh.

Terapia de Risco” trás a tona algumas discussões pertinentes sobre ética médica, faz também um interessante estudo sobre a depressão, esse sério distúrbio afetivo tão subestimado pela sociedade e ainda consegue fazer uma profunda crítica sobre a indústria farmacêutica. Recentemente Fernando Meirelles já havia se debruçado sobre a manipulação e a ganância da indústria farmacêutica em “O Jardineiro Fiel”, mas Soderbergh talvez seja um cineasta que possua uma camada intelectual superior para esse tipo de debate, fazendo a discussão ser mais contundente e menos panfletária que o cineasta brasileiro.

O filme tem como protagonista Emily(Rooney Mara), que leva uma vida aparente normal  com o marido(Channing Tatum) recém liberto da prisão. Após uma tentativa de suicídio, Emily começa a fazer um tratamento psiquiátrico, devido a sua profunda depressão, com o Dr Jonathan(Jude Law) a base de remédios tarja preta, incluindo medicamento com forte campanha publicitária de laboratório que está pagando ao psiquiatra para testá-lo em seus pacientes. O remédio consegue renovar as energias de Emily, mas não sem que sofra os efeitos colaterais como sonambulismo e paranoia, que gera ações que terão grandes consequências na vida de todos os envolvidos.

O roteiro de  Scoot Z Burns, é bastante eficiente na discussão dos  3 temas a que se propõe: ética médica, depressão e indústria farmacêutica.  Mas no seu terço final se deixa banalizar ao misturar drama de tribunal e thriller. Dizer que joga por terra o filme é um pouco forte, mas dilui muito a discussão que por ora vinha sendo muito instigante.

Soderbergh, como de hábito, tem uma direção segura, sabendo exatamente o que quer e aonde quer chegar. Não se preocupa em dar a história mastigada ao espectador, deixando sempre uma espaço para os não-ditos,  para que o seu público possa levantar voo por contra própria  e sem ter seu pensamento ditado pelo diretor.

A fotografia, assinada pelo próprio Soderbergh, trabalha com tons desmaiados e monocromáticos, principalmente em ambientes fechados, que ajudam a criar o ambiente depressivo em que todos estão de alguma maneira envolvidos. A trilha sonora de Thomas Newman pontua o filme inteiramente dentro do contexto, chegando por vezes a incomodar propositalmente.

Na atuação, o destaque é para a ótima interpretação de Rooney Mara, sabendo dosar bem o descontrole, a depressão profunda, sempre no tom correto. O restante do elenco, Jude Law, Channing Tatum e Catherine Zeta-Jones estão bem, mas sem grandes brilhos adicionais.

Não se pode dizer que é um filme menor de Soderbergh e nem o melhor, mas é um filme pertinente e que trás boas discussões para as telas de cinema.


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