Crítica: Um Príncipe Chamado Exupéry


 

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Por Renato Mello.

Resta somente mais um fim de semana(dias 28 e 29 de maio) para se apreciar um trabalho de relevância artística no cenário do teatro infantil. A Cia Mútua se apresenta no Espaço Teatro Anônimo, na Fundição Progresso, com o espetáculo “Um Príncipe Chamado Éxupery”, que pela imprecisão de quando teremos a oportunidade de revê-lo em nossa cidade, recomendo que seja assistido em regime de urgência.

Sediada em Itajaí e com um amplo repertório já desenvolvido desde sua fundação em 1993, a Cia Mútua mantém ao longo desses mais de 20 anos de estrada uma ativa participação em diversos festivais nacionais e internacionais de teatro. “Um Príncipe Chamado Exupéry” é uma criação de 2010, já tendo circulado por diversas cidades brasileiras. Trata-se de um trabalho de uma aprofundada pesquisa em duas frentes distintas, a pesquisa histórica e de linguagem, que se complementam para a concepção de um universo muito particular.

Foto Exupery 3 (1)Conta uma história não muito difundida do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry antes de eternizar seu nome na literatura mundial e no inconsciente de diversas gerações a partir do romance “O Pequeno Príncipe”. No final dos anos 20, Exupéry trabalhava para a Companhia de Correio Aéreo Aéropostale, cujos aviadores tornaram-se mitos atravessando desertos, oceanos e cordilheiras transportando cartas, num período ainda de pioneirismo na engenharia aeronáutica, que transformava cada travessia entre os continentes em uma autêntica aventura.

A grande questão no teatro não é necessariamente a história que está se contando, mas como ela é contada. Justamente no trabalho de desenvolvimento de uma linguagem particular reside um dos maiores encantos de “Um Príncipe Chamado Exupéry“. É possível perceber uma comunicação(mesmo que involuntária) com um espetáculo em particular da Artesanal Cia de Teatro, cujo trabalho tanto admiro, “O Homem que Amava Caixas”. Embora sejam espetáculos inteiramente diferentes em forma, conteúdo e mesmo na técnica da manipulação dos bonecos, se assemelham no desenvolvimento de uma narrativa a partir da ausência dos diálogos, preenchendo os espaços dramatúrgicos com a utilização da trilha sonora, da sonoplastia e da iluminação, elementos que acabam por ditar o ritmo da encenação.

Essa utilização de trilha, sonoplastia e iluminação pontuando a narrativa acabam igualmente por serem responsáveis pela criação de uma ambientação sedutora e lírica para se contar com delicadeza essa história, concebida a partir de pesquisa realizada pela Cia Mútua junto de familiares e descendentes do escritor.

_ Um príncipe chamado Exupery (1)A características físicas do Teatro Anônimo possibilitou para a direção de Willian Sieverdt o espaço propício para ambientar a proposta, ampliando a capacidade cênica e criando um espaço livre para possibilitar uma fluência imaginativa através de cenografia desenhada por Jaime Pinheiro. Logo na entrada somos posicionados por atores, no papel de sinalizadores de aviões, diante da porta da bela reprodução de um hangar. O hangar se abre e ingressamos para o seu interior, abrindo igualmente as portas para deixarmos fluir nossa capacidade imaginativa, independente se adulto ou criança, convidando-nos a levantar voo com tão fascinante personagem.  Por trás de uma enorme mesa, Guilherme Peixoto e Mônica Longo vão através de diferentes técnicas e opções de encenação, como a utilização da expressão corporal, sombras, objetos cenográficos, e principalmente através da diversidade de técnicas de manipulação de bonecos e de aviões, conduzindo com bastante leveza a construção de um mundo onírico que de algum modo traria reflexos na obra que Exupéry um dia viria a eternizar.

Apenas como mera curiosidade, recordo-me que havia 10 anos atrás um projeto cinematográfico, que infelizmente acabou não saiu do papel, de uma coprodução franco-brasileira-argentina que se chamaria “El Vuelo del Principito” que justamente abordaria a aventura aérea de Exupéry pela América do Sul, protagonizado por Jean-Pierre Noher e Julieta Diaz sob a direção de Walter Salles.

Sem dúvida “Um Príncipe Chamado Exupéry” é um formidável trabalho de uma companhia que espero ter a oportunidade de conhecer mais profundamente seu repertório.

Um Príncipe Chamado Exupéry

Roteiro/Dramaturgia
: Mônica Longo, Guilherme Peixoto e Willian Sieverdt
Elenco: Mônica Longo e Guilherme Peixoto
Direção: Willian Sieverdt
Cenografia: Jaime Pinheiro
Mecanismos de Bonecos e Cenários: Paulo Nazareno
Sonoplastia e Trilha Sonora Original: Guilhermo Santiago e Paulo Zanny
Engenharia de Iluminação: Giba de Oliveira
Desenhos: Marcos Leal
Figurinos: Lenita Novaes
Escultura dos Bonecos: Mônica Longo
Confecção dos Bonecos: Mônica Longo e Guilherme Peixoto
Operação de Luz: Laura Correa
Operação de Som: Luis Melo
Designer Gráfico: Leandro De Maman
Pintura de Estrutura Cênica: Luis Melo
Pintura de Bonecos: Luis Carlos Vigarani
Pintura de Cenários: Guilherme Peixoto e Mônica Longo
Preparação de Atores: Ângela Finardi
Consultoria de Pesquisa: Mônica Cristina Corrêa
Pesquisa, Produção e Realização: Cia Mútua

Mais informações no site: http://www.ciamutua.com.br/home/
Serviço: Um Príncipe Chamado Exupéry – Com a Cia Mútua
Local: Teatro de Anônimo – Rua dos Arcos, 24. Lapa – RJ
Temporada: Apresentações: 14, 15, 21, 22, 28 e 29 de Maio, às 16h e às 19h.
Ingressos: R$10 e R$5. Meia entrada para estudantes, idosos, classe artística e portadores de necessidades especiais.Informações: 21 9 8628-2511

O espetáculo tem duração de 50 min, capacidade para uma plateia de 60 pessoas e classificação etária para crianças acima de oito anos.


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