Crítica: Dias de Inferno na Síria


 


Texto de Adriana Mello.

A primeira vez que ouvi falar sobre o livro “Dias de Inferno na Síria” foi no programa esportivo “Redação Sportv”. Lógico que eu não estava assistindo ao programa, afinal quem me conhece sabe que tenho tanto interesse por futebol quanto tenho por física nuclear. Mas o Renato assistia e eu via “por tabela”. No programa, enquanto debatia os assuntos do dia no campo futebolístico, o jornalista Klester Cavalcanti falava também do seu último livro publicado. Comecei a me interessar pelo seu relato e acabei vendo o programa com atenção. Alguns dias depois ao entrar numa livraria, me deparei com o livro em um lugar de destaque. Óbvio que não resisti e acabei comprando.

No livro Klester narra todo o horror que sofreu ao ser preso em maio de 2012 pelo exército do ditador Bashar al-Assad em pleno processo repressivo que se desenrola na Síria desde março de 2011. Seu principal objetivo é mostrar todo o horror e caos da guerra civil que assola aquele país, aonde mais de 40.000 pessoas já morreram(segundo números da ONU), aonde a Comunidade Internacional fracassou retumbantemente para impedir o diário massacre de civis inocentes, aonde reina a impunidade e a máquina repressiva do ditador.

Em maio 2012, Klester Cavalcanti partiu de São Paulo para Beirute, no Líbano, e de lá entrou em território sírio. O jornalista tinha o visto sírio e uma lista de equipamentos que poderia portar.  Apesar da exigência de se apresentar ao Ministério da Informação da Síria, além das inúmeras restrições e proibições à circulação de jornalistas pelo território Sírio, Klester foi o único jornalista brasileiro que conseguiu entrar na cidade de Homs, epicentro do conflito, aonde ocorriam os piores combates entre as forças leais ao regime e os rebeldes do Exército Livre da Síria, com o objetivo de registrar e apurar informações tanto sobre o conflito como fazer o registro da rotina das pessoas que convivem com tal grau de tensão por tão longo período. Em Homs acabou preso quando seguia num taxi ao encontro de um contato, ativista de direitos humanos. A partir daí seus dias foram uma sucessão de incertezas e total falta de comunicação com o mundo externo. Foi torturado e preso por 6 dias em uma cela mínima que dividia com mais de 20 homens. Na prisão, a tortura era psicológica aonde as informações que recebia eram mínimas, não sabia nem o motivo oficial de sua prisão e muito menos quando sairia de lá(e se sairia).

Klester Cavalcanti, vencedor de dois prêmios Jabuti de literatura em 2005 e 2007 pelos livros “Viúvas da Terra” e “O Nome da Morte”, relata em “Dias de Inferno na Síria” com rara habilidade todo o horror que sofreu durante os seis dias de cárcere num país estrangeiro, costumes diferentes e idioma que mal conhecia. O mais tocante do livro é ver o desenvolvimento de sua relação com seus “irmãos de cárcere”, aonde com extrema sensibilidade demonstra a comovente proximidade entre pessoas com origens, hábitos e culturas tão distantes, em situações desumanas e mesmo vivendo no limite do medo e da incerteza conseguem encontrar forças para ajudar uns aos outros.

Com prefácio assinado por Caco Barcellos,  “Dias de Inferno na Síria” é um livro que emociona e que acaba por levar ao leitor a dificuldade de conseguir parar de lê-lo. Numa narrativa comovente, torna-se impossível, pelo menos para mim, ler sem pensar em Ammar Ali, Adnan al-Saad e Walid Ali (companheiros de cela de Klester)  e a incógnita sobre quais destinos terão sido dados aos três, num país em que inexiste direitos humanos.


Palpites para este texto:

  1. Assisti uma entrevista do autor no Estudio i com a Maria Beltrão. Fiquei bem curioso. Vou comprar o livro e depois conto o que achei.

  2. Oi Antonio,
    Eu não vi essa entrevista. Vou procurar no youtube. Adoro a Maria Beltrão! Qdo vc ler, conta o que a achou.
    Um beijo
    Dri

  3. Paula Magalhães -

    Eu li matérias elogiosas à respeito e esse texto da Adriana e o video me fizeram tomar a decisão de comprar o livro amanhã mesmo.

  4. Depois conta o que achou, Paula!
    Bjs
    Dri

  5. Eu estou devorando o livro !!!! Comecei a lê-lo ontem e já estou no capítulo 11… Eu rio, me emociono e fico imaginando como foram esses dias… A descrição é feita de maneira tão boa e de uma forma tão clara que às vezes tenho a sensação de visualizar o quê Klester nos conta.. Sensacional… eu recomendo!!!!! Parabéns!!!!!

  6. Oi Cláudia,
    O livro é ótimo mesmo. Para mim, um dos melhores do ano.
    Bjs

  7. O livro é simplesmente fantástico! Recomendadíssimo…

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