Biografias em Debate – Parte 3: Livros Censurados


 

 

Devido a aberração que impera hoje no Brasil em relação a lei que exige  a necessidade de autorização prévia do artista ou familiares para publicação de biografias, que temos discutido aqui no Botequim nesses últimos dias, alguns livros se encontram(ou já se encontraram) proibidos de circular, todos eles relacionados a importantes vultos da história nacional nas mais diferentes áreas.

Hoje, vamos lembrar os casos mais notórios da restrição e do absurdo que a atual legislação impõe

Noel Rosa, Uma Biografia

Uma das maiores comprovações do absurdo da lei em vigor é a proibição da justiça de “Noel Rosa, uma Biografia”, levando-se em conta que o poeta da Vila morreu no já longínquo ano de 1939 e que suas músicas inclusive já são de domínio público. O absurdo ganha tons grotescos quando a proibição partiu de 2 sobrinhas de Noel que ainda não são reconhecidas oficialmente como suas herdeiras. Após a morte de Lindaura em 2001, viúva de Noel, as 2 filhas do irmão caçula de Noel, Hélio, reivindicam na justiça sua herança sob a alegação de que Lindaura, na verdade nunca teria sido casada com ele. As sobrinhas de Noel entendem que o livro dificulta provar que são as herdeiras. Eu, que comprei o livro antes de sua proibição e o tenha na minha estante, posso afirmar que trata-se de uma belíssimo e profundo trabalho de pesquisa realizado por João Máximo e Carlos Didier. Proibir uma biografia sobre Noel é igualmente proibir o relato de todo uma época e uma cidade, do qual Noel, com seus sambas, foi o maior de seus cronistas. Na internet, em sites como Mercado Livre, é possível encontrá-lo por até R$ 500,00.

UPDATE – 13/10/13

-Nota publicada na coluna de Ancelmo Gois no Globo da conta que devido a atual polêmica e interdição de “Noel Rosa, Uma Biografia“, sebos no Rio estão vendendo o livro por até R$ 700,00, inflacionando o livro no “mercado negro”.

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Sinfonia de Minas Gerais – A Vida e a Literatura de João Guimarães Rosa

A filha de Guimarães Rosa, Vilma, exigiu que os exemplares de “Sinfonia de Minas Gerais – A Vida e a Literatura de João Guimarães Rosa“, de Alaor Barbosa, fosse retirados das livrarias sob a alegação de baixa qualidade, além de acusar o autor de ter plagiado o livro que ela mesmo escreveu sobre seu pai “Relembramentos: João Guimarães Rosa, Meu Pai”.  Em 2008 a editora LGE, que publicou o livro de Alaor Barbosa, foi intimada judicialmente a retirar de circulação todos os exemplares. Na ação, foi alegado pela parte autora a impossibilidade de ressarcimento de direitos autorais que teria direito sobre qualquer publicação a respeito do Guimarães Rosa. O que considero uma visão míope, já que no meu ponto de vista, tal publicação acaba por divulgar o trabalho do biografado, gerando lucros indiretos que acabariam por não ocorrer sem esse trabalho sobre a obra do genial Guimarães Rosa.

Mas em agosto de 2013, numa belíssima peça em defesa do patrimônio cultural brasileiro, o pedido da filha do escritor foi julgado improcedente. Agora resta-nos aguardar o seu retorno nas livrarias.
Abaixo, a parte final da sentença do juiz:

“…O patrimônio cultural é formado pelas formas de expressão, pelos modos de criar, fazer e viver, pelas criações científicas, artísticas e tecnológicas, pelas obras, pela arte do povo e este patrimônio é motivado pela vivência social e não pode ficar recluso, devendo retornar ao âmbito social, sendo inadmissível que tenha dono. Portanto, finda a instrução probatória, tem-se que a parte demandante não se desincumbiu de seu ônus processual de provar o fato constitutivo de seu direito, razão pela qual a configuração do disposto no artigo 333, I, do Código de Processo Civil, leva à improcedência do pedido autoral. III – DISPOSITIVO: Ante o exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido, na forma do artigo 269, I, do Código de Processo Civil. Ante o exposto, revogo a decisão de fl. 119, que antecipara os efeitos da tutela. Intimem-se. Condeno os demandantes no pagamento das custas processuais e honorários advocatícios”.

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Roberto Carlos em Detalhes

Em 2006, após longo trabalho de pesquisa, Paulo César de Araújo viu seu trabalho ser proibido em decorrência de ação judicial promovida pelo próprio biografado, o Rei Roberto Carlos, que nos dias atuais censura até livro sobre a Jovem Guarda.

Roberto Carlos entrou na justiça com dois processos: um na área cível e outro na criminal pedindo a minha prisão por mais de dois anos. Ele impediu a circulação e ainda queria que fosse praticada uma multa de R$ 500 mil por dia se a obra circulasse…Passei todo este tempo tentando uma entrevista com ele. Ele nunca disse não, só não disse sim. Não fiz nada na surdina

Disse recentemente Paulo César sobre o caso.

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Lampião – O Mata Sete

Em dezembro de 2012, o juiz Aldo de Albuquerque Mello(Albuquerque Mello? Será meu parente? Céus!!!) proibiu a circulação de “Lampião – O Mata Sete”, trabalho realizado pelo juiz aposentado Pedro de Morais, um especialista sobre o tema do cangaço. O trabalho de Morais defende que o Lampião seria homossexual e dividiria com sua mulher, Maria Bonita, o igualmente cangaceiro Luiz Pedro. Além do mais, levantou suspeitas de que o Rei do Cangaço não seria pai de Expedita Ferreira Nunes, já que um tiro na virilha o teria deixado estéril. Expedita entrou na justiça e conquistou seu objetivo de impedir a circulação do livro.

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Garrincha – Estrela Solitária

Logo após o lançamento da biografia sobre a vida de um dos maiores jogadores da história do futebol, Garrincha, em 1995, Ruy Castro se viu as voltas com um pesado processo por danos morais além da proibição da venda do livro. Na época, assim que tomei conhecimento do processo que se iniciava, corri para a livraria para garantir meu exemplar. Após 11 meses de interdição e 11 anos de processo, foi julgado improcedente o pedido de danos morais, mas Ruy Castro e a Companhia das Letras foram condenados por danos materiais e tiveram que repassar 5% do valor de capa por cada um dos exemplares vendidos para as várias filhas de Garrincha.

Levei três anos fazendo o livro. A produção do livro não ficou em segredo. Fui à Pau Grande, distrito de Inhomirim no Rio, terra natal de Garrincha, conversei com toda a comunidade, as ex-mulheres e nove herdeiras…Me deram muitas informações do Garrincha. Inclusive, ao final do livro, fiz um agradecimento explícito a elas“…“Fizeram uma série de ameaças. A família ofereceu um acordo de 1 milhão de dólares para autorizar a circulação. Era uma chantagem…

Disse Ruy Castro.
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Palpites para este texto:

  1. Sou Delegado de Polícia no Estado de Sergipe e também pesquisador e estudioso do cangaço. Na qualidade de Conselheiro do movimento CARIRI CANGAÇO, maior evento sobre o tema do mundo e que reúne anualmente as maiores autoridades nacionais e internacionais sobre o assunto (cinco dias de palestras, seminários, discussões e demais pontos pertinentes ao cangaço), realizado na região do Cariri cearense, foi que resolvi em nome da VERDADEIRA HISTÓRIA ENTÃO VILIPENDIADA com o livro “Lampião, o Mata Sete” (livro esse ainda proibido, pois fala levianamente e sem provas ou evidencias algumas que Lampião era um homossexual e Maria Bonita uma mulher mundana e adúltera) escrever a sua contestação: LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE.

    Vi neste site o comentário dizendo que o autor do livro Lampião o Mata Sete é um especialista no assunto cangaço, o que é uma INVERDADE, pois além do seu livro ser totalmente FICTÍCIO, vários pontos históricos, tais como lugares, datas e fatos são distorcidos e trocados, em comprovação de que DESSE TEMA o autor Pedro de Morais NADA ENTENDE, apenas quis polemizar por polemizar e com isso VENDER SEUS LIVROS que além de tudo é RECHEADO DE PALAVRAS CHULAS. Trocando em miúdos, o livro LAMPIÃO O MATA SETE é RUIM EM TODOS OS SENTIDOS, mas acho que deveria ser liberado pela Justiça para que todos lessem e sentissem as suas aberrações.

    Archimedes Marques

    • Olá Archimedes. Agradeço a participação. Encaminhei um e-mail para você, aonde gostaria de abrir espaço no nosso site para você expor seus argumentos e seu ponto de vista. Aguardo sua resposta. Abraços.

      • ARCHIMEDES ABSOLVE LAMPIÃO

        Por Severino Coelho Viana

        O livro “LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE”, de autoria de Archimedes Marques, nós consideramos a contrariedade do libelo-acusatório ao livro “LAMPIÃO – O MATA SETE”, de autoria de Pedro de Morais. Se tivéssemos a oportunidade de participar de um julgamento, fundamentado nas provas concretas constantes nos autos, nós absolveríamos o livro “LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE”, pelo o conteúdo irrefutável, e, por via de consequência, condenaríamos o livro “LAMPIÃO – O MATA SETE”, que se baseou tão somente em vagos indícios orais, na visão do autor e que lhe foram revelados por fontes frágeis de uma sustentação plausível. O escritor Archimedes Marques usou uma linguagem corrente de fácil compreensão. Além dessa linguagem de cunho jornalístico transformou em palavras eloquentes porque soam a verdade dos fatos. Rebuscou o aprofundamento na verdade histórica com o devido cuidado de citar a fonte de onde retirou a informação. Não emitiu juízo de valor porque tinha material suficiente para provar e comprovar a sua verdade. Mostrou ser um pesquisador obstinado, um zeloso pelo manancial abundante do cangaço, e, sobretudo, um relator que usa a decência para expor o fato com a naturalidade dos acontecimentos chegando repetir a lição com o reforço da pergunta nas suas justificativas. Não se apegou a pequenez, nem distorceu o conteúdo, nem tampouco contrariou a história, simplesmente, foi verdadeiro. Por seu turno, as linhas tortuosas do livro o “LAMPIÃO – O MATA SETE”, infelizmente, o autor esqueceu o rumo da história do cangaceirismo, de modo diverso, tentou contrariá-la, afastou o seu roteiro, escondeu os caminhos claros e andou pelas veredas. Trouxe um conteúdo que não interessa a ninguém, muito menos aos amantes, pesquisadores, curiosos da história do cangaço no Nordeste brasileiro. É patente a premeditação do enredo em busca do ataque. A partir do primeiro capítulo e quando chegou ao último capítulo à emissão de juízo de valor subjetivo pelo autor fluiu de forma exacerbada que faz os pelos do leitor se arrepiar a ponto do tamanho do sobressalto e cair no campo da indignação.

        O nosso entendimento sobre a história do cangaço, percebemos que a sua existência verificou-se entre o final do século XIX e começo do XX quando surgiram, no Nordeste brasileiro, grupos de homens armados conhecidos como cangaceiros. Estes grupos apareceram em função, principalmente, das péssimas condições sociais da região nordestina. O latifúndio, que concentrava terra e renda nas mãos dos fazendeiros, deixava às margens da sociedade a maioria da população. Desde o século XVIII, com o deslocamento do centro dinâmico da economia para o sul do Brasil, as desigualdades sociais do Nordeste se agravaram. Entretanto, no sertão, onde predominava a pecuária, consolidou-se uma forma peculiar de relação entre grandes proprietários e seus vaqueiros. Entre eles, estabeleceram-se laços de compadrio (tornavam-se compadres), cuja base era a relação de fidelidade do vaqueiro ao fazendeiro, com este dando proteção em troca da disponibilidade daquele em defender, de armas nas mãos, os interesses do seu patrão. Os conflitos eram constantes, devido à imprecisão dos limites geográficos entre as fazendas e às rivalidades políticas, transformadas em verdadeiras guerra entre poderosas famílias. Cada uma destas fazia-se cercar de jagunços (capangas do senhor) e de cabras (trabalhadores que ajudavam na defesa ), formando verdadeiros exércitos particulares. Nos últimos anos do Império, depois da grande seca de 1877-1879, com o agravamento da miséria e da violência, começaram a surgir os primeiros bandos armados independentes do controle dos grandes fazendeiros. Por essa época ficaram famosos os bandos de Inocêncio Vermelho e de João Calangro. Contudo, somente na República o cangaço ganhou a forma conhecida, com Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Que aterrorizou o nordeste de 1920 a 1938. Havia uma razão para esse fato. Com a proclamação da República em 1889, implantou-se no Brasil o regime federalista, que concedeu uma ampla autonomia às províncias, fortalecendo as oligarquias regionais. O poder dessas oligarquias regionais de coronéis se fortaleceu ainda mais com a política dos governadores iniciada por Campos Sales (1899-1902). O poder de cada coronel era medido pelo número de aliados que tinha e pelo tamanho de seu exército particular de jagunços. Esse fenômeno era comum em todo o Brasil, mas nos estados mais pobres, como Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, os coronéis não eram suficientemente ricos e poderosos para impedir a formação de bandos armados independentes. Foi nesse ambiente que nasceu e prosperou o bando de Lampião, por volta de 1920, coincidindo o seu surgimento com a crise da República Velha. Depois da morte de Lampião, em 1938, nenhum outro bando veio ocupar.

        Portanto, podemos entender o cangaço como um fenômeno social, caracterizado por atitudes violentas por parte dos cangaceiros. Estes, que andavam em bandos armados, espalhavam o medo pelo sertão nordestino. Promoviam saques a fazendas, atacavam comboios e chegavam a sequestrar fazendeiros para obtenção de resgates. Aqueles que respeitavam e acatavam as ordens dos cangaceiros não sofriam, pelo contrário, eram muitas vezes ajudados.

        Esta atitude fez com que os cangaceiros fossem respeitados e até mesmo admirados por parte da população da época. O cangaceiro – um deles, em especial, LAMPIÃO tornou-se um personagem do imaginário nacional, ora caracterizado como uma espécie de Robin Hood, que roubava dos ricos para dar aos pobres, ora caracterizado como uma figura pré-revolucionária, que questionava e subvertia a ordem social de sua época e região. O nosso livro – “A VIDA DO CEL. ARRUDA CANGACEIRISMO E COLUNA PRESTES”, que este teve já vários enfrentamentos com o bando de Lampião, nós contamos o fato da história do ferimento no calcanhar de Lampião que passamos a reproduzir: “Uma outra astúcia e habilidade de Lampião. Lampião vinha a cavalo com Antônio Ferreira, em dois cavalos meeiros, esquivadores, o Teófanes de Ferraz, o mesmo que prendeu Antônio Silvino, em Taquaratinga-PE, vinha com oitenta praças. Encontravam-se nos espigões das serras: Serra Pintada e Serra do Catolé. A força volante deu uma descarga e Lampião deitou-se no „santo Antônio da cela‟, e saiu atirando com o mosquetão para trás e recebeu um balaço no calcanhar. Desse balaço, os cangaceiros fizeram um rancho no mato, na ponta da serra. Depois Cícero Costa visitou o Lampião. Tinham dezesseis cangaceiros. Lampião anda nu, da cintura para cima, de cueca, de quatro pés, não podia se firmar em pé, sendo tratado por um raizeiro, conhecido por Valões. O Teófanes tomou conhecimento do rancho, voltou novamente e atacou o rancho. Não o cercou porque não tinha lugar disponível para o cerco. Nesse tiroteio morreram Cícero Costa, o Lavandeira, tendo os cangaceiros despitados, conduzindo nos braços Lampião e Antônio Ferreira. Adiante, quiseram deixar Antônio Ferreira, porque já quase morto com um balaço em cima do peito. Foi quando Lampião reagiu: __ Não, se deixar o meu irmão, eu prefiro ficar com ele e morrer com ele. Durante a noite tinha chovido muito e caiu um grande pau de angico enramado. Imediatamente Lampião sugeriu: __ Vocês me deixem aqui debaixo desse angico e saiam deixando vestígio.
        Ora, o plano fora um feito admirável. A força volante saiu atirando atrás, passou por cima dos galhos de angico com Lampião embaixo. Os cangaceiros levaram Antônio Ferreira. No dia seguinte, Lampião com sede e com fome, vinha um vaqueiro puxando uma vaca. Uma vaca chocalhada, aboiando e Lampião começou a gritar. O vaqueiro aproximou-se. Era o vaqueiro João Menino, pertencente ao engenho Montevidéu. O Lampião mandou buscar leite. O João Menino veio e ele disse que fosse a Patos avisar a Marcolino. Patos se refere a Patos de Princesa, e não Patos Espinhara. Marcolino juntou sessenta homens e mandou buscar em redes, Lampião e Antônio Ferreira que se escondera em outro ponto. O Antônio Ferreira, apesar do ferimento mais grave, ficou bom, dentro de três meses já andava e conversava. Mas Lampião levou seis meses na casa de Luis Leão, sendo tratado por dois médicos. Luis Leão morava no sopé da Serra de Triunfo, casa grande, caiada, mas vivia em Princesa. Os médicos chamavam-se Dr. Severino Diniz e Dr. João Lúcio. Toda manhã o Sabino saia com uma bolsa de ferramenta, num burro e o Severiano a cavalo preto „estrela‟ e iam fazer os curativos de Lampião”. (fls. 38/39). Nesse sentido – heroico/mitológico – o cangaço é precursor do banditismo que ocorre atualmente nos morros do Rio de Janeiro ou na periferia de São Paulo, onde chefes de quadrilhas também são considerados muitas vezes benfeitores das comunidades carentes. Outro livro de nossa autoria “O PODER DA CIDADANIA”, assim explicávamos que o cangaço não acabou: “O antigo e autêntico cangaceiro nordestino caracterizava-se pela sua indumentária: roupa de cáqui, chapéu de couro, com as abas quebradas para cima, duas cartucheiras cruzadas no tórax e uma cercada nos quadris, um rifle, uma pistola, um facão afiado, um bornal, um par de sandálias de rabicho, cabelos puxados à brilhantina, cordão de ouro e o pescoço envolto de patuás e vivia no meio das caatingas ressecadas do sertão. Enquanto que o novo e moderno cangaceiro, que atua em todas as regiões, o distintivo é sua vestimenta de etiqueta, paletó, gravata, sapatos macios, relógio de marca, cabelos escovados, frequenta hotéis e restaurantes de cinco estrelas, mansões e palácios, gabinetes e escritórios notórios, utiliza celular, Internet e televisão, municiado de armas de fogo de alto potencial ofensivo, dinheiro depositado em contas secretas no exterior, desvios e gastos excessivos do dinheiro público. Mudou somente o perfil do cangaceiro da Antiguidade para o gangster da modernidade. A título de ilustração, trazemos à baila, com o fito de arregimentar o nosso artigo, comentários de pesquisadores na matéria e como analisaram o mundo do cangaceirismo”: Na visão de Billy Jaynes Chandler:
        “O cangaço era um fenômeno exclusivamente do sertão”. “Sem encontrar garantia de proteção nem do patrão, nem do Estado, muitas dessas povoações do sertão se transformaram em verdadeiras selvas, onde cada um lutava pela sua sobrevivência. Parece, portanto, que o aparecimento do cangaço esteja intimamente ligado a este estado de desorganização social” …

        “Naquele tempo, a polícia era quase igual aos bandidos, e buscas como estas significavam a destruição quase total das casas e de seus conteúdos, além de maus-tratos aos seus habitantes1”.(fls. 167/168). Parabéns! Archimedes Marques, o livro de sua autoria “LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE”, de forma resumida, mas autêntica, resgate toda a história verdadeira do cangaço no Nordeste brasileiro, que os grandes pesquisadores já haviam contado nos livros publicados anteriormente, no entanto, serve também como fonte ideal para os novos aprendizes questionarem este fenômeno social de sangue, suor e lágrimas.

        João Pessoa, 25 de julho de 2012.

        SEVERINO COELHO VIANA
        Escritor e Promotor de Justiça na Paraiba

      • HISTÓRIA CANGACEIRA
        (Sobre os livros confrontantes “Lampião o Mata Sete” e “Lampião contra o Mata Sete”)

        *Enéas Athanázio

        É curioso observar como o cangaço continua a despertar o interesse dos pesquisadores em geral. No momento em que escrevo tenho conhecimento de que pelo menos dois livros importantes acabam de ser publicados sobre o tema, existe um filme em andamento e são várias as matérias de jornal abordando o assunto. Isso se justifica, em parte, pelo fato incontroverso de que o cangaço foi um fenômeno brasileiro por excelência, com características próprias, sem similar na história ou no mundo, o que talvez explique a razão de tal interesse, inclusive de investigadores estrangeiros de várias áreas. E falando em cangaço, uma figura emerge da história e se alteia sobre as demais, qual seja Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, cognominado o Rei do Cangaço. Tido como modelo da coragem, inteligência e liderança do homem sertanejo, enfrentou por quase duas décadas a vida errante de bandoleiro, à frente de seus homens, desafiando a perseguição das volantes de sete estados nordestinos e só foi eliminado graças a uma traição, enquanto dormia, no interior da chamada Grota do Angico, em Sergipe.

        Homem duro, implacável com os inimigos, ninguém jamais se atreveria a colocar em dúvida sua hombridade e nunca pairou a menor sombra a respeito de sua condição de homem-macho. Mas eis que de repente, quando menos se esperava, e, ao que parece, inspirado pelo antropólogo Luís Mott, surge o livro “Lampião, o Mata Sete”, de autoria do magistrado aposentado Pedro de Morais, onde o autor sustenta que Lampião foi afeminado desde mocinho e teria sido homossexual, além de manter uma “ménage a trois” com Maria Bonita, sua mulher, e Luís Pedro, integrante de seu grupo, em plena caatinga. Não bastasse isso, sustenta que Maria Bonita manteve relações com outros homens na vigência do casamento. As teses do autor se baseiam em indícios e informações que, segundo ele, comprovariam os fatos, ainda que contrariando a imensa bibliografia sobre o assunto, a opinião dos estudiosos e o testemunho de incontáveis pessoas em diversas épocas. O livro vem provocando verdadeiro terremoto, uma vez que, na opinião geral, Lampião pode ter sido tudo, ou quase tudo, exceto um homossexual.

        A reação não tardou e começaram a surgir manifestações em contrário, avultando entre elas o livro-contestação “Lampião contra o Mata Sete”, de autoria de Archimedes Marques (Info Graphics Gráfica e Editora – Aracaju – 2012). Estudioso do assunto de muito tempo, leitor aficionado da bibliografia existente e com pesquisas realizadas in loco, o autor se debruçou sobre a obra de Pedro de Morais, examinando-a capítulo a capítulo, página a página, parágrafo a parágrafo em cotejo com as opiniões de numerosos outros autores para concluir que as teses nele defendidas são improcedentes e não encontram qualquer amparo em provas, mesmo indiciárias, tudo não passando de verdadeira ficção. Para tanto, buscou subsídios em numerosos autores de várias épocas, desde aqueles que foram contemporâneos de Lampião até os mais modernos, sem esquecer os ensaístas consagrados cujas obras constituem referências. Numa espécie de operação desmonte, tudo foi submetendo a uma análise crítica implacável, muitas vezes contundente, rebatendo as afirmações com cerrada argumentação. Ao longo de 550 páginas densas e pensadas, esmiuçou a obra em questão de tal forma a não deixar pedra sobre pedra, recolocando tudo nos devidos lugares e devolvendo a Lampião a masculinidade que jamais lhe fora negada.

        Embora não seja especialista no assunto, tenho lido bastante sobre o cangaço e Lampião e até escrito a respeito. Nessas leituras nunca deparei com qualquer insinuação sobre a homossexualidade do chamado Rei do Cangaço, suas relações com outros homens ou a triangulação com Maria Bonita e o cangaceiro Luís Pedro. Em livro recente, denominado “De olho em Lampião: violência e esperteza”, de autoria de Isabel Lustosa, pesquisadora titular da Fundação Casa de Rui Barbosa, não encontrei qualquer referência ao assunto. Como se trata de obra visivelmente contrária ao cangaceiro, não creio que silenciasse sobre o fato caso houvesse sustentação para tanto. Também na obra “Lampião – Entre a espada e a lei”, de autoria do magistrado potiguar Sérgio Augusto de Souza Dantas, trabalho criterioso e exaustivo sobre a vida e os feitos de Lampião, nada encontrei a respeito. Como não seria possível esconder essa pretensa homossexualidade de todos e por tão dilatado espaço de tempo, ainda mais em se tratando de personagem histórico tão estudado, acredito que tudo não vai além do terreno da mera suposição.
        A par do debate sobre o tema em todas suas minúcias, o autor Archimedes Marques fornece inúmeras informações a respeito de Lampião, seu grupo, o cangaço em geral e o meio sócio-econômico onde se desenvolveu. Apenas esse conjunto de elementos paralelos já faria do livro “Lampião contra o Mata Sete” uma grande obra.

        *Sobre o autor Enéas Athanázio: Contista, crítico, biógrafo com extensa bibliografia, é um dos escritores mais publicados e conhecidos de Santa Catarina. Reside em Balneário Camboriú e é um dos fundadores de Literatura – Revista do Escritor Brasileiro, na qual tem colaborado assiduamente.

        Bibligrafia: O Peão Negro (contos, 1973); Dimensões de Lobato (ensaios, 1975); O Azul da Montanha (contos,1976); Godofredo Rangel (biografia, 1977); O Promotor Público na Justiça Eleitoral ( jurídico, 1978); Meu Chão (contos, 1980); o Mulato de Todos os Santos (ensaios, 1982); Tapete Verde (contos,1983); Figuras e Lugares (ensaios,1983); A Pátina do Tempo (ensaios,1984); Falando de Gilberto Amado (ensaios, 1985); Presença de Inojosa (ensaios,1985); Erva-Mãe (contos,1986); Meu Amigo Hélio Bruma (ensaios, 1987); Tempo Frio (contos,1988); O Amigo Escrito (biografia,1988); A Cruz do Campo (novela,1989); O Perto e o Longe – Vol. I (ensaios,1990); O Perto e o Longe – Vol. II (ensaios,1991); O Aparecido de Ituy (contos,1991); Enéas Athanázio (biografia e antologia, 1991); Jornalista por Ideal (ensaios,1992); São Roque da Ventania (novela,1993); Roseilho Velho (contos juvenis,1994); Adeus Rangel (ensaios, 1994); Fiapos de Vida – Vol. I (causos nanicos,1996); Um Artista Chamado Antônio (biografia,1997); Vida Confinada (autoficção,1997); As Razões da Queda (ensaio,1998); A Gripe da Barreira (contos,1999); Fazer o Piauí (ensaios, 2000); O Cavalo Inveja e a Mula Manca (contos, 1991); As Antecipações de Lobato e outros escritos (ensaios, 2001); Mundo Índio (ensaios, contos e artigos, 2003); Fiapos de Vida – Vol. II (minicontos,2004); Crônicas Andarilhas (crônicas, 2005); Direito Internacional Público (jurídico, 2006); A Liberdade Fica Longe (novelas, contos e crônicas, 2007); O Pó da Estrada (crônicas, 2008); Meu Amigo, o Piauí (critica, 2008) ; Ensaios Escoteiros(ensaios, 2010).
        Opúsculos: Algemas (contos, 1988); Sílvio Meira (ensaios,1989) ; Joaquim Inojosa e a Pregação Modernista – ensaios – duas edições – 1983 e 1984; Martinho Bugreiro, Criminoso ou Herói? – ensaio – 1994; 7 Causos Nanicos – minicontos – 1985; Monteiro Lobato Abriu os Caminhos – ensaio – 1993; Como Casei com a Filha do Coronel – conto – 1991; A Ilha Verde – crônica – 1995; A Pátria Comum – artigo – 1995; Solidão, Solidão – contos – 1995; Novo e Diferente – artigos – 1996; O Regionalismo Passado a Limpo – ensaio – 2000; A Liberdade Fica Longe – novela – 2001; José Athanázio, Meu Pai – biografia – 2006

      • 01/08/2013 17:35
        Lampião: Pedro Morais perde na Justiça

        por NE Notícias, da redação

        Após a vitória (em 1º grau) no processo que suspendeu a venda/publicação do livro escrito por Pedro Morais que atacava a honra de Lampião, Maria Bonita e Expedita, sua filha, foi proposta uma ação de indenização contra o escritor, que tramita na 13ª Vara Cível de Aracaju, com o número 201211301006.

        Neste processo, o Dr Pedro Morais suscitou mais uma vez que Expedita não era filha do casal e arguiu a falsidade dos documentos de identificação da filha de Lampião.

        Em decorrência desse “incidente de falsidade” todos os processos estavam suspensos aguardando essa decisão.

        Após pedir informações ao Instituto de Identificação da Secretaria de Segurança Pública de Sergipe, a juíza confirmou a veracidade dos documentos e que, documentalmente, a Expedita comprovou ser filha do casal.

        Informamos a toda a imprensa essa decisão com entusiasmo, pois mais uma vez provamos que o que Dr Pedro Morais disse em seu livro ” LAMPIÃO, o mata sete” NÃO É VERDADE.

        A história do Brasil permanecerá tal e qual fora ensinada nas escolas e registrada pelos grandes historiadores e pesquisadores do Cangaço, ainda que vá de encontro ao interesses pessoais do Dr Pedro Morais.

        Wilson Wynne
        Advogado

  2. LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE, A SEPARAÇÃO DO JOIO DO TRIGO.

    É preciso se separar o joio do trigo, as ervas daninhas devem ser desenraizadas para que as árvores frutíferas produzam seus frutos. Em todos os seguimentos da vida existem os bons e os maus. Há os que produzem com sabedoria e os tolos em sua essência. Assim caminha a humanidade, em toda parte se sobressaem os que buscam a perfeição e dela se aproximam, deixando seus legados como ensinamentos para outros que trafegam na estrada do conhecimento e da perpetuação histórica, sendo o fato aqui relacionado: A análise ajustada dos acontecimentos que permearam uma época que marcou profundamente as mentes e as vidas das pessoas do nordeste brasileiro.

    Há os que se aprofundam com seriedade, buscando os autênticos subsídios para registrar nos anais dos arquivos escritos suas apreciações honestas e responsáveis.

    Também há os hipócritas, os insensatos, gente sem o mínimo conhecimento de certos tópicos e que são ignorantes que se apoderam de um assunto e sem o devido cuidado produzem verdadeiros absurdos.

    Nesse caso estou falando da incapacidade de Pedro de Morais com seu livro “Lampião, o Mata Sete” e a maestria de Archimedes Marques com seu apurado revide “Lampião Contra o Mata Sete”.

    A leitura eu recomendo sobre o trabalho de Archimedes Marques, sem que seja necessário conhecer as inverdades do péssimo livro de Pedro de Morais, o Mata Sete.

    Archimedes nos brinda com respostas ajustadas e um trabalho digno de ser adquirido e de constar nos acervos das pessoas cordatas que estudam a história do Brasil.

    O simples argumento de ter sido em sua vida pública um homem da lei, que julga seus preceitos e sobre as falhas condena os responsáveis não credita a pessoa e nem pode ser aceita qualquer obra que tenha por suporte apenas o contexto de “vir de um magistrado”. Não é esse um argumento válido para se escrever qualquer obra literária, o teor histórico de um povo, de uma nação, merece o mínimo respeito. Devemos preservar os fatos, desvendar os acontecidos, checar às informações, analisar seus episódios, confrontar seus subsídios e tentar se aproximar o máximo da verdade. Esse é o caminho do verdadeiro historiador e pesquisador.
    O tempo do coronelismo já passou, não devemos ficar expostos a uma lei que na realidade foi feita para beneficiar os homens de boa índole e não nos colocar amedrontados diante da Toga de um magistrado. Não nos calemos diante dos fatos injustos.

    Archimedes Marques, com esse seu livro Lampião Contra o Mata Sete, entra para o grupo das pessoas que produzem com seriedade, com discernimento e demonstra coragem, qualidade indispensável aos homens que merecem nosso respeito e nossa admiração.

    Pode-se apostar no sucesso desse primeiro trabalho de Archimedes, ele vem pesquisando o tema cangaço há algum tempo e encontrou o rumo certo rebatendo uma obra que vem talhada de informações sem fundamentos legais que possam comprovar seus textos difamatórios. Diante da apresentação de fatos tão mentirosos levantados pelo fraco autor do “Lampião, o Mata Sete”, Archimedes é a bandeira que se levanta contra tais inverdades, um acerto ajuizado contra os pensamentos embaraçados de um escritor sem as qualidades essenciais para uma produção que se explica não por “querer” e sim por “existir”, fatos concretos que justificam novos olhares, novas apreciações, porém com a honestidade e a responsabilidade que as ocorrências históricas devem atrair, tendo por legado reparar as lacunas que ficaram adormecidas e que se juntam para agregar valores ao contexto de uma história que se reescreve a cada tempo, porém contada e acrescida em sua profundeza autêntica, ajustada em suas fontes primordiais sendo salvas nas memórias literárias que formadas com outras fontes direcionam a verdadeira historiografia do mundo.

    É preciso se separar o joio do trigo, devemos desenraizar as ervas daninha para que colhamos os frutos bons, nesse caso devemos receber o livro de Archimedes Marques, Lampião contra o Mata Sete, com a devida grandeza que ele tem, pois ele é uma bandeira hasteada contra a mentira, contra a insensatez, contra a erva daninha que é esse livro de Pedro de Morais.

    João de Sousa Lima

    Escritor, membro da ALPA- Academia de Letras de Paulo Afonso, membro da SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço.

  3. APRESENTAÇÃO DO LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE

    Por Alcino Alves Costa (in memoria)

    Apresentar aos amantes da história cangaceira e da saga de Lampião o livro “LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE”, especial obra literária de nosso estimado companheiro e amigo Archimedes Marques, um dos nossos vaqueiros da história, é uma honra muito grande para mim.

    O título do livro explica o desejo ardoroso e forte de Archimedes em contradizer as ineficazes afirmativas que estão nas páginas do livro “LAMPIÃO O MATA SETE”. Os registros de responsabilidade do senhor Pedro de Morais foram escritos sem nenhum embasamento e há anos luzes de distância da verdade da história.

    Infelizmente, não se sabe por qual razão, o juiz aposentado, apesar de sua dignidade pessoal e funcional, num instante de total opacidade mental, procurou de todas as maneiras possíveis e imagináveis, construir a sua obra literária com azedume extremado em relação à Virgulino Ferreira da Silva, colocando-o nas condições de gay e impotente e a Maria Bonita, taxando-a de adúltera.

    Além dessas duas descabidas e ferinas acusações da masculinidade de Lampião e da obsessiva infidelidade de Maria Bonita, existem outras colocações e fatos que se encontram longe, muito longe, da realidade e do que realmente aconteceu.
    Nesta minha apresentação me recuso a nem pelo menos opinar sobre a versão delirante de que Lampião era homossexual. Louca afirmativa do Dr. Pedro Morais que, eu tenho certeza disso, pois o conheço pessoalmente e sei o quanto ele sempre foi, na sua vida de juiz e em seu viver pessoal, um homem decente e digno, sem nunca apresentar rompantes de grandeza e vaidade.

    Realmente fiquei estarrecido com os dizeres que estão nas páginas do “LAMPIÃO O MATA SETE” que, infelizmente, além dessa aberração de Lampião ser gay, existem outros tremendos equívocos que eu não entendi como uma pessoa tão letrada, cuidadosa e estudiosa como Dr. Pedro, fosse capaz de cometer tantos disparates como os que estão em seu livro.

    Vejamos alguns deles: nas páginas do “LAMPIÃO O MATA SETE”, constam várias citações sobre o livro “LAMPIÃO”, de Ranulfo Prata. No entanto, para não se contradizer sobre a alegação de que Lampião era impotente o juiz aposentando “esqueceu” de registrar que nas páginas 73 e 74, do livro de Ranulfo, está registrado que no município de Porto da Folha, uma senhora já idosa participava do casamento de uma jovem quando na véspera do matrimônio Lampião chegou à casa da noiva e aprisionou o dono da residência, que era avô da noiva, exigindo dinheiro.

    As mulheres, inclusive a noiva, haviam se escondido em um dos quartos da casa. Olhando pela fechadura da porta a neta via a agonia de seu avô. Aflita abriu a porta e ofereceu 6000 em troca da liberdade do velho. Lampião atendeu, porém observando a beleza da moça, mais que depressa a agarra, empurrando-a até um quarto onde uma velha estava escondida e a estupra sem piedade. Após o ato bestial, Lampião ordena que a velha limpe seu órgão genital ” e este homem era impotente?

    O Dr. Pedro de Morais registra na página 219 de seu livro que o cangaceiro Penedinho matou um companheiro em 1932 e entregou a cabeça do morto ao comandante Zé Lucena.

    Não foi assim. Penedinho, que era um dos filhos de Poço Redondo que foi para o cangaço, matou o cangaceiro Canário, em 1938, logo após a morte de Lampião e foi se entregar a Zé Rufino, na Serra Negra. O célebre comandante imediatamente viajou com sua volante e o cangaceiro até a fazenda Cururipe, em Poço Redondo, aonde Canário havia sido assassinado, decepou a cabeça do assecla e levou-a até Serra Negra. Portanto, os informes que ensejaram a criação do “LAMPIÃO O MATA SETE” carecem de credibilidade.

    É de se lamentar que um livro que despertou tanta curiosidade em meio à população brasileira seja responsável por registros sem nenhum crédito, sem nenhuma nesga de verdade, numa demonstração total da falta de conhecimento do autor. Como último e simples exemplo, dentre muitos outros, existe aquele que está contido à página 283, afirmando que o cangaceiro Criança morreu no tiroteio do Cangaleixo e que a sua companheira, a cangaceira Adelaide saiu gravemente ferida.

    É deveras impressionante este registro. Os cangaceiros que morreram no Cangaleixo pelas balas da volante de Zé Rufino foram Mariano, Pavão e Pai Véio, e ainda, o coiteiro João do Pão. Adelaide jamais esteve no Cangaleixo, ela já estava morta há muito tempo, pois havia morrido de parto nas proximidades do povoado Curituba. Quem estava no coito era Rosinha, companheira de Mariano e irmã de Adelaide. Rosinha não sofreu nenhum ferimento, estava, isto sim, em alto estado de gravidez.
    É com essa enxurrada de enganos e equívocos que Archimedes está, como se fosse uma espécie de protesto, contestando nesta sua obra literária as aberrações contidas no “LAMPIÃO O MATA SETE”, que tem como pano de fundo as injustas e desastrosas acusações no sentido de mostrar loucamente, e sem a mais tênue possibilidade de Lampião ter sido gay, impotente e se dava ao desplante de formar um triângulo amoroso com Luís Pedro e Maria Bonita.

    Em um total delírio, o autor do livro assevera que Messias de Caduda era também amante de Maria Bonita. Eu conheci e fui muito amigo de Messias de Caduda, Em meu livro “Lampião além da versão”, Messias faz um relato de sua viagem para Propriá levando, a pedido de Lampião, Maria Bonita que doente de um olho iria procurar um médico, através do Dr. Hercílio Britto, para na grande cidade do Baixo São Francisco se tratar de sua enfermidade. Viagem acontecida na canoa “Tereza Góis” de Moisés Tambangue. Até a fazenda Belém, de Antônio Britto, toda cabroeira viajou na canoa. Ali, Lampião e seu bando ficaram e Maria seguiu para Propriá na companhia de Messias de Caduda e de Moisés Tambangue.

    Na volta, após o tratamento, Maria Bonita viajou na canoa Paulicéia, de Antônio Britto, e na companhia do próprio Messias e dos canoeiros Aurélio e João de Rosinha ” dizer-se que Messias era amante e coabitava com Maria Bonita é algo saído da mente de alguém sem compromisso nem com a verdade e nem com a história ” infelizmente esse alguém, no caso em tela, é um homem que caminhou a sua vida pelos caminhos da decência e do bom proceder.

    O Dr. Pedro de Morais diz à página 191 de seu livro que: “As crias concebidas e paridas por D. Deia, dizem nas falas faladas da saga desses adúlteros, eram filhos de Luís Pedro ou Messias de Caduda, outro grande amor dela, talvez, o maior de todos. Nunca foram gerados pelo atrofiado e estéril roncolho. Bomfim falava disse a quem quisesse ouvir…”.

    Eu conheci e era amigo de Felino Bomfim Feitosa. Tivemos uma estreita amizade durante longos anos. Na minha condição de funcionário do Fisco Estadual, trabalhei muitos anos, nos tempos que existia Exatoria, no Canindé Velho de Baixo e na Nova Canindé de São Francisco. Em meu livro “O Sertão de Lampião” à página 199, está o capítulo “O CANGACEIRO E O PADRE” todo ele construído através do relato de Felino Bomfim, discorrendo sobre um encontro acontecido nas caatingas de Poço Redondo entre Lampião e o padre Lima (Gonçalo de Sousa Lima). Este padre era tio de Bomfim e o mesmo estava presente a esse encontro, sem, no entanto, escutar a conversa dos dois, mas vendo ambos conversando na mataria.

    Um acontecimento deste, envolvendo um padre que era seu tio, Bomfim me contou. E por que, mesmo eu sabendo que nem ele e nem a maioria dos buraqueiros, aqueles que residiam nas ruas e praças da velha cidade-pólo do Sertão do São Francisco, não gostavam, abominavam mesmo, o cangaço e Lampião, e Bomfim nunca escondeu esse sentimento, mas, mesmo assim, ele nunca me disse, nem de brincadeira, que Lampião era gay e que Maria Bonita era amante de Messias de Caduda?

    Portanto, leitor amigo, este livro de nosso companheiro e competente rastejador das coisas do sertão, do cangaço e de Lampião, o nosso Archimedes, tem como principal finalidade mostrar aos que pesquisam e se preocupam com a nossa história, a história de nosso povo, que não devemos, sob hipótese alguma, permitir que versões loucas e sem nenhum sentido, num acinte a verdade da história, sejam perpetuadas como verdadeiras.

    Parabéns, Archimedes Marques, pelo seu brilhante e elucidativo trabalho literário, trabalho que tem a missão de desfazer os delírios que estão no livro “LAMPIÃO O MATA SETE”.

    Alcino Alves Costa, Pesquisador e escritor do cangaço.

  4. LAMPIÃO NO MUNDO DAS CELEBRIDADES

    Octavio Iani ( 1926/2004), considerado um dos fundadores da sociologia no Brasil, tem um belo estudo sobre tipos e mitos do pensamento brasileiro. Para ele, o Brasil pode ser visto ainda como um país, uma sociedade nacional, uma nação ou um Estado-não nação em busca de um conceito. É neste processo de buscar uma cara que florescem as figuras e as figurações, os mitos e as mitificações de “Lampião”, “Padre Cícero”, “Antonio Conselheiro”, “Tiradentes”, “Zumbi” e outros, reais e imaginários.

    No caso de Tiradentes, nosso herói maior, a propaganda republicana, na ausência de um retrato feito por alguém que realmente o tivesse conhecido pessoalmente, o pintou como Cristo. Aquelas barbas podem ser pura imaginação do retratista, já que naquela época, como em alguns lugares hoje, preso não podia deixar crescer barba ou cabelo por causa dos piolhos.

    Com Lampião, o processo de mitificação é interminável. Afinal, ele é filho famoso de uma terra de cantadores de feira e de cordelistas, onde a imaginação, e não só talento, também corre solta. Tanto que nas últimas décadas muitos tentaram promover a transposição da imagem de Lampião de “facínora” para uma espécie de versão tupiniquim do “Bandido Giuliano”, o fora da lei que virou herói siciliano na primeira metade do século XX e que foi retrato nas telas no clássico de Francesco Rosi.

    Acho ainda que Lampião, como ocorre com muitos outros personagens da nossa história, está sendo redescoberto pela ótica do culto da invasão da privacidade, uma das marcas dos tempos atuais. Em suas covas, mesmo enterrados há 50, 100, 200 anos, eles não conseguiram escapar de um mundo que se transformou numa Big Brother. Viraram “Celebridades”, e portanto sujeitos a bisbilhotices, ou fofocas mesmo, sobre seus afetos, romances e até opção sexual. Talvez seja por isso que surgem agora questionamentos sobre a sexualidade “Zumbi” e mais recentemente de “Lampião”.

    Neste livro, Archimedes Marques procura desmontar, pedra por pedra, o mito do Lampião gay. Vale a pena conferir.

    Ancelmo Gois (Colunista do Jornal O GLOBO)

  5. OPINIÃO SOBRE O LIVRO LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE

    Há alguns meses foi lançado com bastante polemica, ao ponto de ter sido proibido pela Justiça, o livro Lampião o Mata Sete, trabalho muito contestado por todos os pesquisadores sensatos do tema Cangaço. Foi sugerido por alguns colegas que não se comprasse o livro em foco, entretanto não concordei com a idéia e procurei adquirir o trabalho, o que fiz através de um amigo na capital baiana onde o livro havia sido lançado.

    Como já expressei em vezes anteriores, em centenas de livros que li sobre o tema não encontrei um que se aproxime de tantas aberrações contidas nesse trabalho, um verdadeiro desserviço à pesquisa do cangaço.

    Archimedes Marques em trabalho de fôlego fez em seu livro de contestação Lampião Contra o Mata Sete o que a maioria dos pesquisadores queriam ter feito, um trabalho que acaba com qualquer tipo de duvidas, se é que chegou a existir, sobre a verdadeira personalidade de Lampião. Não se trata aqui de querer transformar Lampião num herói, até porque ele nunca foi, mas sim relatar os fatos o mais perto da verdade que for possível.

    Lampião foi um cangaceiro cruel, causou muitos danos ao sertanejo nordestino, assaltou, matou, castrou, infringiu a lei de varias maneiras, teve sete policias de estados diferentes em seu encalço por cerca de vinte anos, tornou-se famoso, foi tema de filmes, musicas e incontáveis livros, inclusive esse que quis transformar esse cruel e temível cangaceiro, contra todas as evidencias, em homossexual, corno manso e o pior, todos sabiam, inclusive seus comandados, e ninguém nunca disse nada. Todas essas aberrações e outras mais são rebatidas por Archimedes, item por item, não deixando duvidas quanto ao delírio que foi escrito no livro que ele vem contestar; o que faz com muita competência.

    Caro Archimedes, você não só atendeu as expectativas e atingiu os seus propósitos, como o fez com muita competência. Parabéns.

    Ângelo Osmiro Barreto

    Escritor e Presidente GECC (Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará)

  6. CRÔNICAS SOBRE O LIVRO LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (I)

    Clerisvaldo B. Chagas, 2 de julho de 2012.

    Crônica Nº 809

    Alagoas, no geral, sempre foi um estado quase arredio para assunto de cangaço e para cantador repentista. Talvez, pelo gosto mais reservado para esses temas, não tenha havido repercussão por aqui do livro embargado pela Justiça “Lampião, o Mata Sete”, do juiz Pedro de Morais. Grandes repentistas e famosos livros sobre Lampião também não causam impacto nenhum no “Paraíso das Águas”, assim como já antevejo o nosso “Lampião em Alagoas”, cujo esforço está concentrado para o lançamento ainda este mês.

    Embargado pela Justiça, através da família Ferreira, “Lampião, o Mata Sete”, conseguiu escapar com alguns exemplares, lidos por abnegados pesquisadores do tema cangaço. Alguns ficaram horrorizados com as baboseiras e delírios do autor (um verdadeiro Zé Limeira cantador do absurdo). Confesso que não li o citado livro que, mesmo clandestino, não circulou por essas bandas. Reagindo aos sonhos eróticos do juiz, surgiu na praça um veemente protesto comandado pelo livro antagônico “Lampião contra o Mata Sete”, do delegado de polícia, estreante na Literatura e como novo escritor do cangaço, colunista, “blogueiro” e pesquisador Archimedes Marques, no estado sergipano.

    Quando o escritor atinge certa idade, reduz quase a zero a sua leitura livresca em troca das escritas frenéticas como a querer reconquistar o tempo. Pela minha parte, abri exceção para o início da frase acima, ao receber o calhamaço de 552 páginas do homem da lei Archimedes Marques. Há muito, não passando de uma leitura de 50 páginas, mergulhei no “Lampião contra o Mata Sete”, como nos velhos tempos da adolescência, lendo-o em dois dias. Sobre qualquer tipo de assunto, desde a crônica ao romance, tenho atração pelo fraseado simples, acessível, porém, mágico, burilado e criativo que faz a diferença entre o ótimo escrito da pessoa comum e o jogo atrativo de palavras e frases literárias. É assim que Archimedes consegue levar o leitor até o fim do livro como se fosse a sua linguagem a de um veterano escritor de qualquer coisa. Portanto, esse seu estilo, é um dos atrativos das páginas contra o “Mata Sete”.

    Lendo o livro de Marques, não preciso mais espiar a safadeza de “Lampião, o Mata Sete”, pois as constantes citações sobre ele ” apresentadas e contestadas por Archimedes ” provocam náuseas desde os escritores sérios às raparigas mais fuleiras dos becos do Nordeste. O livro “Lampião contra o Mata Sete”, de Archimedes Marques, é um terremoto máximo nas pretensões do juiz aposentado Pedro de Morais.

  7. CONTRA O LAMPIÃO MATA SETE

    Acabo de ler o livro “Lampião Contra o Mata Sete”, e confesso, embora eu já considerasse o autor Archimedes Marques um bom escritor, que estou impressionado com a sua capacidade de, em frases e períodos tão longos, mas com clareza e objetividade, num linguajar até certo ponto jornalístico, sem perder de vista a técnica investigativa, fazendo disso, talvez, o maior “inquérito” de sua vida; formular argumentos tão lógicos, utilizando-se, inclusive, de forma constante, da ironia para dizer com humor das suas críticas e censuras aos ditos de Pedro Morais e, principalmente, para impor a este a obrigação de provar as suas acusações, ironia esta que também lhe serve para desvalorizar mais ainda o texto deste senhor. Trata-se de obra equilibrada, parecendo até que foi feita num só instante. Ao mesmo tempo, o novel escritor Archimedes Marques, inteligentemente, dividiu o ônus desta contestação com as principais vozes da historiografia do cangaço, sem falar do cuidado de não atingir moralmente a pessoa de Pedro Morais.
    Realmente, mesmo considerando a sua vasta experiência como delegado de polícia, a sua paixão pela cultura nordestina, notadamente o cangaço, associado a um impulso natural que conduz os homens de bem a insurgir-se contra as injustiças, confesso mais uma vez a minha grande e grata surpresa, até porque o autor construiu tudo isso em tão pouco tempo, visto que “Lampião, o Mata Sete” foi publicado um dia desses.

    Embora eu não seja um crítico literário, considero o livro LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE uma obra completa no seu propósito de rebater as mal intencionadas acusações de Pedro Morais, e tenho certeza de que os leitores estão se deleitando com tão boas explicações e excelentes raciocínios.

    “Lampião Contra o Mata Sete”, portanto, não apenas contesta de forma robusta e insofismável as aleivosias infundadas de Pedro Morais, mas condena este autor a viver doravante como um natimorto literário. Além do mais, o que é pior, o sentencia a ter que se explicar e ser criticado o resto da vida.

    Daqui pra frente, o escritor Archimedes Marques pode considerar-se inscrito nos anais da história do Cangaço, com todos os méritos, não apenas pelo ineditismo da sua obra, mas pela excepcional defesa que fez, em última análise, dessa história cultural nordestina, o que orgulha e enche de honra todos os sergipanos.
    Minhas efusivas congratulações!

    Antonio Corrêa Sobrinho

    (Advogado/escritor, autor do livro “O fim de Virgulino Lampião ” O que disseram os Jornais sergipanos”)

  8. Considerações sobre o livro “Lampião contra o Mata Sete”

    (*) José Romero Araújo Cardoso

    Buscar a verdade, elucidando os fatos como realmente aconteceram, deve permear as práticas de todo escritor. A história em seu julgamento inexorável não trata com condescendência àqueles que lançam aberrações contra personagens e fatos.

    Trata-se de importante contribuição à elucidação de complexa detratação contra a figura de Lampião e outros cangaceiros do bando, efetivada pelo magistrado aposentado Dr. Pedro Moraes em livro por título “Lampião, o mata sete”.
    Chamou a atenção a perspicácia do Dr. Archimedes Marques em fomentar através de impecável pesquisa a contestação às inverdades difundidas em livro, as quais vão de acusação de homossexualismo a adultério no cangaço comandado por Lampião.
    Dr. Archimedes Marques mostra as contradições contidas no livro do magistrado sergipano através de reflexões e ponderações bastante seguras, asseveradas em consultas conscientes em obras e artigos que enfocaram o cangaço em diversos momentos.

    A imparcialidade deve mover a roda da história, pois a produção do conhecimento deve ser norteada através de compromisso efetivo com as bases da luta em prol da veracidade dos fatos e não enfatizada em proselitismo alicerçado em interesses diversos, os quais não poupam da mácula àqueles que não mais podem se defender de acusações pesadas sobre suas condutas quando vivos.

    Tomando para si a responsabilidade de colocar nos eixos o que estava sendo invertido, Dr. Archimedes Marques torna-se defensor de um mito das caatingas do semiárido brasileiro, pois não obstante o comportamento violento, vale ressaltar os refrães de um clássico da cultura popular que enfatizou a figura de Virgulino Ferreira conforme segue: “Era brabo, era malvado, o Virgulino Lampião, mas era por que negar, nas fibras do coração o mais perfeito retrato das caatingas do sertão”.

    (*) José Romero Araújo Cardoso, escritor, geógrafo, professor-adjunto da UERN.

  9. LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE

    Archimedes Marques é delegado de polícia, em Sergipe, terra por onde Lampião muito andou e, por fim, foi abatido ao lado de sua companheira, Maria Bonita, e de outros membros do seu famigerado e temido bando, em 1938, sob as balas da tropa do tenente João Bezerra, da Polícia alagoana, como é do conhecimento geral.
    Mas Archimedes é, também, um arguto estudioso do cangaço, que predominou no Nordeste por algumas décadas, e no qual se destacaram vários bandoleiros, como chefes de grupos, mas nenhum obteve a longevidade e a fama de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Na qualidade de pesquisador dedicado, Archimedes publicou, em 2012, o livro “Lampião contra o mata sete”, que, na verdade, não é apenas uma resposta a um livro (“Lampião, o mata sete”) escrito por um advogado e juiz aposentado, mas impedido, por ora, de ser publicado por decisão judicial, no qual o autor duvida da masculinidade do rei dos cangaceiros. A obra de Archimedes vai além de uma antítese, de um contraponto ao livro mencionado. É fruto de uma pesquisa muito bem embasada e com um estilo que faz o leitor mergulhar de cabeça.
    O delegado Archimedes Marques enriqueceu a vasta bibliografia sobre Lampião e o cangaço. O seu livro, profundo e extenso, passa a ser de leitura obrigatória para quem gosta do tema que ele aborda com muita perspicácia.

    Aracaju, 10 de fevereiro de 2013.

    José Lima Santana

    Advogado, Mestre em Direito, Professor da UFS, Escritor, Membro da Academia Sergipana de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.

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