Crítica: Downton Abbey – 1ª Temporada


 

 

Não sou lá um amante de séries e minisséries televisivas originárias das televisões americanas e europeias, mas durante alguns meses mantive certa curiosidade sobre “Downton Abbey”, série britânica que tanto sucesso vem fazendo mundo afora. A série acabou de estrear aqui no Brasil no canal GNT e não decepcionou minha expectativa(seja para o bem ou para o mal). A série consegue ser envolvente, tanto que tive enorme dificuldade de parar de ver, nessa brincadeira em 3 dias assisti aos 8 episódios do 1º ano da série. No GNT televisão ainda está no 3º Episódio, enquanto nas TVs britânica e americana já vai entrar na 4ª temporada da série.

A série procura ser um retrato, quase antropológico, do modo de vida de uma típica família aristocrática do interior da Inglaterra de George V, no início do século XX. Passa-se no magnifico castelo, na fictícia propriedade rural de Downton Abbey pertencente a várias gerações aos Crawley, seu atual senhor é Robert Crawley, o Conde de Grantham. É nesse espaço físico que vivem dois mundos paralelos. Na parte superior do castelo a típica vida e costumes da nobreza, que por força de leis ancestrais e através da glória de seus antepassados mantém seu cotidiano esplendoroso e faustuoso, sem que nada de útil tenham feito para merecerem tanto privilégio da vida. Na parte baixa aqueles que os servem, a criadagem composta por um enorme número de pessoas e funções, o mordomo, a camareira, os pajens(1º e 2º), a cozinheira, a governanta, o chauffeur entre outros mais, levando uma vida quase tão inútil quanto aqueles que servem, com medíocres perspectivas da vida, vivendo em função de seus amos, orgulhosos de suas funções e com ambições de “progredirem” nesse submundo, para atingirem seus objetivos pessoais, podem até mesmo lançar mão de intrigas e golpes baixos. Mas no fundo, talvez os dois mundos até se pareçam, pois nos andares superiores a vilania e a peçonha também se fazem presentes numa rede intricada de não ditos, regras, posturas e códigos. São 2 mundos, quase que 2 dimensões, em que a mundo superior pouco enxerga o debaixo, enquanto esse vê e sabe tudo que se passa nos andares superiores.

Qualquer semelhança com “Gosford Park”, filme de Robert Altman, não é mera coincidência, já que “Downton Abbey é uma criação de Julian Fellowes, justamente o roteirista de “Gosford Park”. Outros podem ainda se remeter a uma referência mais antiga, “A Regra do Jogo”, de Jean Renoir, lógico que sem a mesma genialidade de Renoir.

Entre as várias histórias paralelas de “Downton Abbey”, a principal gira em torno do dilema vivido pelo Conde de Grantham, em meio à ociosidade sua e de sua família, com decisões difíceis como se deve ou não demitir um mero pajem(decisões que levam meses para serem tomadas), mas nesse momento específico se encontra num dilema. Pai de 3 filhas, necessita encontrar um herdeiro do sexo masculino para manter a posse de sua propriedade na família. A série se inicia com suas expectativas indo literalmente a pique quando um primo com que planejava casar sua primogênita filha Mary, morre no naufrágio do Titanic em 1912. Suas expectativas se voltam então para um distante primo de Manchester, Matthew Crawley, um jovem advogado, um tanto “classe média demais”(na opinião de Mary) e com um um certo ar “excêntrico”(na opinião da matriarca vivida por Maggie Smith), que fala em coisas sem sentido como “emprego” e “fim de semana”.

Em meio à ficção, fatos históricos vão se incorporando na vida dos personagens, alterando por vezes seus destinos. Esse 1º ano da série se passa durante o intervalo de 2 anos que vai do naufrágio do Titanic em 1912 ao anuncio do início da 1ª Guerra Mundial em 1914.

Obviamente “Downton Abbey” é um típico novelão, com todos os defeitos e virtudes desse gênero, com os vilões, os puros, os ricos, os pobres, amores não consumados. Mas tem um roteiro bem elaborado, ótimos diálogos, cenários deslumbrantes e os figurinos lindíssimos. O roteiro é por vezes melodramático, mas tem suas qualidades.

O elenco é bastante homogêneo, mas quem rouba todas as cenas em que aparece é Maggie Smith, a Condessa de Grantham, dona de uma língua ferina, com tiradas geniais, besta até a medula, fiel depositária das “virtudes” vitorianas e dos privilégios da aristocracia.

Quanto a mim, começo nesta semana a assistir a 2ª temporada.

UPDATE 26/08/2013

Quem quiser ganhar o DVD com as 3 temporadas de “Downton Abbey” pode se inscrever para o sorteio aqui mesmo no Botequim Cultural, neste link ao lado: sorteio Downton Abbey. As inscrições se encerram em 05 de setembro de 2013 e o sorteio será dia 06 de setembro.


Palpites para este texto:

  1. Ronaldo F. Campos -

    Depois de Lost, a melhor série que assisti. A “Condessa Viúva está impagável”. Obrigado.

  2. Acabei de assistir o primeiro episódio e gostei. Achei engraçado, isso mesmo, engraçado a aristocracia e sua criadagem. Mas pensando bem, acho que as coisas não mudaram tanto assim no nosso mundo atual, mudou?

  3. Roseneide pestana -

    Gente so agora assistir a serie e amei ..quero ver a serie toda…

  4. Excelente a sua resenha.

  5. Que deleite é ler essa resenha de uma obra tão fascinante quanto “Downton Abbey”. Parabéns!

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