Crítica: Uma Relação Pornográfica


 

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Por Renato Mello.

Um raro caso de um roteiro cinematográfico que ganha uma versão teatral. É o caso de “Uma Relação Pornográfica”, em cartaz no Teatro Leblon após uma temporada com boa repercussão no Centro Cultural Banco do Brasil.

Escrito pelo belga, de origem iraniana, Philipe Blasband, “Uma Relação Pornográfica” foi lançado originalmente nos cinemas em 1999, sendo protagonizado pelo espanhol Sergi Lopez e Nathalie Baye(que ganhou o prêmio de interpretação feminina no Festival de Veneza). Segundo seu próprio release “trata de uma história de amor que começa de forma contrária e anônima. Uma troca de conversas num site de relacionamentos e um encontro marcado em uma cafeteria qualquer de uma grande cidade. Ele e Ela. Não se sabe seus nomes, idades ou profissões. Um passado omitido dentro de um relacionamento que começa a partir de uma simples proposta para uma relação sexual até um compromisso semanal, sempre no mesmo café, sempre no mesmo hotel. Com o passar do tempo essa intimidade leva a relação para um caminho inesperado, ainda que o casal tente negar um inevitável envolvimento romântico. Os sentimentos vão se tornando aos poucos complexos e profundos, perigosos e envolvente”.

O espetáculo aposta em basicamente 2 elementos para se sustentar: o texto e as interpretações. Em parte esse passa a ser justamente o problema do espetáculo, o texto de Blasband, embora aparentemente aborde questões excitantes como devassidão, sexualidade, sentimentos e moralidade, é na verdade frio e em nenhum momento consegue se aproximar e emocionar o espectador.

Se o texto não ajuda, os atores por sua vez fazem a sua parte. Guilherme Leme Garcia e Ana Beatriz Nogueira interpretam com bastante sutileza e elegância seus personagens. Conseguem um aprofundamento maior que o texto lhes dá, uma perfeita modulação da voz e uma troca cúmplice de olhares. São 2 seres solitários em meio a indiferença e impessoalidade da grande cidade, em busca de uma fuga de suas vidas mesquinhas e cotidianamente chatas. Assim como o figurino que vestem, criados pelos próprios atores, que realçam o aspecto de uma vida opaca e sem luz.

A direção de Victor Garcia Peralta é competente, como sempre. Discreto, criando do nada belas cenas, colocando todos os seus holofotes direcionados para as atuações da sua dupla de atores, em mais um belo trabalho de iluminação de Maneco Quinderé. Em cena, nenhum elemento capaz de distrair a atenção do espectador que 2 cadeiras e uma tela branca ao fundo. Peralta não precisa mais do que isso para construir uma sólida encenação.

 “Uma Relação Pornográfica” é um bom espetáculo, com corretas atuações e direção, que consegue entreter na medida certa e sabendo o ponto exato a que deve chegar sem deixar sua peça se perder no que poderia ser um espetáculo sem força se estivesse nas mãos de um diretor menos talentoso que Victor Garcia Peralta e seus ótimos atores.

FICHA TÉCNICA:

Uma Relação Pornográfica – Teatro Leblon
Autor: Philippe Blasband
Tradução: Liane Lazoski e Renato Beninatto
Elenco: Guilherme Leme e Ana Beatriz Nogueira
Direção: Victor Garcia Peralta
Iluminação: Maneco Quinderé
Cenário: Victor Garcia Peralta e Guilherme Leme Garcia
Figurino: Ana Beatriz Nogueira e Guilherme Leme Garcia
Trilha sonora: Marcello H.
Produtora Executiva: Silvia Rezende
Diretor de Produção: Sérgio Saboya
Assessoria de Imprensa: Bianca Senna


Palpites para este texto:

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