Em Cartaz: Felizac


 

'Felizac'_de Lucas Gouvêa (web) (1)

Os paradoxos dolorosos do nosso tempo reside no fato de serem os estúpidos os que têm a certeza, enquanto os que possuem imaginação e inteligência se debatem em dúvidas e indecisões.”

Bertrand Russell

Porque sou diferente? Eu quero a banalidade da vida, eu quero me acomodar.
Quero ser simplesmente uma formiga entre as formigas.

 O francês Martin Page faz parte da nova geração de autores mais traduzidos em países estrangeiros. “Felizac” é inspirado no seu livro que se tornou um Best-seller: “Como me tornei estúpido”, onde ele questiona a condição humana da sociedade através do personagem Antoine, que conclui que a solução para sua felicidade nos dias de hoje é tornar-se estúpido, abandonando sua inteligência e senso crítico.

Aparentemente de fundo nonsense, a história na verdade traz uma profunda reflexão sobre a superficialidade da sociedade, dos sentimentos e das alternativas de condução perante a vida. Segundo consta, Page escreveu o livro após ter lido o Eclesiastes – cuja autoria é atribuída a Salomão por muitos relatos se corresponderem aos da sua vida – que conta a história de um filósofo em conflito existencial, comenta sobre suas desilusões e do materialismo epicurista de que não há nada melhor que o gozo carnal dos prazeres mundanos.

Apesar de tudo, esse “conflito existencial” é tratado por Page com muita sofisticação e humor, apresentando um painel com personagens que, se em muitas vezes parecem saídos de desenho animado ou que passaram por uma lente de aumento, em outros, no entanto, poderiam ser nossos vizinhos ou alguém bem próximo.

SINOPSE

Antonio (Rohan Baruck), um rapaz de vinte e cinco anos resolve abdicar de seu conhecimento e consciência, pois estes seriam responsáveis por torná-lo infeliz. Segundo ele, ser estúpido seria um plano perfeito de sobrevivência e pra ser aceito na sociedade em que vive, já que saber aramaico, conhecer a fundo o cinema de Stanley Kubric e Win Wenders, entre outros méritos intelectuais, não o levaram a lugar algum.

Inicialmente seu grande plano não tem sucesso, ele tenta virar alcoólatra, mas no primeiro gole entra em coma; tenta suicidar-se, mas acaba desistindo da ideia; e até fazer uma cirurgia para retirar uma parte do cérebro vira uma opção. Mas sua redenção só vem mesmo quando ele consegue o emprego numa corretora de ações de um ex-colega de escola, e quando faz sua grande descoberta: o Felizac, um antidepressivo receitado pelo seu médico. Essas duas receitas parecem o antídoto perfeito para conduzi-lo para um novo mundo: o dos bem-sucedidos executivos financeiros, onde não há espaço pra consciência crítica, apenas tempo pra se gozar a vida de forma mais superficial possível.

Apesar dessa nova condição de vida, o herói fica vulnerável ao seu próprio veneno, ou seja, seu cérebro ainda dá sinais de vida e aos poucos ele vai percebendo a dificuldade real em se tornar um membro desta sociedade e por fim acaba resgatado por seus antigos amigos e como na antológica cena de “Laranja Mecânica” passa por uma lavagem cerebral e recupera o seu maior dom: sua inteligência.

COLETIVO DE UNS

Em maio de 2014, Lucas Gouvêa ministrou uma oficina na Sede das Cias e finalizou com a apresentação de “O amor é um franco-atirador” de Lola Arias.

O que chamou a atenção nesse encontro foi a diversidade dos alunos inscritos: Atores profissionais, estudantes (de teatro, dança e cinema), alunos de filosofia e história, músicos, de 17 a 52 anos, e vindos dos lugares mais diversos: zona sul, norte, Bangu, Vila Cruzeiro, Duque de Caxias, Cuiabá, Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte…

Após a oficina, a maioria quis continuar se encontrando e surgiu o Coletivo de uns, que se prepara para sua estreia na cena teatral carioca com o espetáculo “Felizac”, uma adaptação do livro “Como me tornei estúpido” de Martin Page, sugerido pelo diretor e aprovado por todos.

FICHA TÉCNICA
Dramaturgia e Direção: Lucas Gouvêa
Elenco: Alessandra Barbagallo, Ana Lua Gonzaga, Antonio Tostes, Danilo Gomes, Edson Ferreira Zédin, Giovanna Infante, Juliana de Moraes, Léo Torres, Louise Dias, Marcelo Albuquerque, Pablo Pêgas, Rohan Baruck e Vanessa Lobo
Produção Executiva: Giovanna Infante e Maria Chafir
Cenografia: Louise Dias, Camila Silveira e Antônio Tostes
Design de Luz: Vitor Emanuel
Figurinos: Joana Lima e Silva
Trilha sonora: Lucas Gouvêa
Preparação vocal: Roberta Bahia
Direção de movimento: Paula Isnard de Maracajá
Assistência de direção: Carmen Kawahara
Programação Visual: Rohan Baruck

SERVIÇO
Temporada: de 03 a 12 de dezembro (apenas 6 apresentações)
Local: Sede das Cias (Rua Manuel Carneiro, 12, Escadaria Selarón – Lapa)
Informações: (21) 2137-1271
Horário: de quarta a sexta, às 20h
Ingressos: R$10,00
Gênero: comédia dramática
Classificação etária: 12 anos
Duração do espetáculo: 92 minutos
Capacidade: 60 lugares
Bilheteria: aberta 1h antes de cada sessão
Estacionamento próximo ao teatro: Rio Antigo Park (Rua Teotônio Regatas s/n – ao lado da Sala Cecília Meireles)
www.facebook.com/sededascias


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