Crítica: Downton Abbey – 2ª Temporada


 

A 2ª temporada de Downton Abbey reforçou o pensamento que eu tinha sobre séries televisivas de um modo geral. Mas como já disse no post da 1ª temporada, AQUI, não sou lá muito fã de séries televisivas. Existem basicamente 2 tipos de séries, aquelas em que os episódios são independentes, típico de séries humorísticas e policiais. Existem ainda aquelas séries com uma sequência em que os episódios são capítulos que se sucedem, sendo que o que ocorreu nos episódios passados tem consequências diretas nos capítulos subsequentes, como uma saga.

Nesse 2º caso creio que não deveriam ter mais do que 2 temporadas, se muito esticados acabam virando um enorme novelão. É o caso de Downton Abbey. Teve uma bela 1ª temporada e nesse momento já vai na 4ª temporada na TV americana. Mas na 2ª temporada já dá para notar que a série está virando uma enorme lenga-lenga, em que os conflitos são cíclicos e temporais enquanto o grande dilema acaba eternamente inconcluso.

Lógico que a série tem ainda  méritos. Grande acabamento técnico, elenco absolutamente convincente e diálogos afiados. Ainda mantém seu papel de ser um retrato quase antropológico de um microcosmo da nobreza britânica.

A 2ª temporada se passa entre o início da 1ª Guerra Mundial em 1914 e vai até a grande epidemia mundial da gripe espanhola de 1919. Retrata como uma guerra de tal dimensão altera todo o modo de vida daquele aparente intocável universo da família Crowley.

O grande problema é o tom novelesco adquirido em que facilmente conseguimos antever os acontecimentos que estão por vir, ficando tudo muito previsível. Há algumas, por vezes sutis, diferenças no comportamento de alguns personagens. O grande vilão da 1ª temporada, Thomas, acaba se revelando na verdade um enorme bobalhão e trapalhão. Já sabemos de pronto que suas novas maquinações vão, como sempre, acabar com os burros n’água, não causando mais expectativas. A igualmente vilã, a camareira O’Brien também não está tão má, vive um tanto atormentada pelo sentimento de culpa por seu ato vil da 1ª temporada. A personagem de Maggie Smith, permanece com seu ar esnobe e ainda é responsável pelas mais interessantes e deliciosas tiradas da série. Quando aparece fica impossível não aguardar o que sairá de sua língua que permanece ferina, mas utiliza agora todo seu fel é utilizado para nobres intenções.

Agora, poucas coisas foram mais patéticas do que o criador da série, Julian Fellowes, reservou para o Conde de Grantham. O pobre Conde passa seus dias em casa vestido com uniforme militar, aguardando ansiosamente um dia quem sabe ser útil num front de batalha. Passa os 4 anos de guerra como um digno “general de pijamas”. Chega a ser engraçado ver o Conde permanentemente circulando pela casa e seus mais diversos cômodos todo fantasiado de militar.

Já o romance principal entre Mary e Matthew, que não ata e nem desata, apenas cumpre seu papel de uma grande e clássica novela, com  lances melodramáticos, sofrimentos, resignações, casamentos desfeitos e com direito até a “milagre” de paraplégico se levantando da cadeira de rodas. Isso para não falar de um clássico do gênero: o amor entre uma jovem pertencente da nobreza com um humilde representante da classe trabalhadora, numa das tramas paralelas. Gilberto Braga deve estar se roendo. Só faltou nessa 2ª temporada algum morto sair da cova, sem bem que até pelo caminhos paranormais a série andou flertando, ainda que discretamente.

Na 1ª temporada destaquei a atuação de Maggie Smith. Contínuo destacando. Mas nessa 2ª temporada também me chamou a atenção a atuação de Jim Carter, o  impécável mordomo Carson, que tudo sabe, tudo vê. Responsável pelo perfeito andamento da casa, discreto, dono de uma fleugma aristocrática, possuídor um vocabulário rebuscado e polido ao extremo, com falas sutis, recheadas de ironias, mas que nas suas entrelinhas é responsável por grandes verdades. Um mordomo com alma de um lorde(por vezes me lembrava o Santiago, o mordomo dos Moreira Salles, só que menos afetado).

Se a saga da família Crowley tivesse sido planejado para no máximo 2 temporadas, poderia ter sido excelente. Mas a 2ª temporada desandou e temo pelo que está por vir no 3º.

UPDATE 26/08/2013

Quem quiser ganhar o DVD com as 3 temporadas de “Downton Abbey” pode se inscrever para o sorteio aqui mesmo no Botequim Cultural, neste link ao lado: sorteio Downton Abbey. As inscrições se encerram em 05 de setembro de 2013 e o sorteio será dia 06 de setembro.

 


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Calendário de postagens

setembro 2017
D S T Q Q S S
« ago    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930