Em Meio à Tragédia em Santa Maria, O Espetáculo Mais Triste da Terra


 

 

A história é um grande profeta com os olhos voltados para trás”.

 Escrevo esse post no calor dos acontecimentos trágicos ocorridos hoje em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, aonde mais de 200 pessoas perderam suas vidas. Lembrei-me imediatamente de um livro que li no ano passado, “O Espetáculo Mais Triste da Terra”, do jornalista Mauro Ventura, que narra a tragédia do Gran Circo Norte-Americano, ocorrida em 1961 na cidade de Niterói aonde 500 pessoas morreram. A grande conclusão que podemos chegar é que passados mais de 50 anos, as grandes tragédias parecem só nos servir para uma reflexão imediatista e providências emergenciais, mas que nenhum legado deixaram para as gerações futuras. “O Espetáculo Mais Triste da Terra” foi um dos livros mais tristes que já li e tive enorme dificuldade de conseguir chegar ao final. É daqueles livros que dói na alma da gente, sua carga é pesada, tanto que nem escrevi resenha dele aqui porque não queria reviver aquelas histórias. Além de ser um excelente trabalho, mais do que nunca, ele se torna agora um livro necessário, de tomada de consciência.

Mauro Ventura tenta reconstituir todos os detalhes daquela tarde de 1961, no maior incêndio da história do Brasil. Ainda há fatos nebulosos e é difícil tirar todas as conclusões definitivas do que ocorreu ali. Mas Mauro deixa de lado as frias estatísticas e dá vida a todos aqueles 500 indivíduos que morreram de um total de 3 mil espectadores, aonde em menos de 10 minutos tudo em volta se tornou uma gigantesca ruína. Vai inclusive mais além, aonde fica mais difícil a leitura: os sobreviventes e  os parentes das vítimas que tiveram suas vidas estraçalhadas em decorrência daquele acontecimento. Narra também a grande mobilização e comoção que gerou no país. Para fazer esse trabalho, Ventura entrevistou mais de 150 pessoas, entre sobreviventes e testemunhas e levou 2 anos pesquisando centenas de documentos para tentar trazer à luz os fatos ali ocorridos.

Quando acontece esse tipo de tragédia, a mídia e a opinião pública dá voz as pessoas durante 1 semana, 1 mês, buscam culpados, apontam erros e negligências, depois outras pequenas tragédias acontecem e esquecemos, ou pelo menos sublimamos. Mas aquelas pessoas ficam, com seus sofrimentos e suas feridas que talvez nunca serão cicatrizadas. Mauro mostra todo o dia a dia da recuperação dos feridos, alguns que ficaram mais de ano internadas, muitas crianças inclusive, várias delas em situação de orfandade. Os voluntários, os médicos, as pessoas que doaram seu tempo em detrimento de suas profissões e família, todos os aspectos são abordados, assim como os dramas individuais, como o da mulher que perdeu o marido e seus filhos. O que é feito dessas pessoas? Como ainda sofrem as consequências e as sequelas de uma tragédia de 50 anos atrás ainda hoje.

Perdoem-me se este post tem um tom menos analítico e mais emocional. Mas acho que no dia de hoje tenho direito a isso. Nos próximos meses a indignação estará tomando conta de nós. E depois? Enfim, “vejo o futuro repetir o passado”.


Palpites para este texto:

  1. Será q tem na App Store?

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